A Orientação Pedagógica de Educomunicação já está disponível para download. Mais do que um documento curricular, ela representa uma conquista histórica para a Educação Paulistana e o resultado de muita persistência na construção de uma política pública que celebra 25 anos de Educomunicação na Rede Municipal de Ensino.
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Depois da implementação do Currículo da Cidade nas diferentes áreas do conhecimento, há cerca de uma década, que contou com a participação do Imprensa Jovem na escuta dos estudantes, aguardávamos com expectativa a construção de um documento curricular específico para a Educomunicação. Era preciso transformar em orientação pedagógica uma experiência que já acontecia cotidianamente nas escolas.
Para isso, iniciamos um movimento de escuta virtual, buscando reunir contribuições que pudessem dar origem a uma primeira proposta. As temáticas levantadas naquele momento passaram a funcionar como um norte para o trabalho. A consolidação desse primeiro ponto de partida contou também com o apoio da colega Edneia Oliveira, da UNESCO.
Seguimos dialogando com a área de Currículo e, com o apoio fundamental do professor Cido Sutero, conseguimos avançar na construção de uma parceria com a UNESCO, acreditou na proposta e assumiu conosco o desafio de realizar esse projeto. Vale informar que a Unesco tem apoiado nossas as iniciativas educomunicativas da Rede, entre as quais o Imprensa Jovem desde 2008 a partir do projeto Segurança Humana.
A chegada dos consultores e ex-formadores do Núcleo de Educomunicação — Maurício Virgulino, Bruno Ferreira e Paola Prandini — trouxe novos contornos à primeira proposta. A partir daí, ampliamos a escuta envolvendo formadores, professores, técnicos de diferentes áreas e projetos, pesquisadores, especialistas, equipes pedagógicas da SME, entre elas COPED, COCEU e CODAE, além dos estudantes, que foram e continuam sendo nosso ponto forte.
Foi justamente essa escuta diversa que permitiu aproximar teoria e prática. Nosso desejo era que o documento estivesse o mais próximo possível da realidade das escolas, para que pudesse ser apropriado rapidamente por professores e estudantes e se transformasse em referência para as práticas educomunicativas.
Ao mesmo tempo, havia uma preocupação fundamental: respeitar toda a história e todo o caminho percorrido ao longo de mais de duas décadas de Educomunicação na Rede Municipal de Ensino. A Orientação Pedagógica não começa agora. Ela é resultado de uma construção que atravessa diferentes momentos e experiências: o Educom.Rádio, o Nas Ondas do Rádio, a criação e consolidação do Núcleo de Educomunicação e, posteriormente, o Eixo de Educomunicação.
Ao longo dessa trajetória, também ocupamos diferentes espaços institucionais — Currículo, ASCOM, Ensino Fundamental — até chegarmos à atual Divisão de Gestão Democrática e Programas Intersecretariais. Mudaram os lugares, as estruturas e os nomes, mas permaneceu uma convicção: a comunicação é um direito e pode transformar a experiência educativa.
Os pílares deste documento são:
Desenvolvimento de Competências de Comunicação
Comunidades Colaborativas e Participativas
Cultura Digital
Práxis Curricular
Liberdade Responsável de Expressão
O Imprensa Jovem foi fundamental em todo esse processo de mobilização. As escolas, os professores e, especialmente, os estudantes participaram das discussões. Os grupos de WhatsApp trabalharam intensamente, reunindo centenas de pessoas e fazendo circular ideias, experiências, críticas e sugestões. De certa maneira, muitas mãos ajudaram a escrever este documento que agora fica como legado para as gerações de hoje e de amanhã.
Nosso reconhecimento especial ao time de formadores especialistas em Educomunicação, que, ao longo desse percurso, compartilhou experiências, conhecimentos e vivências em diversos momentos de construção coletiva de conteúdos e propostas formativas. Esse processo colaborativo pavimentou caminhos e lançou bases fundamentais para a elaboração deste documento. Também não poderia deixar de reconhecer e agradecer a contribuição do professor Clayton Scarcella, que passou a integrar o Núcleo de Educomunicação e trouxe novas perspectivas, conhecimentos e experiências, ampliando e fortalecendo essa construção coletiva.
E não poderia esquecer as vibrações, a torcida e a parceria da UNESCO Brasil, que sempre sonhou conosco, celebrou nossas conquistas e acreditou que essa construção poderia representar um passo importante não apenas para dar maior visibilidade à Educomunicação nas escolas municipais de São Paulo, mas também para fortalecer essa perspectiva na educação brasileira e internacional. Maria Rehder e Mariana Otero foram essenciais nessa caminhada e na construção dessa obra que agora entregamos à Rede.
Por isso, esta Orientação Pedagógica não pertence a uma pessoa, a um núcleo ou a uma gestão. Ela é uma conquista da Rede. É resultado de uma história construída por muitas pessoas, em diferentes tempos e espaços, e que continua em movimento.
Hoje, com os projetos de Educomunicação consolidados em cerca de 400 unidades educacionais, temos diante de nós um novo desafio: levar essa experiência para as aulas de Educação Integral.
E talvez esse seja um dos trabalhos mais desafiadores que teremos pela frente: transformar aquilo que é tão encantador como projeto — porque nasce da escolha, da criação, da experimentação e do protagonismo — em uma experiência pedagógica sistemática dentro da sala de aula.
Não será simples. Mas temos história, experiência, estudantes, professores, formadores e uma Rede que aprendeu que a comunicação pode ser parte da educação.
As Orientações Pedagógicas chegam justamente para nos ajudar nesse próximo passo.
A história continua. E agora temos mais um capítulo para escrever — juntos, com os estudantes e com a Rede.
Por Carlos Lima - Educomunicador e professor


Parabéns pelo trabalho, que essa publicação contribua para aprimorar a educação, inspirando muitos estudantes e educadores.
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