Redes Sociais

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

O 3D da Educomunicação: um legado para salvar o planeta

Os 20 anos do Programa Imprensa Jovem representam muito mais do que uma trajetória de projetos e produções midiáticas. Representam a consolidação de um modo de fazer educação comprometido com a manutenção da democracia, a promoção do diálogo e a integração das diversidades. Em um mundo marcado por polarizações, discursos de ódio e crises socioambientais, a Educomunicação se afirma como uma resposta pedagógica urgente e necessária.

O século XXI — iniciado no ano 2000 — é, e continuará sendo, o século da Educomunicação. Um tempo histórico que exige da escola um olhar ampliado, crítico e sensível às complexidades do mundo. É nesse contexto que surge a proposta da Educação 3D com a Educomunicação.

O 3D não se refere à tecnologia em si, mas a um olhar tridimensional sobre a realidade. Um olhar que:

  • os fatos e acontecimentos;

  • Compreende os contextos, as relações e os interesses envolvidos;

  • Intervém de forma ética, coletiva e transformadora.

Esse olhar 3D é fundamental para a manutenção da democracia, pois forma sujeitos capazes de analisar informações, reconhecer diferentes pontos de vista, combater a desinformação e participar ativamente da vida pública. Ao produzir jornalismo estudantil, os jovens aprendem que a democracia se constrói com escuta, responsabilidade e autoria.

A Educomunicação 3D também é uma potente ferramenta de promoção do diálogo. Nos coletivos do Imprensa Jovem, o diálogo não é retórico: ele se materializa na produção colaborativa, na mediação de conflitos, na convivência entre diferentes gerações, territórios e culturas. Dialogar é aprender a discordar com respeito, a construir consensos possíveis e a reconhecer o outro como legítimo.

Integrar as diversidades é outro eixo estruturante do 3D da Educomunicação. Diversidade de vozes, de corpos, de gêneros, de culturas, de saberes e de territórios. Ao longo de sua história, o Imprensa Jovem consolidou espaços em que meninas e jovens mulheres assumem protagonismo, onde estudantes historicamente silenciados passam a narrar o mundo a partir de seus próprios olhares. Isso é democracia em prática.

O 3D da Educomunicação também aponta caminhos para a sustentabilidade do planeta. Ao engajar crianças e jovens em processos de leitura crítica da realidade, criamos condições para futuros mais justos, solidários e ambientalmente responsáveis. Não há futuro sustentável sem educação democrática, participativa e diversa.

20 anos do Imprensa Jovem

Celebrar os 20 anos do Imprensa Jovem é, acima de tudo, assumir um compromisso coletivo com o futuro. É um convite para:

  • Fortalecer a Educomunicação nas escolas como política pública permanente;

  • Garantir espaços de escuta e protagonismo juvenil;

  • Defender a democracia por meio da educação midiática e informacional;

  • Promover o diálogo em tempos de intolerância;

  • Valorizar as diversidades como riqueza social e pedagógica;

  • Agir localmente, a partir da escola e do território, com impacto global.

Os próximos anos exigem coragem, sensibilidade e ação. O Imprensa Jovem segue como um movimento educativo, uma rede viva de jovens comunicadores que acreditam que educar é comunicar, e comunicar é transformar.

Que os próximos 20 anos sejam ainda mais tridimensionais.
Mais democráticos.
Mais diversos.
Mais humanos.

Por Carlos Lima - Professor Educomunicador

Imagem : TV Cultura Imprensa Jovem no Ar - Acervo pessoal 

domingo, 28 de dezembro de 2025

Homenagem a José Armando Valente: estudantes do Imprensa Jovem entrevistam referência das Tecnologias para Aprendizagem


Durante a Mostra de Tecnologia - Ação Promovendo a Reflexão - 2024,  os estudantes do Imprensa Jovem tiveram a oportunidade de conversar com o professor e pesquisador Dr. José Armando Valente, uma das principais referências nacionais em tecnologia educacional. Junto com Seymour Papert apoiou na implantação dos laboratórios de informatica educativa nas escolas de municipais de São Paulo na década de 80. 


Diálogo histórico de Seymour Paper e Paulo Freire com tradução de José Valente

A entrevista foi conduzida por Heloísa Gama Martins e Thomas Nascimento de Lima, da agência de notícias Imprensa Jovem da EMEF Prof. Roberto Plinio Colacioppo , que dialogaram com o pesquisador sobre trajetória profissional, desafios da educação digital e perspectivas para o futuro da aprendizagem.

Da engenharia à educação

Ao iniciar a conversa, os estudantes perguntaram ao professor como começou sua carreira e o que o motivou a seguir o caminho da educação. José Valente contou que sua formação inicial foi na engenharia mecânica, atuando com projetos de programação. No entanto, o interesse pela docência o levou a dar aulas de Ciência da Computação ainda no início da década de 1970.

Em 1976, mudou-se para os Estados Unidos para realizar o doutorado com pesquisador Seymour Papert. Foi lá que conheceu projetos inovadores que defendiam uma ideia revolucionária para a época: não ensinar apenas tecnologia ao aluno, mas permitir que a criança “ensine” o computador, por meio da programação. Esse contato transformou sua trajetória. Valente passou a se dedicar à interface entre tecnologia e educação, deixando a engenharia em segundo plano e assumindo-se, hoje, muito mais como educador do que como engenheiro.

Estudantes do Imprensa Jovem entrevistam o professor José Valente


Tecnologia e cultura digital na escola

Questionado sobre a relevância da tecnologia na atualidade e seu impacto no ensino e na aprendizagem, o professor destacou que inserir tecnologia na escola é, antes de tudo, colocar o estudante em contato com a realidade da cultura digital.

Segundo ele, praticamente todos os setores da sociedade — produção, comércio, entretenimento — já estão profundamente integrados às tecnologias digitais. A educação, no entanto, ainda enfrenta dificuldades para acompanhar esse movimento. Para Valente, essa mudança não será impulsionada apenas pelos professores, mas principalmente pelos estudantes, que já vivem intensamente a cultura digital e acabam “puxando” a escola para essa transformação.

Desafios para integrar tecnologia à educação

Ao falar sobre os principais desafios para uma integração efetiva da tecnologia nas escolas, José Valente foi direto: infraestrutura e formação docente.

A falta de acesso à internet e de equipamentos como computadores e tablets ainda é um obstáculo significativo. No entanto, ele enfatizou que o maior desafio é a formação dos professores, para que saibam integrar as tecnologias digitais de forma pedagógica e significativa ao currículo tradicional.

Tecnologia, desigualdade e periferias

Outro ponto importante da entrevista foi a discussão sobre como a falta de internet e de infraestrutura tecnológica impacta a educação de jovens, especialmente nas periferias e áreas rurais. Para o pesquisador, essa é uma questão diretamente ligada a decisões políticas e prioridades públicas.

Ele citou o exemplo do Uruguai, que iniciou a implementação de tecnologias digitais justamente pelas áreas rurais, ampliando o acesso antes de chegar aos grandes centros urbanos. Para Valente, democratizar o acesso à tecnologia é uma escolha política essencial para garantir equidade educacional.

José Valente UNICAMP, Regina Gavassa TPA/SME,  Ann Berger  Valente MIT e Carlos Lima EDUCOM /SME no Seminário Mostra de Tecnologia 2023

O futuro da educação e a inteligência artificial

Encerrando a entrevista, os estudantes perguntaram sobre as expectativas para o futuro da educação tecnológica. José Valente demonstrou entusiasmo ao falar da chegada da inteligência artificial como recurso educacional.

Em sua visão, a educação caminha para um momento em que o estudante será cada vez mais ativo, protagonista do próprio aprendizado, utilizando metodologias ativas, enfrentando desafios e fazendo uso crítico das tecnologias. Nesse cenário, o papel do professor deixa de ser o de transmissor de conhecimento e passa a ser o de mediador e orientador.

Para viver plenamente na cultura digital, Valente destacou dois elementos fundamentais: repertório e diálogo. Segundo ele, essas competências serão essenciais para que os jovens utilizem as tecnologias de forma crítica, criativa e ética.

Ao final, o professor agradeceu a entrevista e reforçou que o futuro da educação está nas mãos dos próprios estudantes — como os jovens do Imprensa Jovem, que já exercitam, na prática, a comunicação, o pensamento crítico e o protagonismo juvenil.


Por Carlos Lima : Professor  Educomunicador

Fotos : Acervo Carlos Lima

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O audiovisual e o cinema na escola: educação, diálogo e transformação social


O cinema e o audiovisual ocupam hoje um lugar estratégico na escola contemporânea. Mais do que recursos didáticos ou instrumentos de apoio às aulas, eles se consolidam como linguagens formativas, capazes de promover diálogo, empatia, pensamento crítico e protagonismo estudantil. Quando trabalhados a partir da perspectiva da Educomunicação, tornam-se potentes ferramentas de transformação social e de enfrentamento às desigualdades e aos preconceitos.

A escola é, por excelência, um espaço de escuta, de fala e de construção coletiva de sentidos. O audiovisual possibilita que temas complexos — como racismo, direitos humanos, meio ambiente, diversidade cultural e justiça social — sejam abordados de forma sensível, contextualizada e conectada às vivências dos estudantes. O cinema cria pontes entre o currículo, o território e as experiências de vida, ampliando o repertório cultural e fortalecendo a aprendizagem interdisciplinar.

Nesse contexto, o cineclube escolar se apresenta como uma estratégia pedagógica fundamental. Diferente da simples exibição de filmes, o cineclube pressupõe curadoria intencional, planejamento e mediação pedagógica. Os filmes selecionados dialogam com documentos orientadores da Rede, como as Diretrizes de Educação Antirracista, e provocam debates que valorizam a diversidade de olhares. Quando os estudantes se reconhecem nas narrativas exibidas, suas vozes emergem, seus pontos de vista se expressam e o espaço escolar se torna mais democrático e participativo.

O audiovisual, enquanto prática educomunicativa, não se limita ao ato de assistir. Ele envolve também a produção de conteúdos pelos próprios estudantes. Aprender a fazer cinema é um processo colaborativo que desenvolve competências técnicas, comunicativas, sociais e emocionais. Na criação de roteiros, os estudantes exercitam a empatia ao pensar no público; na produção, aprendem a cooperar, dividir tarefas e reconhecer diferentes potencialidades; na edição, vivenciam o diálogo, a escuta e a tomada coletiva de decisões. Nesse percurso, o processo formativo é mais importante do que o produto final.

Trabalhar com cinema e audiovisual na escola também significa investir em alfabetização midiática e informacional. Ao analisar enquadramentos, narrativas, escolhas estéticas e recortes temáticos, os estudantes desenvolvem uma leitura crítica da mídia, tornando-se capazes de identificar intenções, discursos e vieses presentes nas produções audiovisuais. Essa competência é tão essencial quanto as alfabetizações da leitura, da escrita, da matemática, das ciências ou das artes, especialmente em um mundo atravessado pelas telas e pelas redes digitais.

Ao longo de mais de duas décadas de experiências na Rede Municipal de Ensino de São Paulo, iniciativas como o Programa Imprensa Jovem, os projetos de cineclube, as formações docentes e as produções audiovisuais estudantis têm demonstrado que a Educomunicação emancipa, empodera e transforma vidas. O audiovisual cria espaços de protagonismo juvenil, fortalece a cultura de paz e amplia as possibilidades de participação cidadã.

Levar o cinema para a escola — e, sobretudo, para territórios historicamente marginalizados — é garantir o direito à comunicação e à expressão. É possibilitar que narrativas locais ganhem visibilidade, que vozes silenciadas sejam ouvidas e que novas formas de enxergar o mundo sejam construídas coletivamente. Quando estudantes produzem e compartilham suas histórias, a escola se torna um espaço de criação, pertencimento e transformação.

Diante de sua potência educativa, o audiovisual precisa ser reconhecido como política pública de educação. Festivais estudantis, mostras de cinema escolar, cineclubes e projetos de produção audiovisual são estratégias fundamentais para consolidar uma educação dialógica, democrática e criativa. O cinema, quando aliado à Educomunicação, não apenas forma espectadores, mas forma sujeitos críticos, autores de suas próprias narrativas e protagonistas de suas trajetórias.

Por Carlos Lima - Professor Educomunicador 

Imagem : Pixabay

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Criar um site para o seu projeto de Educomunicação


Todo projeto de Educomunicação nasce com uma missão central: comunicar. Se essa dimensão não estiver presente, o espaço digital perde o sentido. Criar um site, portanto, não é apenas uma escolha estética ou técnica, mas uma estratégia pedagógica e comunicativa. A pergunta inicial que precisa orientar esse processo é simples e profunda: o que comunicar?

Quando falamos de um projeto de Educomunicação, falamos de autoria, protagonismo e participação. É natural, portanto, que o site seja um espaço para dar visibilidade às produções midiáticas criadas pelos próprios participantes — especialmente estudantes. Publicar essas produções não é apenas divulgar conteúdo, mas valorizar processos educativos, fortalecer vínculos com a comunidade escolar e reafirmar o direito à voz.

O que deve ser comunicado no site?

Um site de Educomunicação deve priorizar as produções autorais do projeto, que podem estar em diferentes linguagens: textos, podcasts, vídeos, fotografias, programas de rádio, reportagens multimídia ou posts digitais. Essas produções precisam ter destaque e boa visibilidade, pois representam o coração do projeto.

No entanto, antes de apresentar os conteúdos, é preciso cuidar de um aspecto essencial: o acolhimento do visitante. O site não pode parecer estranho ou confuso para quem acessa pela primeira vez. Ele deve deixar claro, desde o início, quem somos, o que fazemos e por que existimos.

As “cabeças” do site: estrutura básica

Alguns elementos são fundamentais para a identidade e a compreensão do site:

  • Endereço ou URL
    O endereço do site deve dar pistas claras sobre o projeto. Evite nomes genéricos. Um bom URL ajuda o visitante a entender rapidamente do que se trata o espaço virtual.

  • Descrição do site
    Apresente, de forma objetiva, as motivações do projeto, sua proposta educomunicativa e o público envolvido. Esse texto funciona como um convite ao internauta.

  • Conteúdo informativo
    Reúna informações institucionais e pedagógicas sobre o projeto. Esse conteúdo pode (e deve) ser atualizado conforme a relevância para o público.

Esses três elementos formam a base do site e ajudam a construir confiança, identidade e clareza.

A segunda camada de relevância: serviços e participação

Para tornar o site mais funcional e efetivo como fonte de informação, é importante incluir conteúdos relacionados aos serviços e ações do projeto, como:

  • Como participar do projeto

  • Atividades desenvolvidas

  • Orientações pedagógicas

  • Identificação dos participantes(nome e sobrenome)

  • Equipe gestora e educadores envolvidos

Essas informações fortalecem a transparência do projeto e ampliam o engajamento da comunidade.

Integração com redes sociais

Outro ponto essencial é a articulação do site com as redes sociais do projeto. Links para Instagram, YouTube, podcasts ou outras plataformas ampliam o alcance das produções e permitem que o site funcione como um hub central de comunicação, reunindo tudo em um único lugar.

Orientações para escrever os textos do site

Para garantir acessibilidade, clareza e boa experiência de leitura, recomenda-se adotar uma linguagem simples e direta, seguindo algumas orientações práticas:

  1. Utilize fonte Arial ou similar, evitando o uso excessivo de caixa alta

  2. Prefira texto em voz ativa, frases objetivas, parágrafos curtos e visualmente organizados

  3. Opte por fundo clean (preferencialmente claro ou escuro neutro)

  4. Use imagens horizontais, no máximo uma por seção

  5. Insira hiperlinks sempre que possível

  6. Mantenha o site atualizado com informações e produções recentes

  7. Crie títulos de links e URLs com, no máximo, duas palavras

Plataformas gratuitas para criar seu site

Hoje é possível criar sites de forma gratuita e acessível utilizando plataformas como:

  • Google Sites

  • Wix

  • WordPress

Essas ferramentas permitem que estudantes e educadores participem ativamente da construção do site, fortalecendo ainda mais o caráter colaborativo e autoral da Educomunicação.

Criar um site para o seu projeto não é apenas uma tarefa técnica: é uma ação pedagógica.

Por Carlos Lima - Professor Educomunicador 

domingo, 21 de dezembro de 2025

Do medo do futuro ao protagonismo: como a Imprensa Jovem mudou a minha vida

 


Sempre tive medo do futuro. Até hoje, me pego pensando no que seguirei como profissão, mas o que mais me assustava era o sentimento de incapacidade sobre a minha própria vida: não saber se conseguiria um bom emprego, bons estudos e a realização dos meus sonhos. Sonhador eu sempre fui e, como não conquistamos nada nesta vida sem projetar nossos objetivos, continuo firme nesse meu propósito.

Graças a esse desejo potente de trilhar um futuro do qual eu me orgulhasse, procurei meios que me ajudassem. Foi assim que me inscrevi em diversos projetos durante os meus anos no Paulo Duarte. Entre tantos, a Imprensa Jovem foi um dos que mais transformaram a minha vida. Posso dizer que, graças a ele, encontrei não só algo que amo fazer, mas também propósito e oportunidade.

Missão Action Days - Summit Of Future  ONU - 2024

Desde pequeno, sempre fui muito tímido. Quando se tratava de falar com outras pessoas, não importava a idade, eu não tinha coragem. Mas, em 2023, adentrei o mundo das entrevistas. Comecei a falar com as câmeras, conhecer pessoas novas e perder a timidez. Confesso que não foi fácil, mas acredito firmemente que o projeto Imprensa Jovem foi o motor do meu desenvolvimento na comunicação. A capacidade de um projeto dar tanto protagonismo e voz aos estudantes é um dos principais fatores para o desenvolvimento da educação como um todo. Graças a essa força do projeto, hoje consigo falar sem medo, sem gaguejar e com muito mais confiança.

Depois de 2023, repleto de experiências incríveis, como: conhecer de perto a TV Cultura. O ano de 2024 foi o ano que me deu o propósito que mencionei anteriormente. Participamos do G20 (o maior fórum de economia do mundo), onde entrevistei personalidades como o ministro da fazenda Fernando Haddad. Também fui ao Rio de Janeiro para participar do evento LED (Luz na Educação), pela Ashoka e pelo Imprensa Jovem. Além disso, participamos mais uma vez da revista Imprensa Jovem e conhecemos a Renata Juliotti, que foi nossa tutora na escrita da matéria e também em duas viagens: ao Chile, durante o Fórum da Juventude, e ao Fórum do Desenvolvimento Sustentável da ONU. É uma experiência que me faltam palavras para descrever, e só tive a oportunidade de ir ao Chile por conta do projeto.

Com a ida ao Chile, as pontes se interligaram e nos levaram a Nova York, para participarmos dos Action Days e da Cúpula do Futuro da ONU. Se o meu "eu" do passado olhasse para tudo o que ocorreu nestes dois anos, tenho certeza de que ficaria muito aliviado. O Imprensa Jovem abriu portas que eu nunca imaginei serem possíveis para mim, que sou um jovem negro, estudante de escola pública e morador de periferia. Desenvolvi habilidades e superei minhas dificuldades de comunicação. Foram dois anos que mudaram a minha vida e, por isso, digo que todos os jovens deveriam participar desse projeto.

Acredito que a minha história possa parecer loucura; às vezes eu mesmo penso isso. Mas compartilho esse relato para mostrar que essa realidade não está tão distante de você.

Termino dizendo que a educação é, definitivamente, uma desbravadora de mares e de futuros. O projeto Imprensa Jovem foi revolucionário em minha vida e me levou a caminhos que eu sequer conseguia imaginar antes de percorrê-los. Hoje, estudo no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), cursando o Ensino Médio Técnico, e acredito que o projeto me ajudou a chegar onde estou hoje, aos meus 16 anos. Meu nome é Pedro Murilo e espero que, assim como a minha, a vida de muitos outros jovens passe por essa transformação.

Por Pedro Murilo  - Estudante do Instituto Federal de São Paulo 

sábado, 20 de dezembro de 2025

O estudante fez a cobertura, mas a matéria não foi publicada. E agora?


Isso é mais comum do que parece — mais comum do que gostaríamos de admitir.

O entusiasmo da turma ao participar de um evento para viver a experiência da cobertura costuma ser grande: gravar vídeos, tirar fotos, conversar com pessoas interessantes, registrar falas, circular pelo espaço, descobrir coisas novas. Tudo isso desperta nos estudantes sensações de revelação, curiosidade, pertencimento e exploração.

Muitas vezes, o processo de planejamento e preparação é executado com bastante interesse — em parte porque os estudantes estão motivados para “curtir” o evento. O desafio aparece na etapa final da experiência: finalizar a produção do conteúdo e publicá-lo no canal do projeto ou da escola.

Da captação à publicação: um desafio antigo, ainda atual

Há alguns anos, o processo de captação audiovisual dependia de equipamentos analógicos, o que dificultava descarregar os registros, selecionar materiais, editar e finalizar as produções. Hoje, com celulares e recursos digitais, tudo isso ficou mais acessível. Além disso, a colaboração entre os integrantes da equipe — troca de arquivos, pastas compartilhadas, edição coletiva — tornou-se muito mais simples.

Mesmo assim, os mesmos problemas do passado ainda acontecem.

Essa constatação levou à construção de uma orientação fundamental para as equipes de Educomunicação:

Se você entrevistou alguém para sua reportagem, precisa publicar essa entrevista.

Publicar é uma questão de respeito ao entrevistado, que dedicou tempo, compartilhou informações, ideias, opiniões e reflexões de forma voluntária. Não colocar no ar esse conteúdo fragiliza o direito à comunicação de quem colaborou com a produção.

Imagine a expectativa do entrevistado ao aguardar para assistir ou ler uma reportagem da qual participou.


Mas por que o estudante não finaliza a matéria?

Quando o estudante não se dedica à finalização do conteúdo, precisamos perguntar: o que está acontecendo no processo?

Uma das possibilidades é que o encantamento vivido durante o evento não se sustente no momento em que o estudante precisa aparecer para sua comunidade, assumir autoria, editar, publicar e se responsabilizar pelo produto final.

Outro ponto recorrente é a ausência de uma organização clara de papéis dentro da equipe de reportagem, especialmente da função de produtor.


A importância do estudante produtor na equipe de reportagem

Cada equipe de reportagem precisa contar com um estudante produtor. Esse papel é estratégico para garantir organização, foco e celeridade na publicação do conteúdo.

O produtor não é “chefe” da equipe, mas o estudante que:

  • Ajuda a organizar a pauta e o plano de reportagem;

  • Acompanha se as entrevistas e registros previstos estão sendo realizados;

  • Cuida da organização dos arquivos (fotos, vídeos, áudios);

  • Articula a comunicação entre repórter, fotógrafo e editor;

  • Apoia a finalização da produção para que ela seja publicada com rapidez no canal do projeto.

A presença do produtor fortalece o trabalho coletivo e evita que a reportagem se perca entre a captação e a publicação. É ele quem ajuda a transformar a experiência vivida no evento em conteúdo efetivamente divulgado.


Equipe básica de reportagem: quem faz o quê?

Para que a produção flua e seja concluída, é importante que os estudantes compreendam e experimentem diferentes funções. Uma equipe básica de reportagem pode ser organizada da seguinte forma:

🧩 Produtor

  • Organiza a pauta e o plano de reportagem;

  • Garante que a proposta da matéria seja seguida;

  • Cuida do fluxo de produção e da organização dos arquivos;

  • Apoia a finalização e a publicação do conteúdo.

🎤 Repórter

  • Conduz as entrevistas;

  • Apresenta o evento e os entrevistados;

  • Realiza passagens, aberturas e encerramentos;

  • Dá voz aos diferentes participantes, garantindo pluralidade.

📸 Fotógrafo

  • Registra imagens que contextualizam o evento;

  • Produz fotos pensadas para a reportagem e para redes sociais;

  • Evita registros aleatórios, focando no que será utilizado.

🎬 Editor de imagem e vídeo

  • Seleciona os melhores registros;

  • Realiza cortes, ajustes simples e montagem do material;

  • Prepara o conteúdo para publicação no canal do projeto.

Essas funções podem ser rotativas, permitindo que todos os estudantes experimentem diferentes linguagens e responsabilidades ao longo do projeto.


Planejamento com foco evita produção sem conclusão

É muito comum as equipes irem aos eventos apenas com um “kit de perguntas”. Não há problema algum nisso. O problema é sair sem uma proposta clara de reportagem.

Quando existe uma proposta definida, os registros produzidos pelos estudantes se complementam: podem virar uma série de entrevistas, uma reportagem audiovisual, um conjunto de depoimentos ou conteúdos pensados para diferentes plataformas.

Série de entrevistas

  • Depoimentos curtos, com no máximo duas perguntas;

  • Ideais para redes sociais;

  • O repórter apresenta o evento e o entrevistado logo no início.

Reportagem

  • Parte de um roteiro ou plano de reportagem;

  • Define previamente:

    • O que precisa ser captado;

    • Quem será entrevistado;

    • Quais imagens de apoio são necessárias;

  • Inclui abertura, passagens, entrevistas e encerramento.


Orientações práticas para garantir eficiência na captação

  • Não registre sem propósito.
    Excesso de registros dificulta a edição e atrasa a publicação.

  • Cuide da entrevista desde o início.
    Enquadramento, som e organização prévia economizam tempo depois.

  • Divida entrevistas longas.
    Gravar em blocos torna o material mais leve e ágil para editar.

  • Seleção ainda no evento.
    Elimine conteúdos que não ficaram bons antes de voltar para a escola.

  • Aproveite o clima do evento.
    Se possível, avance na pré-produção ainda no local.


O canal de comunicação como motivador

O canal de comunicação da escola ou do projeto precisa estar sempre ativo. Quando o canal é conhecido, os estudantes também passam a ser reconhecidos.

Eles se veem, são vistos, comentados e valorizados. Isso fortalece a autoestima, o senso de autoria e o desejo de finalizar e divulgar rapidamente suas produções.


O professor como mediador, não como editor

O professor não deve assumir sozinho a edição das reportagens. Isso gera sobrecarga e impede sua atuação pedagógica.

  • Forme estudantes para editar;

  • Distribua responsabilidades;

  • Organize o material em pastas digitais compartilhadas.


Tempo, atualidade e estratégia de pauta

Quando a produção demora, perde-se o timing. Uma alternativa é trabalhar com matérias frias, que podem ser publicadas mesmo após o evento.

Exemplo – FLISAMPA

Pergunta quente:

O que teremos na FLISAMPA nesta edição?

Pergunta fria:

O que é a FLISAMPA e qual sua importância?

A escolha das perguntas define o tempo de publicação. Por isso, planejar a pauta é essencial.


Avaliar o processo também é aprender

Toda experiência de reportagem promove aprendizagem. Mas avançar na qualidade do produto final exige refletir sobre como organizamos a gestão da produção.

Quando a equipe se organiza, assume papéis claros e valoriza o estudante produtor, o entusiasmo do evento se transforma em conteúdo publicado, aprendizagem significativa e direito à comunicação garantido.

Se quiser, posso adaptar este texto para:

  • Capítulo de manual do Imprensa Jovem/Mirim

  • Material de formação para professores

  • Versão resumida para newsletter ou redes sociais

Por Carlos Lima - Professor Educomunicador

Isnpiração do tema : Professora Andréia Pinheiro

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Aspirante a jornalista esportiva: a coragem de perguntar e os caminhos que a comunicação abriu na minha vida


Eu sempre gostei de falar. Falar bastante. Falar com o mundo. Desde criança, a comunicação já me habitava. Eu era curiosa, expansiva, dessas que observam demais. Cresci apaixonada pelos universos do futebol, do automobilismo e da cultura nerd. Cada um deles me ensinou a prestar atenção, a interpretar gestos, silêncios, histórias. Eu aprendia sem perceber.

Com o crescimento, inevitável para todos nós, veio a pergunta que muda tudo: o que eu quero ser no futuro? A resposta surgiu de forma simples, sentada diante da televisão. Eu adorava assistir a entrevistas. Me encantava com perguntas bem construídas, inteligentes, daquelas que abrem caminhos em vez de fechá-los. Eu pensava: que pergunta genial. Foi ali que compreendi: eu queria estar do outro lado da câmera. Queria comunicar. Queria ouvir, perguntar, traduzir. Queria ser jornalista, especialmente jornalista esportiva.

Em 2022, eu ainda caminhava meio sozinha. Poucos amigos, muitos sonhos guardados. Foi quando, por meio de um amigo que já participava do Imprensa Jovem, recebi um convite para acompanhar um evento. Eu fui. E, sem saber, atravessei um limite invisível. Algo se acendeu ali. Eu me apaixonei pelo projeto, pela potência que ele carregava, pela forma como ele nos dizia, sem palavras, que aquele espaço também era nosso. Decidi que, em 2023, entraria oficialmente. E entrei. Foi o ano em que tudo mudou.

No Imprensa Jovem, eu encontrei pessoas, vozes, caminhos. Fiz amigos. Circulei por lugares que antes pareciam distantes demais da minha realidade. Fui a eventos, participei de coberturas, vivi experiências que ampliaram meu mundo. Minha fala ganhou corpo, meu vocabulário ganhou precisão, minha comunicação ganhou coragem. Ali, eu não me formei apenas como comunicadora, eu me formei como pessoa.

Existem momentos que parecem reorganizar a gente por dentro. Dois deles ficaram marcados em mim. A Fórmula E, com seus carros elétricos cortando o espaço e o futuro passando diante dos meus olhos. E a Comic Con Experience, onde universos inteiros cabiam dentro de um pavilhão. Em ambos, eu parei, respirei e pensei: que oportunidade maravilhosa. Pensei também no quanto eu era feliz por estudar na EMEF Paulo Duarte. Aquele lugar me acolheu, me impulsionou, me abriu portas que eu nem sabia que existiam.

Por causa do Imprensa Jovem, conheci a TV Cultura, encontrei Mauricio de Sousa, entrevistei um ministro de Portugal no G20 (fórum de economia). Experiências que ainda hoje parecem improváveis. E talvez sejam mesmo. Principalmente quando lembramos que eu era, e sou, uma estudante de escola pública, da periferia. Mas foi justamente isso que deu sentido a tudo. Cada vivência carregava a prova de que o mundo pode, sim, alcançar quem ousa sonhar.

Sou profundamente grata por tudo o que vivi e aprendi. Esse projeto me ensinou técnica, responsabilidade e escuta. Mas, acima de tudo, me ensinou pertencimento. Hoje, sigo meu caminho na Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas, cursando Marketing, com o mesmo propósito vivo: continuar na comunicação, estudar, insistir, tentar jornalismo na Fundação Cásper Líbero e trabalhar com aquilo que amo. Sempre com a memória atenta, sem apagar minhas origens, sem esquecer quem eu sou. Eu sou Luísa Bava. A menina da Imprensa Jovem da EMEF Paulo Duarte. E alguém que aprendeu cedo que perguntar pode abrir mundos inteiros.

Por Luisa Bava - Estudante e aspirante a jornalista esportiva  

Portfólio de Educomunicação

 


Há ideias que nascem potentes dentro da escola, mas só ganham o mundo quando encontram uma boa forma de serem contadas. O portfólio cumpre exatamente esse papel: traduzir processos, revelar sentidos e tornar visível aquilo que foi construído coletivamente. Não é apenas um arquivo de resultados, mas uma narrativa organizada sobre o que é, como funciona e por que importa uma iniciativa educomunicativa.

Quando queremos apresentar um projeto, um produto ou o trabalho de uma equipe, o portfólio se torna um aliado estratégico. Ele pode existir no papel, em formato gráfico, ou em ambiente digital. O que não muda é a intenção: comunicar de forma clara e objetiva para alguém específico — quem vai avaliar, apoiar, replicar ou investir na ideia. Saber para quem se fala é o primeiro passo para desenvolver um bom portfólio.

Portfólio não é relatório

Embora ambos sejam documentos técnicos, relatório e portfólio têm naturezas distintas. O relatório descreve, comprova e analisa. Apoia-se em dados, fundamentos teóricos, números e indicadores. Já o portfólio comunica percursos. Ele destaca pontos fortes, evidencia escolhas metodológicas e valoriza a dimensão visual e narrativa da experiência. Enquanto o relatório responde o que foi feito, o portfólio mostra como aconteceu.

Portfólio não é canal de comunicação

Sites, blogs e redes sociais informam fatos, divulgam ações e atualizam produtos de comunicação. O portfólio, por sua vez, organiza o essencial. Ele não acompanha o fluxo cotidiano das notícias; apresenta os processos estruturantes de uma iniciativa. Sua navegação é pensada para permitir uma leitura rápida, compreensível e inspiradora, capaz de revelar a lógica do projeto e sua potência educativa.

O que quem lê quer encontrar?

Um bom portfólio antecipa a curiosidade de quem acessa. Que tipo de projeto é esse? Quem participou? Por que foi realizado? Que produtos foram criados? Que impactos gerou? Essas respostas ganham forma quando organizadas a partir de experiências concretas.

Exemplo de projeto educomunicativo

Tipo de projeto: Cineclube escolar
Público-alvo: Estudantes do 7º ao 9º ano
Motivação: Discutir as mudanças climáticas a partir do olhar da comunidade escolar
Produtos: Vídeos de até 2 minutos produzidos pelos estudantes; canal no YouTube; sessões de cineclube com debates entre estudantes, professores e comunidade
Duração: 8 meses
Fonte inspiradora: ODS 13 – Ação contra a Mudança Global do Clima

Fases do projeto:
– Apresentação do tema mobilizador
– Oficinas de linguagem audiovisual
– Produção e publicação dos vídeos
– Organização, divulgação e realização do cineclube

Envolvimento: Estudantes e professores de Ciências

Resultados: A iniciativa ampliou a circulação das preocupações dos estudantes sobre as mudanças climáticas, alcançando a comunidade escolar por diferentes estratégias de comunicação. Ao todo, 250 estudantes participaram da produção dos curtas e da organização do cineclube. O projeto fortaleceu o protagonismo juvenil, a expressão criativa, a leitura crítica da realidade e a preparação para ações de intervenção social relacionadas ao Trabalho Colaborativo Autoral (TCA).

Estrutura essencial de um portfólio

A partir desse levantamento, o portfólio pode ser organizado de forma simples e funcional:

  1. Apresentação

  2. Finalidade

  3. Realizações

  4. Participações

  5. Etapas

  6. Resultados

  7. Saiba mais

  8. Contato

Cada item deve oferecer informação suficiente para compreender o projeto sem excesso de texto, priorizando clareza e objetividade.

Dicas para tornar o portfólio mais eficiente

– Utilize títulos curtos, com uma ou duas palavras, facilitando a navegação.
– Prefira texto em fonte Arial, tamanho entre 12 e 14, cor preta, alinhado à esquerda.
– Escreva em voz direta, com frases curtas e parágrafos objetivos, de até 700 caracteres.
– Inclua imagens horizontais, em planos médios ou de detalhe, que descrevam o projeto e suas fases.
– Apresente números de forma clara, evidenciando os impactos gerados.
– Use QR Codes com links curtos para acesso a vídeos, canais e materiais complementares.
– Difunda o documento em formato PDF, facilitando o compartilhamento.

Atenção: não inclua nome completo ou imagens em primeiro plano de estudantes sem autorização de uso de imagem dos responsáveis.

Para conhecer mais

Disponibilize links ou QR Codes para os canais de comunicação do projeto, ampliando a experiência de quem acessa o portfólio.

Localização e contato

Informe endereço institucional, telefone e e-mail de contato. Esses dados reforçam a credibilidade da iniciativa e facilitam o diálogo com quem deseja conhecer, apoiar ou replicar a experiência.

No campo da Educomunicação, o portfólio é mais do que um documento: é um gesto político-pedagógico de dar visibilidade às vozes, aos processos e às aprendizagens que nascem no chão da escola.

Por Carlos Lima - Professor Educomunicador 

Foto : Acervo pessoal - Imprensa Jovem produzindo podcast na FliSampa2025 - CCSP

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Quando a câmera ligou, minha vida mudou: a jornada de Isa no Imprensa Jovem


Em 2022 eu participava de um projeto da escola chamado "mídias sociais", foi dali que eu descobri a minha paixão por filmagens, entrevistas, edições de vídeos, tudo da área do jornalismo. Foi tão marcante que na época eu criei um canal do YouTube para que eu  pudesse me aprofundar mais nessa área. 


Isa e suas colegas do Imprensa Jovem junto com Carlos Lima - Coordenador do Núcleo de Educomunicação

Depois de um tempo, eu fiquei só no projeto AEL (Academia Estudantil de Letras), mas eu ainda via de longe alguns amigos meus que faziam o projeto e ficavam fazendo entrevistas, gravando e editando. Então nesse ano de 2025 eu decidi entrar no projeto "Imprensa Jovem", pois estava com saudades de gravar e editar. Se  eu pudesse falar com a Isa do passado, eu iria falar que era para ela ter entrado antes, porque eu não sabia o quanto esse projeto ia mudar minha vida, tanto pessoal quanto profissional. 

Lisa entrevista o escrito Pedro Bandeira na FliSampa em 2025 (assista)

Quando foi o meu primeiro dia do projeto eu não conhecia ninguém, só a professora mesmo, eu não sabia que aquele pessoal ia se tornar as pessoas mais importantes para mim e que o imprensa iria me ajudar mais na minha futura carreira profissional, que é  de jornalismo. Confesso que eu aguardava ansiosamente o projeto, pois era lá que eu tirava umas boas risadas e aprendia mais coisas sobre filmagem e entrevistas, teve até momentos difíceis que eu passei que foi graças a esse projeto incrível que eu consegui sorrir, mesmo eu tendo os meus problemas pessoais. 

O Imprensa Jovem me mostrou que todos nós precisamos de ajuda até nos mínimos detalhes, precisamos de ajuda para gravar, para tirar fotos, entrevistar as pessoas, editar o material, também aprendi que sim, você pode fazer amizades no projeto, eu mesma ganhei amigas e amigos incríveis que sempre me tiraram uma boa risada e que sempre vão estar em meu coração. Fazer parte do Imprensa Jovem foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, eu consegui entender mais como é feito um trabalho de um jornalista quando está se preparando para entrevistar ou noticiar algo, aprendi e consegui fazer coisas que eu achei que nunca ia conseguir fazer. Eu me lembro de cada entrevista que fizemos, cada filmagem, cada edição, cada foto, roteiro...era mágico aquilo!!

Depoimento de Isa

Então eu espero do fundo do meu coração que você que está lendo esse texto, possa participar do imprensa jovem e possa aprender, se divertir, gravar, editar e rir com os seus amigos, como eu fiz, e eu queria muito poder fazer parte do Imprensa Jovem só mais uma vez, só que o meu ciclo na minha escola acabou. Mas sabe oque eu vou levar comigo durante esse tempo que eu fiquei lá? As amizades que me fizeram rir até o último segundo, os professores que sempre me apoiaram a fazer esses projetos e ao imprensa, que marcou e marcará a minha vida para sempre. 

Por:  Isabela Santos Oliveira - Estudante  e influenciadora - EMEF Guilherme de Almeida




Formação educomunicativa para a Rede de Ensino exige formadores especialistas


A legislação educacional vigente prevê a formação continuada dos profissionais da educação como um direito e uma necessidade estruturante para a qualidade do ensino. Essa formação constitui um instrumento fundamental para a atualização de conhecimentos, técnicas e tecnologias, bem como para o aprimoramento das metodologias de ensino capazes de responder aos desafios contemporâneos da educação pública.

A formação continuada pode se materializar por meio de cursos, oficinas, palestras, aulões, além de suportes formativos como videoaulas, documentos orientadores, manuais, podcasts e planos de aula. Soma-se a isso a realização de seminários, congressos, festivais e mostras de projetos, estratégias essenciais para a difusão de práticas no território e no âmbito das redes de ensino. Todo esse aparato contribui para a construção de uma cultura formativa nas escolas, oferecendo sustentação às políticas públicas que promovem projetos pedagógicos e iniciativas protagonizadas por estudantes.

A Educomunicação é um campo que potencializa os processos educativos ao integrar, de forma crítica e criativa, a educação e a alfabetização para os meios de comunicação. Trata-se de um território interdisciplinar que dialoga com saberes e práticas da comunicação, como jornalismo, rádio, cinema, audiovisual, fotografia, histórias em quadrinhos e mídias digitais, além de áreas como publicidade, comunicação não violenta, design gráfico, direitos autorais, recursos educacionais abertos (REA) e tecnologias da informação e comunicação (TIC).

Quando a formação educomunicativa se articula a temas estruturantes — como relações étnico-raciais, educação socioambiental, saúde, tecnologias e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — impõe-se um desafio ainda maior: o formador precisa ter repertório, intencionalidade pedagógica e capacidade de conexão entre diferentes linguagens midiáticas e processos educativos, com coerência e eficiência.

É fundamental afirmar: formação educomunicativa não é capacitação técnica em mídia. Trata-se de integrar conhecimentos comunicacionais aos processos educacionais para potencializar a expressão criativa e comunicativa, a leitura crítica da realidade e o desenvolvimento de projetos de intervenção social, promovendo ambiências de protagonismo e participação efetiva dos estudantes nos processos de criação.

Mas, afinal, quem é o formador em Educomunicação?
É um profissional especializado no desenvolvimento da Educomunicação na educação básica. Mais do que domínio técnico, trata-se de alguém que compreende e valoriza a educação pública, conhece os processos de comunicação e possui experiência concreta na formação de professores. Profissionais que detêm apenas conhecimentos acadêmicos ou técnicos, sem vivência formativa e sem compreensão do chão da escola, dificilmente conseguem dinamizar processos formativos com propósito pedagógico claro e impacto real nas aulas e nos projetos escolares.

Toda formação educomunicativa precisa ser atravessada pela empatia. O público formativo é diverso, composto por educadores de diferentes áreas do conhecimento, que atuam com distintas faixas etárias — da Educação Infantil ao Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Reconhecer essa diversidade é condição básica para uma formação significativa.

A atuação do formador em Educomunicação exige, ainda, processos formativos preparatórios que o ambientem ao contexto institucional. Propostas curriculares, orientações pedagógicas, diretrizes institucionais, articulações com as necessidades da rede, ampliação do repertório de aprendizagem dos estudantes, além de informações sobre processos administrativos, uso de tecnologias e plataformas educacionais, são essenciais para criar uma atmosfera de apoio e garantir autonomia pedagógica aos formadores.

A experiência da cidade de São Paulo desenvolvida pelo Núcleo de Educomunicação demonstra um caminho consistente: a contratação de especialistas por meio de edital público de credenciamento, com duração de um ano, carga horária entre 20 e 40 horas mensais, e atuação em até 22 cursos alinhados às Orientações Pedagógicas de Educomunicação. Nesse modelo, os formadores assumem responsabilidades que vão além da docência, incluindo a elaboração de materiais didáticos, a oferta de diferentes modalidades formativas e a atuação em sistemas de assistência pedagógica. Para conhecer mais acesse

Investir em formação educomunicativa com formadores especialistas não é um detalhe operacional: é uma escolha política e pedagógica que fortalece a escola pública, valoriza os educadores e amplia as possibilidades de uma educação crítica, democrática e conectada com o mundo contemporâneo.

Por Carlos Lima
Professor e Educomunicador

Foto: Projeto Rádio Escola 2005 - Rádio Carlos Pasquale





sábado, 13 de dezembro de 2025

Lideranças humanitárias e educação emancipadora: o que ensinam


 

O que há de mais fantástico, do ponto de vista humanitário, em lideranças como Barack Obama, Lula, Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Papa Francisco e José “Pepe” Mujica não está apenas em suas conquistas políticas ou institucionais, mas na capacidade de transformar experiências de dor, exclusão, conflito e desigualdade em projetos coletivos de emancipação humana.

São lideranças que não governaram apenas para administrar sistemas, mas para educar consciências, reconstruir vínculos sociais e ampliar horizontes de dignidade. Em diferentes tempos e territórios, todos assumiram a política como um ato profundamente pedagógico.

O fio humanitário que os conecta

Apesar das diferenças históricas, culturais e ideológicas, esses líderes compartilham princípios que os aproximam e os tornam referências éticas para o nosso tempo.

A dignidade humana como ponto de partida
Em todos eles, a vida — especialmente a vida dos mais vulneráveis — é o centro das decisões. Não se trata de um discurso abstrato, mas de uma prática concreta: governar com as pessoas, reconhecendo suas histórias, saberes e potências.

A escuta como método de liderança
São líderes que aprenderam a ouvir. A escuta dos pobres, das minorias, dos jovens e dos sujeitos historicamente silenciados não é apenas sensibilidade social, mas uma estratégia de transformação. Escutar é educar-se com o outro.

A ética do cuidado e do bem comum
Essas lideranças recusam o individualismo extremo e reafirmam a responsabilidade coletiva. Defendem políticas e práticas orientadas pela solidariedade, pela justiça social e pelo cuidado com as próximas gerações.

A não violência como força política
Gandhi e Mandela simbolizam essa escolha de forma emblemática, mas ela também se manifesta no diálogo promovido por Lula, na defesa da esperança ativa de Obama, na cultura do encontro proposta pelo Papa Francisco e na sobriedade ética de Mujica. A paz, aqui, não é passividade, mas ação consciente.

Coerência entre discurso e vida
Talvez um dos aspectos mais educativos dessas lideranças seja a coerência entre o que dizem e como vivem. A simplicidade de Mujica, a opção preferencial pelos pobres do Papa Francisco, a resistência ética de Mandela, a origem popular de Lula, a trajetória comunitária de Obama e a radicalidade moral de Gandhi ensinam mais pelo exemplo do que por qualquer discurso.

A ponte com a educação emancipadora

É nesse ponto que a relação com a educação emancipadora se torna evidente. Todos compartilham a convicção de que não há transformação social sem formação crítica das pessoas.

A educação, nessa perspectiva, não se limita à transmissão de conteúdos ou ao treinamento técnico. Ela é formação ética, política e cidadã, como propõe Paulo Freire. Educar é criar condições para que cada sujeito compreenda o mundo, questione injustiças e atue para transformá-lo.

Essas lideranças acreditam na educação como prática de liberdade, como caminho para a autonomia e para a participação democrática. Formar cidadãos críticos é mais importante do que formar apenas consumidores ou eleitores passivos.

Além disso, defendem uma educação que valoriza a convivência, o diálogo, a diversidade e a cooperação. Em um mundo marcado por disputas, discursos de ódio e exclusões, educar para o encontro torna-se um ato revolucionário.

Liderar é educar

O que torna essas lideranças humanitariamente inspiradoras é o fato de que todas educam enquanto lideram. Elas mostram que a verdadeira liderança não é a que domina, mas a que liberta; não a que impõe, mas a que forma consciência; não a que centraliza poder, mas a que o compartilha.

A educação emancipadora é o terreno onde esse humanismo ganha sentido e se materializa. É nela que aprendemos que transformar o mundo passa, antes de tudo, por formar pessoas capazes de cuidar de si, do outro e do mundo comum.


Por Carlos Lima - Professor Educomunicador 

Foto : Gerado por IA 


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Juventudes e os novos cenários da vida cotidiana


As juventudes estão transformadas — e isso não é novidade. O que muda, o que nos inquieta e o que nos desafia é a maneira como essas transformações acontecem, cada vez mais atravessadas pelas tecnologias midiáticas. Para eles, celulares, redes sociais, vídeos curtos e plataformas interativas não são apenas ferramentas: são espaços de convivência, identidades e descobertas.

Proibir? Não resolve. Criar regras rígidas e verticalizadas? No máximo, produz um efeito paliativo. A grande questão não é afastar os jovens das telas, mas encontrar caminhos para sentar com eles, lado a lado, para construir uma apropriação criativa, crítica e benéfica dessas tecnologias. Talvez não seja o caminho perfeito — mas é um caminho possível, honesto e necessário.

Recentemente, vivi uma cena que sintetiza muito desse tempo. Perto de casa, uma multidão de adolescentes saía de um show de trap que misturou música, performance e até batalha de slam com teor político. A estética? Parecia uma viagem pelos anos 70, com uma pegada contemporânea. Meninos de saia-calça, meninas de coturnos policiais, cabelos black, coloridos, raspados. Ali estavam todas as cores, corpos, estilos e identidades: negros, brancos, morenos, nerds, rappers, “gordinhos”, “bonitos”, “nem tão bonitos assim”, meninas, meninos, menines. Uma diversidade pulsante.

Enquanto observava o grupo passar, uma senhora ao meu lado comentou:
“Este mundo está perdido. Olha ali: um menino de saia beijando uma menina de bota de policial.”

E ali eu viajei. A cena dizia muito sobre eles. A juventude tem camadas múltiplas — estética, comportamento, identidade, afetos, visão política, cultura — e a tecnologia é apenas uma delas. É através dela que encontram seus “points”, combinam encontros, fortalecem suas tribos e constroem pertencimento.

E, como tudo em juventude, isso também vai mudar. Sempre muda.

Talvez o nosso maior desafio seja reconhecer que não estamos diante de um “mundo perdido”, mas de um mundo em movimento. E, se quisermos caminhar com esses jovens — não atrás, nem à frente —, precisamos aprender a escutá-los, dialogar e construir junto. Afinal, educar nesta era não é controlar: é compreender, acompanhar e criar novas formas de convivência.


Por Carlos Lima : Educomunicador e professor

Imagem: Pixabay


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

O que é essencial para um gestor em Educomunicação



Quando falamos em Educomunicação, falamos de pessoas, processos e, principalmente, de olhares. Ismar de Oliveira Soares define o educomunicador como um profissional híbrido, um gestor de processos. E, ao longo da minha caminhada, percebi que gerir processos educomunicativos — especialmente na educação básica — exige muito mais do que técnica: exige sensibilidade, política e visão ampla.

Guardo comigo uma lembrança marcante. Em 2003, numa palestra do curso Educom.Radio, Serjão, da Oboré, nos trouxe uma metáfora tão simples quanto poderosa. Ele disse que o gestor pode olhar o mundo de duas formas: da rua ou do alto de um prédio.

O olhar da rua

Quando estamos na rua, enxergamos apenas o imediato. O próximo passo. O que está diante dos nossos olhos. É o famoso “só acredito no que vejo”. Esse olhar é importante, mas limitado. Ele nos prende ao agora.

O olhar do alto

Já do alto de um prédio, tudo muda. O horizonte se abre. Vemos a própria rua e todas as outras ao redor — as mais movimentadas, as vazias, as iluminadas, as confusas, as de mão dupla. Entendemos fluxos, tempos e possibilidades.

Para quem trabalha com política pública, essa visão 360 graus é mais valiosa do que qualquer relatório. É ela que permite avaliar caminhos, prever dificuldades, decidir rotas e compreender que nem todo caminho bom é o caminho certo naquele momento.

A caminhada do gestor educomunicativo

Gerir Educomunicação é caminhar entre diferentes itinerários com cuidado. No começo, a vontade de avançar rápido pode nos fazer tropeçar nas próprias pernas. Com o tempo, aprendemos que às vezes é preciso recuar dois passos para avançar um — e tudo bem. É estratégia, não retrocesso.

Ao longo de 20 anos à frente do mesmo projeto, sigo aprendendo que gestão é movimento, escuta e adaptação. E que o gestor precisa saber onde tem autoridade para decidir, mas também precisa estar aberto para enxergar oportunidades que aparecem no caminho.

Competências que fazem a diferença

Depois de tantas experiências, algumas habilidades se mostram indispensáveis:

  • Ser comunicador e ouvinte sensível;

  • Trabalhar de forma colaborativa e fugir da lógica da ilha;

  • Fortalecer o coletivo, diluindo protagonismos quando necessário;

  • Deixar sua marca sem sobrepor ninguém — sendo sal ou açúcar na medida certa;

  • Criar o essencial e reutilizar o que já foi construído;

  • Entender que o tempo político é diferente do tempo das pessoas;

  • Saber priorizar para avançar com consistência.

Olhar ampliado para transformar realidades

Um gestor educomunicador precisa ser ponte entre ideias e pessoas, bússola para orientar caminhos e terreno firme para quem confia no processo. Mas, acima de tudo, precisa manter o olhar lá de cima — amplo, curioso, atento aos movimentos do território.

Porque, no fim, Educomunicação é isso: gestão com humanidade, política com sensibilidade e visão com propósito.

Por Carlos Lima - Educomunicador e professor 

Foto: Acervo pessoal - Recebendo a comitiva da TV Chinesa na aldeia guarani Tenondé 







segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Como trabalhar o combate às fake news na Educação Infantil

 


Experiências reais, ideias práticas e caminhos da Educomunicação para fortalecer o pensamento crítico desde cedo

Em tempos de circulação acelerada de boatos, correntes e desinformação – inclusive nos grupos de família –, as escolas de Educação Infantil têm mostrado que é possível, sim, trabalhar o combate às fake news com crianças pequenas. E não só é possível: é potente, necessário e altamente educativo.

A inspiração deste texto vem do trabalho realizado pela professora da Rede Municipal de São Paulo. Jocely Roque (relato), professora do EMEI Capitão Alberto Mendes de Júnior. Ao perceber que fake news sobre vacinação infantil estavam impactando as famílias, ela decidiu transformar o problema em projeto pedagógico. E o resultado foi extraordinário: mais engajamento, mais diálogo, mais cuidado e, principalmente, crianças mais críticas e confiantes.

A seguir, organizo ideias práticas para professoras que desejam desenvolver projetos semelhantes em suas turmas.

Telejornal Criança - Combate a Fake News


🌱 1. Comece pela escuta das crianças

Antes de falar sobre fake news, ouça o que elas já sabem. Crianças pequenas têm repertório, observam tudo e são excelentes leitoras do mundo ao redor.

Uma boa pergunta inicial:
🗣️ "De onde vêm as informações que vocês ouvem ou veem?"

Essa escuta abre portas para trabalhar conceitos simples como:

  • notícia

  • boato

  • imaginação

  • verdade / mentira

  • história real / história inventada


💉 2. Use temas reais da comunidade (como vacinação)

No projeto da professora, o gatilho foi a circulação de boatos sobre a vacina.

A partir disso, as crianças:

  • analisaram frases como “a vacina não funciona”;

  • conversaram sobre quem sabe responder a essas dúvidas (médicos, enfermeiros, agentes de saúde);

  • brincaram de consultório para compreender o papel dos profissionais.

👉 A ideia aqui é mostrar que informações importantes devem ser confirmadas com quem realmente entende do assunto.


🎭 3. Brincar é metodologia

As crianças aprenderam sobre fontes confiáveis brincando:

  • teatro (fazendo o papel de médicos e repórteres);

  • encenações;

  • montagens de slides (como o famoso “Saci de duas pernas”, usado para trabalhar mentira e exagero nos boatos);

  • releituras de histórias clássicas.

Essa abordagem lúdica torna o conceito de fake news acessível e respeita a infância.


🎙️ 4. Produção de mídia com crianças pequenas? Sim!

Desde 2017, a escola da professora desenvolve projetos midiáticos:

  • reconto digital de histórias;

  • telejornal com crianças de 4 a 6 anos;

  • gravação de áudios e vídeos;

  • pequenas reportagens.

Crianças escolhem papéis: quem grava, quem narra, quem aparece, quem segura a câmera.
Isso gera:

  • protagonismo;

  • linguagem oral forte;

  • autonomia;

  • compreensão de que informação é construída.


👦👧 5. Misture turmas: crianças ensinam crianças

Um aspecto inspirador desse trabalho é o processo interturmas:

  • os maiores ajudam os menores;

  • os pequenos aprendem observando;

  • todo ano, quem aprendeu passa a ensinar.

Essa prática cria continuidade e mantém os projetos vivos, mesmo quando as professoras mudam de turma.


📚 6. Trabalhe gêneros textuais

A professora faz a ponte entre:

  • contos tradicionais

  • histórias recontadas

  • textos informativos

  • telejornais

Isso ajuda as crianças a perceberem que cada tipo de texto tem uma intenção — e que nem tudo que circula é confiável.


🕵️ 7. Desenvolva pequenas estratégias de verificação

Com crianças pequenas, verificação significa algo simples:

  • perguntar para alguém que entende

  • ver se a informação está na caderneta de vacinação

  • perguntar “quem falou?”

  • comparar diferentes fontes

A essência é:
🔎 “Antes de acreditar, vamos descobrir se faz sentido?”


💡 8. Ideias práticas para professoras

Aqui estão atividades que funcionam muito bem na Educação Infantil:

✔️ Atividade 1 – O que é verdade? O que é invenção?

Use figuras, histórias ou objetos e deixe as crianças classificarem.
Inclua intencionalmente brincadeiras absurdas (ex.: “Saci com duas pernas”).

✔️ Atividade 2 – Quem responde?

Crie cartões com perguntas reais das crianças e convide profissionais da saúde, limpeza, segurança ou outros para responderem.

✔️ Atividade 3 – Mini Telejornal da Turma

Com celular ou tablet:

  • uma criança narra

  • outra filma

  • outras mostram desenhos relacionados

O tema pode ser:
🌦️ tempo, 🎒 rotina da escola, 💉 cuidados com a saúde, 🗞️ boatos comuns.

✔️ Atividade 4 – Jogo da Checagem

Monte um painel com duas janelas: “Faz sentido / Não faz sentido”.
As crianças colocam cartões conforme conversam entre si.

✔️ Atividade 5 – Reconto Digital

As crianças recontam histórias gravando suas vozes e criando cenários.
Isso fortalece linguagem e amplia o repertório.


🌟 Por que tudo isso importa?

Porque crianças que aprendem a perguntar “por quê?” e “de onde veio?” se tornam jovens e adultos mais críticos, mais cuidadosos e menos vulneráveis à desinformação.

A Educomunicação mostra:
➡️ produção + reflexão + ludicidade = educação para o século 21

O trabalho da professora demonstra que combater fake news não é só assunto para adolescentes.
É cultura, cidadania e cuidado — e começa na Educação Infantil.


Por Carlos Lima - Educomunicador e professor
Imagem : Onezio Cruz