O Natal estava chegando e minha irmã cismou que queria fazer um vídeo. Nada de outro mundo, sabe? Umas fotos da família, uma musiquinha de fundo, aquele carinho em forma de pixels para mandar no grupo. Mas, para ela, parecia que eu estava pedindo para ela pilotar um foguete da NASA.
Ela tentou, suou, quase desistiu e acabou batendo na minha porta: "Faz para mim? Não dou conta disso não".
Eu olhei para ela e pensei: Se eu fizer, amanhã ela vai precisar de mim de novo. E depois de amanhã também. Falei: "Vem cá, senta aqui. Eu não vou fazer, eu vou te ensinar".
Gente, precisava ver a cena. Quando ela pegou o celular para seguir o passo a passo, a mão chegava a tremer. Ela tocava na tela com uma delicadeza, mas uma delicadeza tão exagerada, que parecia que o celular era feito de um cristal finíssimo que ia estraçalhar no chão ao menor toque. Era o medo de "apagar tudo", de "estragar o aparelho", de "fazer bobagem".
Fomos no ritmo dela. "Clica aqui, agora arrasta essa foto, escolhe a música...". Entre um erro e outro, o vídeo foi saindo. E o mais incrível não foi o vídeo pronto, foi o rosto dela quando terminou.
Ela olhou para mim, deu uma risada meio sem jeito e soltou: "Ué... mas é tão fácil? E eu aqui sofrendo!".
Essa frase dela me deu um estalo. O "sofrer" não era por falta de inteligência, era por falta de ponte. A gente vive num mundo que corre tanto que esquece de dar a mão para quem quer caminhar junto. Educomunicação — esse nome bonito que dão por aí — na verdade é só isso: é o que aconteceu na minha mesa da cozinha. É transformar o medo de quebrar o vidro na alegria de descobrir que ela também pode ser a diretora de cinema da própria vida.
Esse foi o primeiro passo. E se ela aprendeu a fazer o vídeo de Natal, segura essa mulher que agora ninguém mais para!
Por: Rita de Cássia Baccari Pastor Martinez - Professora
Imagem: Pixabay

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