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sábado, 8 de agosto de 2026

Escola com mais de 5 horas precisa de 1 hora de conversação, escuta e interação


Cada vez mais, as escolas estão ampliando o tempo de permanência dos estudantes. Essa pode ser uma importante oportunidade para ampliar experiências, conhecimentos, aprendizagens e formas de participação. Mas uma pergunta precisa acompanhar esse movimento: mais tempo na escola deve significar necessariamente mais conteúdos e mais atividades?

Será que, ao ampliar a jornada, estamos ampliando também a qualidade da experiência escolar?

Talvez seja o momento de pensarmos que, além de mais conhecimentos, os estudantes precisam de mais convivência.

Quando falamos em educação em tempo ampliado, muitas vezes pensamos imediatamente em reforço da aprendizagem, novas aulas, projetos, oficinas e conteúdos. Tudo isso pode ser importante. Porém, é preciso lembrar que a escola não recebe apenas um aluno que precisa aprender conteúdos. Ela recebe um ser humano que precisa conversar, brincar, criar vínculos, ser ouvido, experimentar, fazer escolhas, desenvolver sua autonomia e, em alguns momentos, simplesmente estar com os outros.

Isso não significa defender uma escola sem intencionalidade pedagógica ou transformar o tempo escolar em tempo livre sem propósito. Pelo contrário. A convivência também pode ser uma experiência educativa quando existe espaço para autonomia, diálogo, escuta e mediação.

Uma educação de qualidade não deveria ser medida apenas pela quantidade de conteúdos oferecidos ou pelo número de horas que o estudante permanece na escola. Ela precisa considerar também a qualidade das experiências que acontecem nesse tempo.

Olhar para a nossa realidade

Experiências educacionais de outros países podem nos ensinar muito. Finlândia, Coreia do Sul, Japão, Estados Unidos, Israel e tantos outros sistemas educacionais apresentam experiências que podem inspirar reflexões e políticas públicas.

Mas inspiração não significa cópia.

Cada sociedade possui sua história, sua cultura, suas desigualdades, seus modos de convivência e suas expectativas em relação à educação. O Brasil possui uma formação social e cultural extremamente diversa, marcada por diferentes matrizes culturais e por formas próprias de viver e estabelecer relações.

Por isso, não podemos simplesmente transplantar modelos educacionais de uma realidade para outra. Precisamos conhecer o mundo, aprender com ele e, ao mesmo tempo, construir respostas adequadas à nossa própria realidade.

A educação brasileira precisa dialogar com aquilo que somos e, principalmente, com aquilo que queremos construir.

Mais tempo não pode ser apenas mais do mesmo

Ampliar o tempo de permanência na escola é uma escolha de política educacional. Pode trazer grandes benefícios, especialmente quando oferece novas oportunidades culturais, científicas, artísticas, esportivas, tecnológicas e sociais.

Mas existe um risco: transformar a educação em tempo ampliado em uma escola com mais do mesmo.

Mais uma aula.
Mais uma atividade.
Mais um exercício.
Mais uma tarefa.
Mais uma cobrança.

Se o tempo escolar aumenta, talvez também precisemos ampliar a concepção do que entendemos por aprendizagem.

Aprender também é conviver. Aprender também é ouvir. Aprender também é falar. Aprender também é negociar, discordar, cooperar, criar e reconhecer o outro.

É nesse ponto que surge uma proposta simples, mas que pode ser bastante significativa: uma hora de conversação, escuta e interação.

Uma hora de encontro

Não necessariamente uma aula.

Um encontro.

Um momento em que estudantes possam conversar sobre suas experiências, ouvir os colegas, discutir questões que fazem parte de suas vidas, refletir sobre problemas da escola e da comunidade, brincar, criar, produzir cultura e desenvolver projetos coletivos.

Pode ser uma roda de conversa. Um debate. Uma atividade cultural. Um jogo cooperativo. Uma produção de podcast. Uma experiência de comunicação. Uma discussão sobre acontecimentos da comunidade. Um momento de leitura compartilhada. Uma conversa sobre conflitos e relações.

O formato pode variar.

O princípio é que exista um tempo institucionalizado para estar com o outro.

O melhor dos mundos seria que a escuta, o diálogo e a interação estivessem presentes em todas as experiências pedagógicas. Mas sabemos que a organização cotidiana da escola nem sempre permite isso de maneira sistemática.

Por isso, criar um momento específico pode ser uma possibilidade.

Esse encontro poderia começar uma vez por semana e, conforme a experiência fosse amadurecendo, ampliar sua presença no cotidiano escolar.

O papel da pessoa mediadora

Para que esse momento não se transforme simplesmente em "uma hora sem aula", existe um elemento fundamental: a mediação.

A pessoa responsável por esse espaço não seria apenas alguém que controla o grupo. Seria uma mediadora e facilitadora da convivência, alguém capaz de criar condições para que diferentes vozes sejam ouvidas.

Seu papel seria provocar perguntas, estimular a participação, acolher diferentes opiniões, ajudar na resolução de conflitos e transformar as experiências dos estudantes em oportunidades de reflexão e aprendizagem.

É justamente aí que a proposta pode ganhar uma dimensão educomunicativa.

Quando estudantes têm espaço para falar e também para ouvir, quando produzem conteúdos, compartilham experiências e participam das decisões sobre aquilo que acontece na escola, a comunicação deixa de ser apenas transmissão de informação e passa a ser prática de participação e cidadania.

Educação de qualidade também é convivência

Talvez precisemos superar a ideia de que uma escola de qualidade é aquela que consegue ocupar cada minuto da jornada do estudante com alguma atividade.

Educação de qualidade não é aquela que ocupa todo o tempo do estudante, mas aquela que transforma o tempo escolar em experiências significativas de aprendizagem, convivência, participação e desenvolvimento humano.

Ampliar a jornada pode ser importante.

Mas talvez seja ainda mais importante perguntar:

O que estamos fazendo com esse tempo?

Se já ampliamos o tempo do estudante na escola, talvez seja hora de ampliar também o espaço para que ele seja ouvido.

Porque uma escola não é feita apenas de salas, conteúdos, horários e avaliações.

Ela é feita de pessoas.

E pessoas precisam de tempo para aprender, mas também precisam de tempo para viver, conviver, criar, conversar e se reconhecer no outro.

Talvez uma hora de encontro por semana seja apenas o começo.

Talvez, no futuro, a própria escola descubra que conversar, escutar e interagir não são intervalos da aprendizagem. São parte dela.

Por Carlos Lima – Professor Educomunicador

 

domingo, 5 de julho de 2026

O que experiências com bandas de rock dos anos 90 me ensinou sobre Educação Integral


Na aula do curso de Educação Integral desta semana, compartilhei com os colegas uma experiência que marcou minha juventude: a organização de eventos culturais com bandas de garagem nos anos 1990. Mais do que recordar um período especial da minha vida, a intenção era mostrar como essas vivências continuam inspirando minha prática como educador.

Durante o encontro, assistimos a um trecho do filme Escola de Rock, que serviu como ponto de partida para refletirmos sobre o papel das aulas no São Paulo Integral (SPI) e sobre a potência dos projetos de Educomunicação. Em ambos os casos, o que faz a diferença não é apenas o conteúdo, mas a maneira como criamos oportunidades para que cada estudante descubra seu lugar, expresse seus talentos e participe de forma significativa.

Ao rever um documentário musical sobre bandas independentes, percebi novamente algo que sempre me encantou: cada grupo possuía sua própria identidade, seu estilo e sua forma de interpretar o rock. Não existia uma única maneira "correta" de fazer música. A diversidade de sons, personalidades e performances era justamente o que tornava aquele grande concerto tão rico e envolvente. Todos contribuíam para criar uma atmosfera de pertencimento, criatividade e celebração.

Não é exatamente isso que buscamos promover na Educação Integral?

Uma aula também pode ser um palco onde diferentes talentos encontram espaço para florescer. Há quem se destaque falando, pesquisando, organizando, fotografando, entrevistando, criando trilhas sonoras, produzindo vídeos, escrevendo ou simplesmente acolhendo e incentivando os colegas. Quando planejamos projetos considerando competências, habilidades, interesses e as individualidades dos estudantes, ampliamos as possibilidades de aprendizagem e fortalecemos o protagonismo juvenil.

Os projetos de Educomunicação carregam essa essência. Eles transformam a sala de aula em um ambiente de criação coletiva, colaboração e respeito às diferentes formas de participação. Assim como em uma banda de rock, cada integrante exerce um papel importante para que o resultado final aconteça.

As propostas educomunicativas  disponibilizadas no site do Núcleo de Educomunicação dialogam diretamente com essa perspectiva. São atividades que ampliam as oportunidades de participação, despertam o interesse dos estudantes, criam ambientes de aprendizagem mais significativos e podem ser adaptadas às diferentes realidades das escolas.

No fim das contas, talvez educar seja muito parecido com organizar um festival de bandas: criar as condições para que todos encontrem sua voz, toquem juntos e descubram que a diversidade é o que torna a experiência verdadeiramente inesquecível.

Para quem quiser conhecer o documentário que inspirou essa reflexão, ele está disponível no 

 Show Inverno Rock gravado em 1995 no Parque Chico Mendes na Vila Curuça, organizado por Carlinhos (eu) com bandas de diferentes regiões da cidade


Por Carlos Lima: Professor Educomunicador 

Imagem: Cena do filme Escola de Rock


terça-feira, 9 de setembro de 2025

Educomunicação e SP Integral: Novos Caminhos para a Educação em Tempo Integral


A Instrução Normativa que regulamenta o Programa SP Integral abre espaço para que as escolas da Rede Municipal de São Paulo ampliem o protagonismo dos estudantes e diversifiquem suas práticas pedagógicas. Nesse contexto, os projetos de Educomunicação ganham ainda mais relevância, oferecendo meios criativos e inovadores para integrar currículo, territórios educativos e participação ativa da comunidade escolar.

Ao propor a reorganização da jornada escolar, o SP Integral estimula que cada unidade elabore um Plano de Ação Integrada, no qual os projetos e programas existentes podem dialogar entre si. É justamente aqui que a Educomunicação se insere como campo estratégico: rádio escolar, agências de notícias estudantis, produções audiovisuais, podcasts e jornal mural podem se articular com componentes curriculares e com os Itinerários Formativos, potencializando aprendizagens.

Entre os principais pontos em que a normativa oferece subsídios aos projetos de Educomunicação, destacam-se:

  • Integração Curricular – Os produtos midiáticos desenvolvidos pelos estudantes podem ser utilizados como instrumentos de avaliação, síntese de conteúdos e expressão criativa em diferentes áreas do conhecimento.

  • Protagonismo Estudantil – O SP Integral valoriza o papel ativo dos jovens, em sintonia com a proposta do Imprensa Jovem, no qual estudantes assumem funções de repórteres, editores, apresentadores e produtores.

  • Gestão Democrática e Territórios Educativos – A Educomunicação promove o diálogo com a comunidade e possibilita que o espaço escolar se conecte a temas locais, culturais e sociais, fortalecendo vínculos.

  • Formação para o Futuro – Projetos midiáticos desenvolvem competências alinhadas ao século XXI: comunicação, colaboração, pensamento crítico, criatividade e responsabilidade digital.

Assim, a implementação do SP Integral não apenas amplia o tempo de permanência dos estudantes na escola, mas também fortalece iniciativas que já fazem parte da Rede, como o Imprensa Jovem, reconhecido nacional e internacionalmente por seu impacto na formação crítica e cidadã.

A Educomunicação, integrada ao SP Integral, é caminho para que a escola se torne um espaço de voz, expressão e transformação social.

Acesse a IN SP Integral (clique aqui)

Por Carlos Lima - Educomunicador e professor
Imagem : Projeto Jornal Fake News TCA EMEF Josué de Castro

domingo, 24 de agosto de 2025

Sobre oferecer aulas de Educomunicação na escola como componente da Educação Integral

Ontem concluímos mais uma etapa de nossa experiência de imersão com educadores da Rede Municipal de Ensino. Foi um sábado inteiro de trabalho intenso, dedicado ao desenvolvimento de aulas práticas de Educomunicação voltadas para a implementação do Programa Imprensa Jovem.

Diferente do encontro anterior, em que o foco esteve nos projetos de ampliação da jornada escolar, desta vez nos debruçamos sobre a criação de propostas de aulas. O desafio foi entender como os professores receberiam essa novidade. Sempre acreditei que é possível. Em 1997, realizei minha primeira experiência nesse sentido: utilizei a produção de programas de rádio para ensinar literatura no Ensino Médio e conseguimos ocupar um bimestre inteiro. Aquele ensaio serviu como base para perceber como os docentes se posicionariam diante de uma proposta formativa inovadora.

Nesta edição, contamos com a presença de 21 professores de diferentes escolas da cidade. A formação foi marcada por diálogos intensos, atividades práticas e, principalmente, pelo uso do RAE – Roteiro de Atividade Educomunicativa, ferramenta que orientou a criação de diversas produções ao longo do dia. O resultado foi muito positivo: os participantes saíram satisfeitos e motivados, e a expressão de felicidade durante as atividades ajudou a fortalecer a conexão entre todos.

Também tivemos três paradas estratégicas para conversas informais: dois cafés coletivos e um almoço compartilhado. Esses momentos, somados à arquitetura da sala com mesas integradas, favoreceram a troca de experiências entre os professores. Nosso time de condução também regulou bem os tempos de fala, garantindo espaço para participação ativa dos educadores.





A potência desse encontro fica ainda mais clara nas palavras das professoras participantes:

“Oi, sou a Allana Felix, Professora de Apoio Pedagógico na EMEF Chiquinha Rodrigues. Venho fazer um breve relato após participar da formação de Imprensa Jovem - imersão, ministrada pelos professores Carlos e Clayton. Foi um curso prático e muito enriquecedor de educomunicação, onde pudemos vivenciar na prática tudo que aprendemos do começo ao fim da formação. Agora, saio me sentindo mais repertoriada e segura para implementar e apoiar o desenvolvimento da Imprensa Jovem na escola em que atuo, junto aos meus pares. Espero que haja mais formações como a de hoje e que os projetos de Educomunicação se tornem realidade em todas as escolas da rede.”

“Carlos, Clayton, muito obrigada pela oportunidade de poder participar desse dia tão rico em aprendizado e conhecimento. É muito raro termos formações que oportunizem conhecimentos práticos e de real utilidade na nossa prática com os estudantes no cotidiano escolar. Essa imersão que tivemos hoje, com certeza, nos trouxe repertório para realizarmos um trabalho com o Imprensa Jovem de muito significado e potência. Agradeço de coração.”
Camila, EMEF Rodrigo Mello Franco de Andrade – DRE São Mateus

O mais importante é que o encontro formativo não termina aqui. Saímos com a possibilidade de uso de uma plataforma pronta (Curso Autoinstrucional  Imprensa Jovem) para aprimorar e desenvolver novas aulas junto aos estudantes. Quando falamos em aulas de Educomunicação dentro da Educação Integral, não usamos a ideia de "disciplina" — até porque não é a linguagem da Rede —, mas acreditamos firmemente que essa proposta pode ganhar corpo e transformar a prática pedagógica.

Realizei a formação em parceria com o professor Clayton Scarcella ambos da COCEU I DIGP - Educomunicação.

Por Carlos Lima: Educomunicador e professor 

Fotos: Carlos Lima e Clayton Scarcella

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Como validar minha ação educomunicativa na escola? Preciso criar um projeto ?


Na Rede Municipal de Ensino de São Paulo, as unidades educacionais podem desenvolver projetos e aulas de Educomunicação para estudantes da Educação Infantil ao Ensino Médio. No entanto, para garantir a efetividade dessas ações, é essencial validá-las dentro das normativas da rede. Existem quatro principais estratégias para desenvolver a Educomunicação na escola. Vamos apresentar cada uma delas e explicar como formalizar sua implantação.

Ampliação da Jornada Escolar

Uma das possibilidades para inserir a Educomunicação na escola é por meio do projeto Mais Educação São Paulo, que permite aos estudantes chegarem mais cedo ou saírem mais tarde para realizar atividades ligadas às linguagens midiáticas. Para isso, o professor deve elaborar um projeto pedagógico detalhado contendo:

  • Título
  • Justificativa
  • Objetivos
  • Metodologia
  • Recursos
  • Avaliação
  • Nome dos estudantes participantes (mínimo de 20 estudantes)
  • Cronograma
  • Bibliografia

Esse documento deve ser submetido à gestão escolar para análise e aprovação, garantindo sua inserção dentro das possibilidades de ampliação da jornada escolar.  Falamos a Educomunicação na crônica educomunicativa:

"Manual para elaborar projetos de Educomunicação: Passo a passo e orientações" acesse

Complementação da Jornada

Essa modalidade é específica para os Professores Orientadores de Educação Digital (POEDs) e segue um processo semelhante ao da Ampliação da Jornada. O POED deve elaborar um projeto sistematizado e detalhado, como no Mais Educação, e submetê-lo à direção da escola.

Diferentemente da ampliação, o projeto de complementação da jornada tem como objetivo cumprir a carga horária mínima obrigatória do POED na escola. O professor pode desenvolver duas propostas simultaneamente: uma para complementar a jornada e outra para ampliação.

Aulas na Educação Integral

Na Educação Integral (acesse), as atividades educomunicativas são inseridas diretamente na matriz curricular, atendendo a todos os estudantes de uma ou mais salas.

Para formalizar a Educomunicação nessa modalidade, o primeiro passo é a atribuição das aulas aos professores dentro do Território Comunicacional: Oralidade e Novas Linguagens. Após a atribuição, o professor deve elaborar um projeto no documento específico chamado Anexo IV (acesse), que inclui:

  • Descrição do projeto
  • Objetivos e metodologia
  • Relação com os Saberes da Matriz Curricular da Cidade
  • Estratégias de avaliação

Esse documento deve ser encaminhado à coordenação pedagógica para validação. Falamos a Educomunicação na crônica educomunicativa:

"Educomunicação na Educação Integral" acesse

Itinerário Formativo do Ensino Médio

No Ensino Médio, a Educomunicação pode ser desenvolvida dentro dos Itinerários Formativos, que preveem aulas específicas para o enriquecimento curricular, especialmente na área de Linguagens e Comunicação.

Diferente das modalidades anteriores, os professores não precisam elaborar projetos ou Anexo IV . Para a formalização, basta que o professor elabore um Plano de Trabalho, que detalha os conteúdos, objetivos e metodologias a serem utilizados nas aulas. Falamos a Educomunicação na crônica educomunicativa:

"Educomunicação no Ensino Médio"  acesse

Independente da modalidade escolhida, a Educomunicação deve ser estruturada com um planejamento bem definido, garantindo que as atividades tenham intencionalidade pedagógica e estejam alinhadas às diretrizes da Rede Municipal de Ensino de São Paulo. Ao seguir os procedimentos de validação, as ações educomunicativas passam a ser reconhecidas e incorporadas de forma estruturada na escola, fortalecendo a Educomunicação como ferramenta essencial para a formação crítica e criativa dos estudantes.

Por Carlos Lima - Professor e Educomunicador

Imagem : Onézio Cruz

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Educomunicação na Educação Integral


A comunicação é um direito humano e está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento das relações sociais. Na escola, esse direito é parte essencial do processo educativo, como nos lembra Paulo Freire ao afirmar que "Educação é Comunicação". Dentro desse contexto, a Educomunicação surge como uma abordagem que prepara estudantes para usar as linguagens e saberes da comunicação de forma criativa e crítica, um requisito indispensável em tempos de desinformação e fake news.

Hoje, compreender a mídia é tão importante quanto produzir conteúdos midiáticos. Em um mundo onde a tecnologia está profundamente integrada à sociedade, saber lidar com mídias e tecnologias é essencial para uma cidadania plena. Há algumas décadas, as escolas começaram a introduzir a aprendizagem tecnológica para preparar os estudantes para o mercado de trabalho. Atualmente, disciplinas específicas de tecnologia e informática auxiliam nesse preparo. Mas onde a Educomunicação se encaixa nesse cenário?

Educomunicação e a necessidade social

O papel da Educomunicação vai além da tecnologia. Ela aborda a comunicação como uma prática humana essencial, conectada às relações interpessoais e à construção de sentidos coletivos. No contexto educacional, essa abordagem promove a habilidade de interpretar, questionar e criar narrativas, integrando mídias e tecnologias ao cotidiano escolar.

Ao refletirmos sobre as gerações, percebemos como a sociedade e os contextos de comunicação têm mudado rapidamente. Os professores de hoje pertencem, em sua maioria, à geração X, enquanto os mais experientes vêm da geração dos Baby Boomers. Já os estudantes são parte das gerações Z, Alfa.

Millennial or gen alpha?? #shorts #millennials #generation

Está chegando a geração Beta,  que refere-se às crianças que irão crescer imersas em um mundo digital, interagindo não apenas com outros seres humanos, mas também com máquinas inteligentes. Esse panorama exige que a escola esteja atenta às mudanças, preparada para educar estudantes que não apenas consomem conteúdo, mas que o produzem de forma responsável e crítica.

Educomunicação e Educação Integral

Para integrar a Educomunicação de maneira efetiva, é fundamental reconhecer seu papel dentro de uma educação integral. O Território Comunicação de Novas Linguagens  acesse, que desde de 2016 era identificado como Território Educomunicação, Oralidade e Novas Linguagem, abre caminhos para a formação de crianças e adolescentes mais preparados para o mundo contemporâneo.

Ao alinharmos essa abordagem às competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e às matrizes de saberes da cidade de São Paulo, fica claro que a comunicação ocupa um papel vital na formação dos estudantes. Projetos como o Imprensa Jovem já mostram o impacto positivo de uma educação midiática: além de produzir conteúdos jornalísticos, os estudantes aprendem a navegar criticamente pelas redes sociais e outros meios de comunicação.

Ampliando o Território Comunicação e Novas Linguagens

O Programa Imprensa Jovem é apenas um exemplo do que pode ser desenvolvido em um Território Educomunicação. Outras linguagens, como Rádio, Audiovisual, Fotografia, Cinema, Redes Sociais e Histórias em Quadrinhos, podem enriquecer o processo formativo. Esses espaços precisam ser equipados e otimizados, como já existe nas Salas de Leitura (acervo de livros) e os ambientes de Educação Digital (computadores). As salas de aulas convencionais equipadas com recurso digitais pode compartar atividades educomunicativas com uso de tablets, projetores, caixas de som, periódicos impressos. 

Sala equipada com kit Educom - Imagem Onezio Cruz

Além disso, a formação continuada de professores é indispensável para consolidar essa cultura educacional. Não basta introduzir a Educomunicação como uma prática isolada; é necessário garantir uma orientação pedagógica sólida que fomente a criatividade, o pensamento crítico e o bem viver.

O futuro da Educomunicação

Promover a Educomunicação é promover cultura e cidadania. Equipar as escolas, formar professores e ampliar projetos como o Imprensa Jovem são passos essenciais para transformar a comunicação em uma ferramenta poderosa na formação dos estudantes. Afinal, em um mundo cada vez mais interconectado, comunicar-se bem é mais do que um direito: é uma competência indispensável para o futuro.

Por Carlos Lima: Educomunicador e professor

Imagem: Imprensa Jovem - Atividades nas aulas do Ensino Médio e ilustração de Onezio Cruz

Para saber mais : 

Educação Integral acesse o site 

Educomunicação acesse o site


quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Manual para elaborar projetos de Educomunicação: Passo a passo e orientações


Os projetos de Educomunicação têm como principal objetivo promover a formação para a produção e leitura crítica da mídia e suas tecnologias no ambiente educacional acesse. Além disso, esses projetos contribuem para a cultura de paz na escola, incentivando a participação dos estudantes e promovendo práticas como a comunicação não violenta, entre outras possibilidades.

O desenvolvimento de projetos de Educomunicação é previsto na portaria. acesse. Para apoiar educadores na criação e tramitação de projetos de Educomunicação, apresentamos abaixo um guia com orientações práticas e estratégias eficazes.

Aulão explica como criar projetos de Educomunicação

1. Estruturando o Projeto

Definição e Justificativa:
O projeto deve ser elaborado com uma linguagem acessível, que permita o entendimento de toda a comunidade escolar. Ele precisa apresentar:

  • As intenções pedagógicas.
  • A justificativa para sua realização (por exemplo, como ele contribui para a cultura de paz, a formação midiática ou o uso responsável das tecnologias) acesse a Projeto de Lei 293, de 2024, Aritgo 3º.
  • O cronograma de atividades ao longo do ano.

Dica: Use um gerador de projetos para facilitar a organização. A ferramenta clique para acessar  pode auxiliar na criação de projetos claros e bem estruturados.


2. Recursos necessários

Antes de iniciar o projeto, mapeie os recursos que serão utilizados acesse. Entre os mais comuns para Educomunicação estão:

  • Equipamentos audiovisuais: câmeras, celulares, gravadores.
  • Ambientes apropriados: salas para reuniões, laboratórios de informática ou espaços multimídia.
  • Materiais de apoio: acessórios para identificação dos estudantes (crachás, camisetas, etc.).
  • Infraestrutura digital: uma conta institucional ou plataforma para compartilhamento de conteúdos e formação.

Importante: Caso a proposta inclua o uso de celulares para produção de mídia, justifique a relevância pedagógica do uso, respeitando a legislação vigente.


3. Processos de tramitação

Após a elaboração, o projeto deverá seguir um fluxo de aprovação:

1. Apresente o projeto ao Conselho de Escola para análise inicial.
2. Encaminhe o documento à gestão escolar, que deverá submetê-lo à supervisão escolar para avaliação técnica.
3. Após a aprovação pela supervisão, o projeto estará autorizado a ser implementado.

Dica: Certifique-se de que o projeto está claro quanto aos recursos e objetivos, pois isso facilita o processo de aprovação.


4. Cuidados na execução

  • Flexibilidade: O projeto é uma projeção inicial. Durante o ano, ajuste as atividades conforme as necessidades e o contexto.
  • Atualização: Atualize o projeto sempre que houver mudanças significativas, especialmente no uso de recursos.
  • Documentação: Mantenha registros das atividades e resultados obtidos para justificar futuras ações.

5. Apoio e fontes de recursos

Se necessário, busque apoio com a escola. A escolha dispõe  de recursos para aquisição, manutenção e organização e equipagem dos espaços acesse. É necessário que a proposta de investimento seja aprovada pelo APM (Associação de País e Mestres). Neste sentido é importante estar em diálogo com esta entidade. Também é possível dialogar com o Grêmio para apoiar o projeto de Educomunicação na escola. São instâncias de Participação que tem força na escola para liderar diálogos. 

Este manual é um guia inicial para que educadores possam planejar e desenvolver projetos de Educomunicação de maneira eficiente. 

Por Carlos Lima - Educomunicador e professor

Imagem : Onezio Cruz

Consulte :  Site do Núcleo de Educomunicação acesse

Para conhecimento: Uso do celular na escola I Análise acesse

sábado, 29 de junho de 2024

A educomunicação é uma ponte entre as pessoas e o conhecimento


A Educomunicação é proposta para Educação Integração e para projetos do Mais Educação ou ampliação da jornada escolar. Diversas proposta podem ser implementada a partir do conceito. Radioescola, Cinema, Audiovisual, HQ, Jornal, Agência de Noticias, Fotografia, Blog, Mídias Sociais, Fanzine são linguagens e projetos que podem mobilizar estudantes para uma educação com, para e pela comunicação. Seja na Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio os diversos projetos de educomunicação apoia as aprendizagem e tornam as aulas mais interessantes para os estudante.  Em uma entrevista para o site Centro de Referência de Educação Integral falo sobre o pontencial da Educomunicação na conexão de estudantes e conhecimento. A matéria publicada em 2013 ainda continua tão atualizada como a mais de uma década. 

Ouça a entrevista 

Leia a matéria na integra 

Reportagem Jessica Moreira - Publicado em 04/10/2013

Imagem :  Imagem de freepik

Quando a Educomunicação também pode ter níveis de aprendizagem?

  Outro dia, durante uma aula de língua estrangeira, ouvi o professor apresentar os níveis de proficiência: B1, B2, C1, C2. A ideia é simple...