segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Manual de Boas Maneiras para Podcasts e Lives no StreamYard: Guia Prático para Estudantes


Participar de uma live ou apresentar um podcast vai muito além de aparecer na tela. É uma forma de mostrar responsabilidade, cuidado com a comunicação e respeito ao público. Para ajudar estudantes — especialmente a partir dos 14 anos — a se prepararem melhor para transmissões online, organizei este manual completo com orientações práticas sobre som, imagem, comportamento e apresentação.

1. Como Evitar Problemas de Som

Uma boa transmissão começa pelo áudio. Os erros mais comuns envolvem volume baixo, microfone mal conectado ou ruídos no ambiente.
Confira o passo a passo para garantir um bom som:

  • Conecte o fone corretamente.

  • Abra o Gravador de Voz do computador e teste seu áudio.

  • Ajuste o volume do microfone acessando Configurações de Som > Painel de Controle > Gravação e mantenha até 80 dB.

  • Nos fones de celular, o microfone fica no lado esquerdo do fio.

  • Se usar headset, deixe o microfone a quatro dedos da boca.

  • INFORMAÇÕES COM IMAGEM NO FINAL DO TEXTO


2. Como Fazer um Bom Enquadramento de Imagem

A imagem é parte essencial da transmissão. Uma boa apresentação visual passa seriedade e facilita a atenção do público.

  • Use sempre a câmera na horizontal.

  • Fique no plano médio (do peito à cabeça).

  • Deixe cerca de 4 dedos entre sua cabeça e o topo da tela.

  • Centralize o corpo e mantenha a câmera na altura dos olhos.

  • Luz sempre de frente — nunca atrás.

  • Cuide do ambiente: nada de bagunça, barulho ou objetos desnecessários ao fundo.


3. Comportamento Durante a Live ou Podcast

A transmissão é um espaço coletivo. Mesmo sozinho em seu local, pense que está dividindo a mesma sala virtual com todos.

  • Conheça o roteiro antes do início.

  • Deixe a câmera ligada durante toda sua participação.

  • Mantenha o olhar atento aos convidados ou apresentadores.

  • Evite olhar para os lados.

  • Ao entrar ou sair de cena, espere 3 segundos.

  • Demonstre empatia: ombros levemente à frente e expressão atenta.


4. Como Acessar o StreamYard e Usar Corretamente

O StreamYard é um estúdio de TV virtual com palco (quem está ao vivo) e backstage (quem aguarda para entrar).

Passo a passo para entrar corretamente:

  1. Clique no link enviado pela equipe.

  2. Digite seu Nome e Sobrenome com iniciais maiúsculas.

  3. Teste som e imagem antes de clicar para entrar.

  4. Aguarde a equipe liberar sua entrada.

  5. Acompanhe sempre o chat privado.

  6. Em caso de erro, siga as orientações e retome sua fala desde o início.


5. Boas Maneiras Durante a Transmissão

Para garantir uma experiência positiva para todos:

  • Entre com 10 minutos de antecedência.

  • Não ria sem motivo.

  • Estude o tema da live.

  • Improvisos são bem-vindos — desde que dentro do assunto.

  • Leia perguntas com antecedência; se estiver difícil, reformule para facilitar a leitura.


6. Orientações Básicas para Quem Vai Apresentar

O apresentador é a pessoa que conduz o programa. Sua responsabilidade é grande e faz toda a diferença.

Antes da transmissão

  • Estude o roteiro.

  • Teste som, imagem e iluminação.

  • Combine sinais com a equipe.

  • Prepare uma fala de abertura clara e objetiva.

Durante a apresentação

  • Fale olhando para a câmera.

  • Apresente os convidados com simpatia.

  • Dê ritmo ao programa.

  • Controle o tempo das falas.

  • Use o chat privado para orientações da equipe.

Na interação com o público

  • Leia perguntas com clareza.

  • Reescreva mentalmente perguntas difíceis antes de falar.

  • Agradeça sempre a participação do público.

No encerramento

  • Resuma o tema.

  • Agradeça convidados e público.

  • Mantenha a câmera ligada até o fim da transmissão.


7. Saiba Mais: Como Criar Programas no StreamYard

Se você quer aprender mais sobre o StreamYard e explorar possibilidades para criar programas completos, acesse:

👉 https://bloglerandocarloslima.blogspot.com/2025/03/criar-programa-podconversar.html



Por Carlos Lima - Educomunicador e professor

Orientações: Faça download das imagens para ver melhor as configurações 

Regulagem de som

Configurando entrada e visão geral do Streamyard 



sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Surge a ideia do Educador POPe: Professor Orientador de Projetos de Educomunicação na Escola





A discussão sobre o papel do professor que atua com Educomunicação apresentou uma nova ideia a partir de uma provocação no grupo de Educomunicadores no WhatsApp, houve um consenso sobre a Professor Orientador de Projetos Educomunicativos como denominação mais alinhada às práticas do campo na escola. Foi nesse contexto que o professor Leonardo Cardeal Costa, Orientador de Sala de Leitura (POSL) da EMEF Josué de Castro e Angela Gallep, professora Orientadora de Educação Digital (POED) da EMEF Plinio Ayrosa responsáveis pelo projeto Imprensa Jovem na escola, sugeriu a sigla POPE. A proposta rapidamente ganhou simpatia entre os educadores, não apenas por sintetizar de forma clara o papel desse professor, mas também por remeter de maneira leve e divertida à ideia de “Professor POP”, reforçando uma imagem mais próxima, dinâmica e conectada com os estudantes. 

O processo de escuta e diálogo surgiu a partir de uma enquete  no grupo de WhatsApp composto por docentes que atuam com projetos educomunicativos a pergunta:

Qual termo melhor representa a função desses professores na escola?

  • Orientador de Projetos de Educomunicação

  • Mediador de Projetos de Educomunicação

  • Professor de Projetos de Educomunicação



A maioria optou por Professor Orientador de Projetos de Educomunicação — o POPE. Essa escolha revela o desejo de reconhecimento institucional e a busca por uma identidade pedagógica capaz de dar forma a uma atuação que já acontece diariamente nas escolas.

Orientador, Mediador e Professor: papéis diferentes, práticas complementares

Para compreender o sentido dessa escolha, é essencial distinguir esses três papéis dentro do ecossistema educomunicativo.

Professor de Educomunicação

Responsável por articular linguagem midiática e currículo.

Funções:

  • Planejar atividades com intencionalidade pedagógica.

  • Desenvolver AMI (Alfabetização Midiática e Informacional).

  • Integrar podcast, rádio, vídeo, jornal, redes sociais e fotografia ao processo de aprendizagem.

  • Formar estudantes para uso crítico, ético e criativo das mídias.

Em síntese: é quem ensina e conduz o processo educativo.

Mediador de Educomunicação

Constrói o ambiente participativo e dialógico.

Funções:

  • Facilitar o diálogo e garantir que todos tenham voz.

  • Estimular a autoria e o trabalho colaborativo.

  • Ajudar estudantes na organização de ideias e narrativas.

  • Promover clima de cooperação e escuta ativa.

Em síntese: é quem media as interações, fortalecendo a participação.

Orientador de Projetos de Educomunicação

Traz visão estratégica, acompanha decisões e qualifica processos.

Funções:

  • Aconselhar sobre formatos, roteiros e boas práticas.

  • Definir prioridades e cronogramas com o grupo.

  • Garantir coerência entre objetivos pedagógicos e produtos midiáticos.

  • Apoiar reflexões, registros e documentação das ações.

Em síntese: é quem orienta e qualifica o percurso, sem substituir o professor nem centralizar decisões.

As reflexões do grupo: mediação, orientação e institucionalidade

No debate que se seguiu à enquete, surgiram contribuições fundamentais:

As análises do grupo ressaltaram diferenças e complementaridades entre os papéis: o professor de Educomunicação, que articula mídia e currículo; o mediador, que constrói o ambiente participativo; e o orientador, que traz visão estratégica e qualifica processos.

As contribuições de Maurício Virgulino, Bruno Ferreira e Paola Prandini enfatizaram que o termo “orientador” dialoga tanto com tradições institucionais pedagógicas quanto com práticas mediadoras, e que sua adoção responde à necessidade de fortalecer o reconhecimento do trabalho docente. Assim, o POPE emerge como uma síntese potente: um professor que orienta sem hierarquizar, media sem neutralizar e forma sem centralizar, alinhado aos princípios democráticos da Educomunicação. 

No contexto da Educação Integral, o POPE dinamiza aprendizagens com linguagens midiáticas, fortalece o uso crítico da comunicação, integra temas sociais de forma interdisciplinar, promove participação estudantil e valoriza protagonismo, autoria e colaboração, consolidando-se como ponte entre ensino, cultura e comunidade. Mais do que um nome, o POPE representa uma visão de escola em que a comunicação é espaço de aprendizagem, cidadania, diálogo e protagonismo estudantil.

O POPE no contexto da Educação Integral

A criação da figura do Professor Orientador de Projetos de Educomunicação está diretamente conectada à ampliação da Educação Integral nas escolas.
O POPE assume o papel de:

  • Dinamizar aprendizagens com linguagens midiáticas;

  • Fortalecer o uso crítico e criativo da comunicação;

  • Integrar temas sociais de forma interdisciplinar e transdisciplinar;

  • Promover a participação estudantil por meio de projetos como Agências Notícias, Radioescola, Podcast, Cineclube, Audiovisual, Fotografia, Mídias Sociais, Fanzine, Jornal Impresso e Mural, Revista e TV Educativa;

  • Valorizar protagonismo, autoria e colaboração.

Em essência:

👉 O POPE é um orientador com identidade educomunicativa e prática mediadora.
👉 Ele articula comunicação, currículo e participação.
👉 É ponte entre ensino, cultura e comunidade.

A proposta apresentada evidencia que a Educomunicação, para crescer institucionalmente, precisa não apenas de projetos, mas também de papéis pedagógicos claramente definidos.

O POPE surge como uma forma de:

  • Reconhecer o trabalho docente;

  • Dar identidade ao papel educomunicador;

  • Fortalecer a cultura participativa na escola.


Mais do que um nome, o POPE representa uma visão que a comunicação é espaço de aprendizagem, cidadania, diálogo e protagonismo estudantil.


Por Carlos Lima - Educomunicador e professor

Foto: Registro da EMEF Carlos Pasquale - 2008 



quinta-feira, 20 de novembro de 2025

A linguagem simples no contexto da comunicação institucional



Quem nunca se deparou com uma informação que, em vez de esclarecer, gera ainda mais dúvidas? Isso acontece quando acessamos um site, consultamos um manual, lemos um cartaz, tentamos entender uma lei, deciframos um e-mail institucional ou simplesmente buscamos o significado da sigla de um órgão público. Muitas vezes, a comunicação parece ter sido feita não para o cidadão, mas para quem produz o próprio serviço. Costumo chamar isso de “comunicação para o umbigo”.

No serviço público, a transparência é um valor essencial. Por isso, a linguagem simples deveria ser mais que uma política de gestão — deveria ser uma política pública. Em 2022, o Programa Imprensa Jovem foi sistematizado pela Prefeitura de São Paulo como uma proposta de comunicação descentralizada nos órgãos públicos. Suas características — como a comunicação feita de estudantes para estudantes — trazem empatia e aproximam a informação da comunidade. Isso faz com que os canais das agências de notícias se tornem, em muitas escolas, os canais oficiais de comunicação. Informes, campanhas, ações e notícias ganham uma tradução feita pelos jovens, tornando o conteúdo acessível, seja pela linguagem, pelo design ou pela seleção do que é mais importante comunicar (em texto, imagem ou som).

As agências de notícias estudantis tornaram-se canais oficiais em muitas escolas, traduzindo informes, campanhas, notícias e orientações para uma linguagem mais acessível — seja pelo texto, pelo design ou pelo audiovisual. A escolha do que comunicar passa pelo olhar jovem, que reorganiza a informação para torná-la compreensível e relevante. Clique para acessar o documento

Se imaginarmos o Imprensa Jovem como uma estratégia mais ampla para a comunicação social nos órgãos públicos, veremos que ele antecipa soluções que hoje são diretrizes nacionais. Aliás, o documento produzido pela Prefeitura sobre comunicação descentralizada já apontava caminhos de melhoria para além da Educação, indicando como os órgãos públicos poderiam adotar práticas de Educomunicação para comunicar com mais eficiência e proximidade. Comunicar bem não é apenas estética — é melhorar o atendimento, fortalecer a relação com o munícipe e ampliar a confiança pública.

Entre as formas de aprimorar a comunicação estão princípios básicos do design, como alinhamento, proximidade, repetição e contraste, que ajudam a organizar a informação visual e a guiar o leitor. (saiba mais) Mas uma comunicação eficaz exige também o uso de linguagem simples, fundamentada em frases curtas, vocabulário acessível, organização lógica das ideias e foco direto na ação que o cidadão precisa realizar.

Essas práticas estão alinhadas com a Lei Federal nº 15.263/2025, que cria a Política Nacional de Linguagem Simples e determina que os órgãos públicos adotem padrões de comunicação claros, diretos e inclusivos. A lei reforça que todas as pessoas têm o direito de compreender plenamente as informações do Estado, sem barreiras linguísticas.

No fim das contas, linguagem simples não é simplificação — é democratização. Ela reafirma que o serviço público pertence às pessoas, e não o contrário. Quando comunicamos com clareza, garantimos que as pessoas se reconheçam, se orientem e se sintam parte das políticas que impactam suas vidas. Esse é o caminho para uma comunicação verdadeiramente pública e para um serviço público mais humano, acessível e eficiente.

Por Carlos Lima — Educomunicador e professor


segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Aprender Educomunicação: entre a teoria, a prática e a experiência que transforma


Recentemente, assisti a alguns vídeos para aperfeiçoar meu inglês. Encontrei um canal com um teacher muito dinâmico e didático. Confesso: nunca gostei de estudar gramática, embora saiba que ela é importante. Sempre tive a sensação de que, na prática, ela não me ajudava tanto quanto prometia.

Logo no início do vídeo, o professor fez uma pergunta que me atravessou:

“Você estuda inglês ou aprende inglês?”

Ele explicou: Se você apenas estuda, pode passar a vida inteira acumulando regras sem conseguir se comunicar de verdade. Mas, se você decide aprender, se lança à comunicação, erra, tenta de novo, ajusta — e evolui. Não sei se ele está totalmente certo, mas algo ali acendeu uma reflexão:

Será que devemos estudar Educomunicação ou aprender Educomunicação?

Estudar Educomunicação

Estudar Educomunicação é mergulhar na teoria. É conhecer autores, conceitos e fundamentos.
É entender ecossistema comunicativo, mediação, protagonismo, cultura digital e processos colaborativos. Estudar é importante porque oferece consciência, clareza e direção.

Nos dá a estrutura conceitual para compreender o que vivemos.

Aprender Educomunicação

Mas aprender Educomunicação é fazer, experimentar, criar, comunicar, errar e ajustar.
É quando os estudantes vivenciam processos reais:

  • produzem podcasts, vídeos, fotos e reportagens;

  • participam de coberturas;

  • exercitam a escuta ativa;

  • trabalham em colaboração;

  • descobrem que comunicar é também pensar, sentir e agir.

Aprender é incorporar a Educomunicação como experiência viva, não como conteúdo isolado.

O exemplo da sala de aula

A pergunta que sempre me faço é: Eu trago o rádio para a sala para que os estudantes produzam um podcast sobre alimentação saudável? Ou discuto alimentação saudável e convido os estudantes a usar a experiência de produzir um podcast como forma de investigar, refletir e expressar aquilo que aprenderam?

A segunda opção é Educomunicação: A tecnologia e a mídia não são fim — são linguagens e experiências possíveis que abrem caminhos educativos.

Educomunicação é transdisciplinar

A perspectiva transdisciplinar — e não disciplinar — nos ajuda a responder à provocação inicial.
Quando atravessamos os temas com a Educomunicação, colocamos os estudantes como protagonistas na interação com os conteúdos e com o mundo.

A teoria surge da prática. E a prática ganha profundidade com a teoria.Estudar para entender melhor a experiência imersiva refina o aprendizado. A criticidade passa a nascer da ação, da vivência, do acesso intencional à informação.

Quando há experiência, há o que estudar

Quando existe experiência real, existe algo para ser estudado. Quando não existe, assumem-se modelos ou sugestões que muitas vezes não fazem sentido, porque não foram vividas. Na Educação Integral, ao criar territórios de aprendizagem, estamos oferecendo experiências que ancoram o conhecimento. Mobilizar o estudante a aprender significa oferecer:

  • problemas para resolver,

  • experiências para brincar,

  • liberdade para expressar,

  • processos para criar.

É a prática gerando teoria(s). É aprender Educomunicação — ou como gosto de dizer: educomunicar.

E o papel dos adultos na escola?

  • Instrutores instruem.

  • Pesquisadores pesquisam e estudam.

  • Mediadores ouvem, facilitam e criam ambientes de participação.

Entre os três, quem garante a participação plena dos estudantes? O mediador ou ainda: Professor Mediador

Aprender Educomunicação é finalidade escolar

Aprender Educomunicação exige a presença ativa desse mediador: alguém que não ensina sobre comunicação, mas promove processos de aprendizagem baseados em comunicação.

Porque, no fim das contas:

Estudar dá base.
Aprender dá vida.
Vivenciar dá sentido.

E é isso que transforma a escola num território de participação, expressão e autoria.

Por Carlos Lima  - Educomunicador e professor

Foto: Acervo pessoal 

domingo, 16 de novembro de 2025

A Escola das Ruas

A educação de hoje está profundamente conectada ao mundo além dos muros escolares. Já foi o tempo em que a Enciclopédia Barsa era símbolo de prestígio no acesso à informação. Hoje, basta uma “googada” ou uma consulta a uma IA generativa e Chazan! A informação se revela de forma rápida, fluida e personalizada, guiada pelas perguntas curiosas dos estudantes.
Aliás, as perguntas têm muito mais poder na construção do conhecimento do que as respostas. Elas nascem das escolhas do estudante sobre o que ele quer, de fato, compreender.

Na perspectiva de uma cidade que educa, ou de uma cidade educadora, a conexão do estudante com seu território — e com a própria cidade — cria oportunidades de acesso a saberes que não cabem no currículo tradicional. Cada interação fora da escola traz novas referências para ler o mundo.
O mundo que está a poucos quilômetros de distância, por exemplo em uma Bienal do Livro, em uma Campus Party ou em qualquer outro grande evento, se converte em fonte viva de conhecimento. Nesses espaços há diversidade cultural, novas tecnologias sociais, modelos inovadores de leitura e… pessoas.

Pessoas conversam, explicam, contam histórias, revelam pontos de vista. São pequenas cidades educadoras ambulantes — assim como outros seres que também habitam esses territórios.
Sair para as ruas e voltar carregando experiências é como fazer uma viagem. Sempre trazemos algo que nos transforma e que, inevitavelmente, queremos compartilhar.

Sob uma perspectiva educomunicativa, viajar para além dos muros da escola significa usar o diálogo como ferramenta central, junto com a observação — que compreendo como escuta ativa — e com os registros selecionados daquilo que mais encantou quem viveu a experiência. E o encantamento nasce da linguagem: quanto mais acessível, criativa e expressiva for a narrativa, mais viva será a informação.

As produções criadas por estudantes para estudantes surgem desse encontro: uma ida às ruas guiada por um roteiro que orienta a caminhada em busca de conhecimento.
Explorar o mundo fora da escola é, sim, um projeto, e precisa ser planejado coletivamente, com divisão de missões dentro da equipe.

É aqui que a Agência de Notícias Imprensa Jovem transforma a experiência: ela prepara os estudantes para trilhar caminhos de investigação jornalística que formam, ao mesmo tempo, quem produz e quem consome o conteúdo.
Na preparação para essas incursões às “ruas do conhecimento”, logo ali depois do portão da escola, o roteiro orienta o que se pretende alcançar com a cobertura jornalística.

A entrevista é a engrenagem central da aprendizagem. Cada pergunta abre uma porta para um novo saber.
E o conjunto de registros — audiovisuais, sonoros, textuais, fotográficos — dá alma ao corpo da informação que mais tarde se tornará uma reportagem no canal escolar.

Ouvi a expressão “educação das ruas” de uma das mais renomadas consultoras de educação do Brasil, Cláudia Costin, por quem tenho profundo respeito. Ela apresentou a ideia como estratégia para dinamizar as ações com adolescentes, durante uma formação sobre os documentos de Adolescências, com a presença da secretária, coordenadores, diretores, supervisores e professores.
Nunca havia parado para pensar no termo, mas como o Imprensa Jovem sempre se sofisticou pela colaboração do outro, será mais um conceito que integraremos à nossa política pública.

Ainda cheguei a perguntar à Cláudia sobre como aproximar o tema da intergeracionalidade dos adolescentes — mas isso fica para outra crônica educomunicativa.

Finalizo lembrando do pequeno Andrezinho, de 10 anos. Criar uma Agência de Notícias Imprensa Jovem tem permitido às escolas interagir com sua comunidade, com seus estudantes e com a cidade. Uso a definição do aluno-repórter André, do 4º ano da EMEF Tarsila do Amaral, para compreender esse movimento estudantil de diálogo social pelas mídias dentro do território escolar:

“O Imprensa Jovem é um espaço de expressão. Somos uma rede e estamos em sintonia. Tudo o que acontece vira notícia. Contamos os fatos pelos nossos pontos de vista. Registramos, editamos, publicamos e compartilhamos. Somos alunos e alunas que produzem notícias.”

Por Carlos Lima - Educomunicador e professor

O 3D da Educomunicação: um legado para salvar o planeta

Os 20 anos do Programa Imprensa Jovem representam muito mais do que uma trajetória de projetos e produções midiáticas. Representam a consol...