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terça-feira, 22 de julho de 2025

Como tornar o projeto de Educomunicação uma ação política sustentável?


Durante uma missão formativa realizada para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) com apoio da Associação  Comunitária de Moradores da Serra Negra, conduzi uma oficina de Educomunicação voltada para jovens moradores de comunidades do entorno do Parque Nacional do Itatiaia. O principal objetivo foi oferecer ferramentas e conhecimentos para a criação de uma agência de notícias estudantil, com foco em promover uma relação mais próxima, afetiva e consciente entre a comunidade local e o parque.

Ao longo dos anos, foi perceptível que, após a criação do parque e sua administração por órgãos federais, parte da população passou a se sentir excluída de seu próprio território. O espaço que antes era local de convivência, memória e construção de laços afetivos — onde muitas famílias se formaram, crianças cresceram e a cultura local floresceu — passou a ser percebido como inacessível. Nesse cenário, a Educomunicação surge como um caminho possível para resgatar esses vínculos, ampliar o sentimento de pertencimento e valorizar o papel do parque como um bem comum.

Aula de Módulo Podcast 

O Parque Nacional do Itatiaia, o primeiro criado no Brasil, está localizado na Serra da Mantiqueira e abrange áreas do Rio de Janeiro e do sul de Minas Gerais. Sua preservação é estratégica para a sustentabilidade ambiental da região. Entretanto, integrar a população local a esse processo é essencial. A criação de uma agência de notícias estudantil, nesse contexto, pode também fomentar o turismo responsável, o empreendedorismo comunitário e a valorização cultural, tornando-se um importante canal de comunicação sobre o uso consciente do parque e a vivência nas comunidades do entorno.

Caminhos para transformar a Educomunicação em política pública

1. Diagnóstico participativo:
O primeiro passo é alinhar o projeto às necessidades reais do território. Projetos de Educomunicação podem ser apenas formativos, mas para que tenham impacto estrutural e duradouro, precisam responder a demandas concretas da comunidade. Ouvir, mapear e compreender essas necessidades é essencial para que o projeto tenha relevância e enraizamento.

2. Parcerias estratégicas:
Contar com um parceiro institucional com legitimidade no território fortalece a governança. No exemplo citado, o ICMBio tem papel fundamental tanto no apoio como na articulação com demais atores. Ter esse tipo de aliança agrega valor, credibilidade e viabilidade à proposta.

3. Formação de grupo engajado:
A sustentabilidade do projeto depende da formação de um coletivo comprometido com suas metas e valores. Esse grupo precisa estar disposto a assumir responsabilidades, dividir tarefas conforme suas competências e atuar de forma ética e colaborativa. O protagonismo local é o que garantirá a continuidade das ações.

4. Formação inicial e continuada:
O processo formativo deve ser contínuo. A formação inicial desperta o interesse e revela os talentos. Já a formação continuada aprofunda os conhecimentos, qualifica as produções e mantém o grupo ativo e engajado.

5. Relação com a comunidade:
A construção de uma relação sólida com a comunidade local permite levantar temas de interesse coletivo que, por sua vez, alimentam as pautas das produções jornalísticas. A agência deve ser um reflexo do território, com linguagem, cultura e identidade próprias.

6. Protagonismo juvenil e liberdade criativa:
Mesmo sendo uma comunicação comunitária, a agência de notícias deve ser pensada como espaço de juventudes, com liberdade para experimentar formatos, temas e linguagens. O processo precisa ser construído com os jovens — e não para eles. A escuta ativa e o respeito à voz juvenil são fundamentais.

7. Produção prática e atrativa:
Atividades práticas que dialogam com as referências midiáticas que os jovens já consomem facilitam o engajamento. Validar ideias, testar formatos e explorar a criatividade tornam a agência um lugar de aprendizado e expressão.

8. Gestão pedagógica:
Mais do que uma ação comunicativa, a agência é um espaço educativo. É uma escola de cidadania, onde se aprende a pesquisar, escrever, comunicar, usar tecnologias, refletir criticamente e atuar no mundo.

9. Infraestrutura mínima:
Para viabilizar a produção midiática, é essencial oferecer uma estrutura mínima: equipamentos, acesso à internet, espaço físico adequado. Pode ser uma sala de informática, biblioteca, centro comunitário ou uma sala adaptada em órgão público.

10. Mobilidade para coberturas:
Garantir meios para que os jovens realizem coberturas externas, entrevistas e reportagens amplia o alcance do projeto e fortalece seu papel como serviço de utilidade pública.

11. Sustentabilidade econômica:
A agência pode atuar como um projeto de desenvolvimento local. Combinando ações voluntárias e parcerias institucionais, é possível viabilizar bolsas, apoios e remunerações pontuais para garantir continuidade e engajamento.

12. Construção coletiva:
O desenho do projeto deve ser sempre coletivo. A participação ativa dos envolvidos — jovens, lideranças, escolas, organizações — é a chave para que o projeto represente de fato os anseios e sonhos do território.

Participantes da formação Agência de Notícias 

Transformar uma ação educomunicativa em política pública sustentável exige visão estratégica, escuta ativa, alianças sólidas e compromisso com a formação cidadã. No caso do Parque Nacional do Itatiaia, a criação de uma agência de notícias estudantil é mais que uma ação de comunicação: é uma ponte entre o passado afetivo, o presente participativo e o futuro sustentável da região.

Por Carlos Lima : Educomunicador e professor
Foto: Registros da oficina de Educomunicação Criar Agências de Notícias 



domingo, 4 de maio de 2025

Quase um dízimo da população não acredita em mudanças climáticas

Retirante: Obra de Candido Portinari, 1944

A obra Retirantes (1944), de Candido Portinari, nos confronta com a dor da desigualdade e do abandono, retratando famílias que fogem da seca e da miséria em busca de sobrevivência. Aquela imagem de corpos magros, olhos fundos e pés calejados fala diretamente ao tema das emergências climáticas de hoje. Assim como os retirantes do passado, milhões de pessoas nas periferias urbanas e zonas rurais do Brasil continuam sendo as mais atingidas pelas mudanças no clima. São os que menos contribuem para a degradação ambiental, mas que mais sofrem com enchentes, secas e ondas de calor. Portinari pintou a realidade de seu tempo, mas sua obra segue atual — pois a injustiça climática é, antes de tudo, uma injustiça social. Educar para a emergência climática é, portanto, também educar para a justiça e para o cuidado com os que, historicamente, têm sido deixados para trás.

Apesar de enfrentarmos diariamente os efeitos das mudanças no clima, 9% da população brasileira ainda não acredita na existência das mudanças climáticas — muito menos na emergência climática que vivemos. É um dado alarmante, revelado por pesquisa do Datafolha. Em 2024, esse índice era de 5%, o que mostra um crescimento preocupante da desinformação ou da negação desse fenômeno. Acesse

Lembro-me de quando era criança e as estações do ano seguiam seu curso natural. Verão, outono, inverno e primavera vinham em sua ordem, com clima e características bem definidas. Preparávamo-nos para cada uma delas. Hoje, tudo parece fora de lugar. Assim como os animais, as estações também estão em extinção. A desorganização climática é evidente, mas não para todos.

Por que tanta gente não vê o óbvio? Muitas vezes, essa negação é alimentada por discursos ideológicos que classificam o debate climático como “coisa de comunista” ou pauta “progressista”. Triste é perceber que essas ideias ganham força justamente entre aqueles que mais sofrem com as consequências do desequilíbrio climático: as populações periféricas, as regiões vulneráveis, os pobres. Para alguns, tudo isso pode parecer castigo divino. Afinal, dizem que o apocalipse virá com fogo, já que o primeiro foi com água — o dilúvio.

Mas o problema é real e visível. A ciência mostra isso com dados, estudos, alertas. O mundo, criado com perfeição, não está sendo destruído por Deus, mas pelas ações humanas. Está nas mãos da humanidade reverter esse quadro — ou agravá-lo. E aqui entra um ponto essencial: precisamos educar para a compreensão da emergência climática. Trata-se de um desafio cultural, não apenas ambiental.

Os adolescentes podem — e devem — estar na linha de frente desse processo. Eles têm capacidade de análise, criatividade e vontade de transformar a realidade. Contudo, nem sempre são levados a sério, nem mesmo por adultos conscientes da crise ambiental. E se perguntássemos aos jovens sobre mudanças climáticas? Será que o índice de negação seria o mesmo entre eles? Quantos adolescentes de 12 a 18 anos vivem no Brasil? Quantos estão na escola? Quantos votam? Talvez estivéssemos diante de outro cenário de entendimento.

Projeto Juntos pelo Clima - Apresentado no curso Esudante Mediador dos ODS 


Preparar essa nova geração para lidar com o presente e pensar o futuro é missão da escola. E temos ferramentas para isso. Um exemplo é o projeto Estudante Mediador dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), desenvolvido pela UNESCO em parceria com o Programa Imprensa Jovem, que formou grupos de adolescentes em cerca de 300 escolas entre 2020 e 2024 para criarem ações de intervenção social em suas comunidades.

Já em seu primeiro ano, o projeto foi reconhecido mundialmente com o prêmio da Aliança Global para Mídia e Informação da UNESCO, durante a pandemia da Covid-19. Hoje, o foco é mobilizar os estudantes para atuar na mitigação das emergências climáticas.

O curso Imprensa Jovem – Estudante Mediador dos ODS, promovido pelo Núcleo de Educomunicação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, contempla várias ações que valorizam a voz e as ideias dos estudantes:

  • Cápsula do Futuro: campanha audiovisual para redes sociais, produzida por estudantes das agências de notícias escolares;

  • Conexão Estudante Mediador dos ODS: superaulão com participação de 400 estudantes, especialistas e organizações no CEU;

  • Cursos para professores: como “Educomunicação Socioambiental – Precisamos conversar sobre as emergências climáticas”;

  • Programa “Imprensa Jovem no Ar”: veiculado na TV Cultura, com produção estudantil sobre o ODS 13;

  • Podcast “PodConversar”: com temas como hortas e sustentabilidade, em diálogo com especialistas;

  • COM-VIDA: encontros de gremistas e educomunicadores para debater ações climáticas nas escolas.

  • Comissão do Futuro: encontro que promove a troca de propostas desenvolvido pela EMEF Paulo Duarte. Projeto foi apresentado no Summit of Future em Nova Iorque em 2024

  • Agência de notícias do Clima: Produção de conteúdos pelos estudantes por meio de reportagens sobre problemas relacioanado as emergências climáticas no território. O projeto é desenvolvido pela EMEFM Rubens Paiva 

É papel da escola — e da educação como um todo — criar espaços reais de escuta, diálogo e ação para crianças e adolescentes. A Educomunicação mostra que é possível construir um movimento potente e transformador, como foi o caso do projeto #estudantemvoz, que envolveu estudantes na construção do Currículo da Cidade de São Paulo.

Se queremos um futuro melhor, precisamos confiar, formar e dialogar com quem vai estar à frente dele. E já estão prontos para isso.

Por Carlos Lima - Educomunicador e professor

Imagem :  Reprodução MASP

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Um mundo construído com sonhos, sucatas e super-heróis ambientais



Em duas grandes mesas, um grupo de crianças compartilhou suas impressões sobre o meio ambiente por meio de um questionário simples e um espaço criativo onde puderam desenhar personagens ao seu gosto. Criaturas incríveis surgiram: super-heróis capazes de resolver os problemas ambientais do mundo com coragem, empatia e imaginação.

À frente das mesas, um protótipo de cidade sustentável ganhava forma. Povoada por esses seres fantásticos, era um lugar onde não existiam brigas, apenas união. Um mundo de fantasia que, aos poucos, se transformava no reflexo dos sonhos daquelas crianças  da Escola Municipal Salgado Filho — que ajudaram a construir, com as próprias mãos, uma cidade feita de brincadeira, mas cheia de propósito.

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No mundo maker, cabe qualquer sonho. A criatividade é a esperança. E foi essa a essência da proposta de aula desenvolvida pela professora Katia Archanjo no espaço Clic, da SME BH. acesse A atividade foi um verdadeiro chamariz para que as crianças colocassem suas ideias em movimento, refletindo sobre o planeta e as emergências climáticas com um olhar sensível e inovador.

Cada grupo pensou, construiu e deu vida aos seus personagens com materiais recicláveis. As esculturas — ou melhor, os heróis ambientais — foram batizados com nomes escolhidos a dedo, revelando o carinho e a identificação dos pequenos criadores com suas obras.

Ao final, representantes dos grupos compartilharam com entusiasmo as histórias por trás de cada personagem. Foram 130 minutos intensos de ciência, afeto e imaginação, que deixaram as crianças empolgadas e com vontade de seguir criando com os colegas.

Quando cheguei na sala, toda preparada para a atividade maker, fiquei impressionado com o colorido das paredes, a organização do espaço e a dedicação da professora e dos três jovens estagiários que acompanharam tudo de perto.

Foi uma atividade mão na massa, desconectada das telas, mas totalmente conectada com a vida. Criativa, afetiva, educomunicativa.

Por Carlos Lima – Educomunicador e professor

sábado, 29 de março de 2025

Quando o Rio Levou Tudo - Uma História Oral a partir de um desastre ambiental



Era uma noite chuvosa em 1982, depois de um dia ensolarado em que passei a tarde com meu tio, soltando pipa e visitando uma represa perto da casa da minha avó. Voltamos ao entardecer para tomar banho, jantar e descansar.

Minha avó morava em um cortiço coletivo na Vila Jacuí, onde cinco casas dividiam o mesmo quintal. Atrás da parede dos quartos passava o Rio Jacu, um curso d’água sinuoso que vinha de São Mateus e seguia até desaguar no Tietê. A Vila Jacuí naquela época ainda tinha um ar bucólico, com sítios, áreas de mata, ruas de terra e casas simples. A viela onde ficava a casa da minha avó tinha acesso à Avenida Laranja da China e contava com cerca de dez residências, muitas delas também cortiços como o nosso.

As construções eram modestas, sem laje, erguidas com tijolos vindos das olarias da Vila União, região conhecida como Pantanal. O nome vinha das lagoas e do terreno alagadiço próximo ao Tietê. O Rio Jacu, que cortava nosso bairro, era mais um córrego do que um rio caudaloso, e eu costumava atravessá-lo a pé nas brincadeiras de infância.

Naquela noite, o céu se fechou de repente e a tempestade desabou. Minha avó havia acabado de chegar do trabalho no apartamento de um empresário norueguês no Centro da cidade. Sempre trazia alguma coisa gostosa que o patrão deixava levar. Eu adorava visitar minha avó. Gostava de soltar pipa, brincar na rua e dar "tibum" na represa nos dias de calor.

Quando a chuva começou a engrossar, minha avó e meu tio espalharam bacias e panelas pelos cômodos para aparar os pingos que caíam do telhado. Casas antigas sempre tinham goteiras, e o madeiramento, desgastado pelo tempo, fazia com que as telhas se deslocassem. Logo, todos adormeceram ao som da chuva.

O sono pesado de todos impediu que percebêssemos a tragédia iminente. Enquanto dormíamos, o rio avançava com força contra a parede do quarto. De repente, um estrondo. A parede desmoronou, e a água invadiu tudo. Só percebi o que estava acontecendo quando senti o colchão encharcado. Acordei assustado, confuso, vendo um rio nervoso diante dos meus olhos. Por um instante, achei que era um pesadelo. Mas era real.

Minha avó e meu tio gritavam desesperados:
— Carlinhos! Sai rápido!

Corremos para a frente da casa e ficamos ilhados, até que vizinhos conseguiram nos resgatar. Foi por pouco. Minutos depois, vimos toda a casa ser levada pela correnteza. Perdemos tudo, mas saímos vivos. Com o amanhecer e o recuo das águas, o cenário era desolador. Toda a pequena vila de moradores havia sido destruída pela enchente. Minha avó, embora triste pela perda de tudo, agradeceu a Deus por ninguém da família ter morrido.

Jornal Mural criado pelos professores no curso Educomunicação Socioambiental


Anos depois, já morando em outra parte da Vila Jacuí, mais alta e aparentemente mais segura, uma grande obra foi realizada para ligar o ABC a São Paulo: a Estrada Jacu Pêssego. A construção da via transformou a paisagem, retificando o curso do Rio Jacu e melhorando a mobilidade urbana. Quando foi finalmente interligada à Rodovia dos Imigrantes, tornou-se um importante eixo de escoamento da produção para Guarulhos e o Porto de Santos. A canalização do rio ajudou a revitalizar os bairros cortados pela estrada.

Mas o progresso trouxe suas contradições. Com o crescimento urbano, as ruas foram asfaltadas, os quintais cimentados, e a "esponja natural" da região — antes formada por plantações e lagoas — perdeu sua função. A sinuosidade do rio, que antes ajudava a desacelerar a água, deu lugar a um canal reto, aumentando a força das correntezas e agravando os riscos de enchentes.

Minha avó participou de um movimento de luta por moradia e conseguiu um terreno exatamente do outro lado do rio, perto do local onde quase sofremos a tragédia anos antes. Quase vinte anos depois, uma nova tempestade atingiu a região. O Rio Jacu, com sua capacidade reduzida, não suportou o volume de água, e a Avenida Jacu Pêssego ficou completamente alagada. Como morávamos no final da avenida, fomos novamente atingidos. Mais uma vez, minha avó perdeu tudo.

As enchentes continuaram. No ano passado, outro grande alagamento atingiu moradores que vivem a 500 metros da avenida. A água subiu um metro e meio dentro das casas, deixando dezenas de famílias desabrigadas.

O que essa história nos ensina? Que o poder público ainda falha em pensar em todas as nuances do impacto de grandes projetos. O histórico da canalização do Rio Tamanduateí é um exemplo disso: a obra criou uma alternativa de mobilidade, mas, até hoje, a população sofre com enchentes. O progresso não pode ser apenas concreto e asfalto. Ele precisa considerar a vida das pessoas e o equilíbrio ambiental. Afinal, de que vale uma cidade moderna se ela continua alagada toda vez que chove?

Professoras produzem o Jornal Mural a partir da minha História Oral

Rachel Trajber realiza aula para professores da Rede Municipal de Ensino de SP

Esta crônica foi inspirada na atividade promovida pelos pesquisadores da CEMADEN Rachel Trajber e Felipe Santos,  no curso Educomunicação Socioambiental: Precisamos falar de emergência climática na escola. Durante a atividade, criamos um roteiro para entender o problema que vivi e realizamos uma entrevista onde pude contar minha história. O grupo produziu um jornal mural para ilustrar a situação que enfrentei.

Carlos Lima, Rachel Trajber e Felipe Santos Educomunicação e CEMADEN juntos

Essa é uma estratégia chamada História Oral, que consiste no relato de uma pessoa que sofreu um desastre ambiental. Esse relato pode se transformar em minidocumentário, podcast, jornal mural, texto para blog ou até mesmo uma história em quadrinhos. A proposta é utilizar a educomunicação para socializar as histórias das pessoas da comunidade e suas experiências de vida. Essas narrativas criam conexões emotivas e fazem as pessoas refletirem sobre os problemas ambientais e sociais que enfrentamos.

Por Carlos Lima - Professor e Educomunicador 

Imagem: Reprodução Wikipedia

Conheça mais sobre História Oral acesse

Baixe a publicação Educação em clima de risco de desastres - Programa  CEMADEN EDUCAÇÃO

Acesse



sábado, 22 de março de 2025

Projeto de Intervenção na Escola: O Papel do Estudante na Transformação do Meio




A escola não é apenas um espaço de ensino, mas um ambiente que deve inspirar a aprendizagem e o desenvolvimento do pensamento crítico. É nela que estudantes se deparam com conhecimentos culturais, históricos, científicos, tecnológicos, linguísticos e matemáticos. No entanto, a educação não se resume à absorção de informações – ela precisa ser transformadora, preparando meninos e meninas para compreender e interagir com os problemas do mundo real.

Mas qual é a maior dificuldade? Muitas vezes, o problema não é apenas o problema em si, mas a ausência de uma cultura escolar que capacite os estudantes a intervir. Uma intervenção social eficaz exige a construção de ações concretas para gerar impacto. Afinal, afetar o meio significa provocar mudanças reais, e isso exige estratégias eficientes.

Como o estudante pode afetar o meio ambiente?

Uma grande verdade é que quem deseja afetar precisa, primeiro, ser afetado. Isso significa que, para resolver um problema, é necessário entender profundamente suas causas e consequências. Para isso, algumas perguntas fundamentais precisam ser feitas:

  • O que o problema afeta?
  • Por que afeta?
  • Quem afeta?
  • Onde afeta?
  • Quando afeta?
  • Como afeta?

Um Exemplo Real: A Dengue na Escola

Vamos considerar um caso concreto: em uma escola, há um terreno baldio ao lado, onde ocorre descarte irregular de lixo. Esse acúmulo de resíduos cria um ambiente propício para a proliferação do mosquito da dengue, afetando diretamente a comunidade escolar.

  • Quem são os mais atingidos? As crianças, que contraem a doença com maior frequência.
  • Quais as consequências? Irmãos adolescentes precisam faltar às aulas para cuidar das crianças doentes.
  • O que agrava o problema? Apesar da existência de um ecoponto a apenas 1 km, a população continua descartando lixo no terreno.

O problema afeta diretamente os estudantes. Mas como encontrar uma solução viável para reduzir os casos de dengue?

Criando um Plano de Ação para a Intervenção

Discutir o problema significa pensar coletivamente sobre soluções possíveis. Diferentes ideias podem surgir, como:

  • Criar campanhas educativas para conscientizar sobre o descarte correto do lixo.
  • Mobilizar a comunidade escolar para solicitar à prefeitura a limpeza do local.
  • Instalar placas informativas alertando sobre os riscos do descarte irregular.

No entanto, uma proposta de intervenção vai além de sugestões isoladas. É necessário estruturar um objetivo claro, que oriente ações eficazes.

Projeto de Intervenção social desenvolvido pelos estudantes da EMEF Raimundo Correia

Definição de um Objetivo Estratégico

Uma abordagem estratégica começa com uma pergunta fundamental: Qual é o objetivo da intervenção?

Se o objetivo for apenas “conscientizar as pessoas para que não joguem lixo”, ele pode parecer idealista, mas não traz um plano concreto. Para ser eficaz, o objetivo deve ser ponderável e alcançar um plano de ação estruturado.

Proposta de Objetivo:

Criar mecanismos de comunicação para sensibilizar a comunidade sobre os impactos do descarte de lixo no terreno próximo à escola.

Efeito Esperado:

A população perceberá que o lixo acumulado está contribuindo para o aumento de casos de dengue e afetando diretamente seus filhos.

Resultados Esperados:

Redução do descarte de lixo no terreno e aumento do uso do ecoponto.

Atividades Planejadas:

  1. Campanha nas redes sociais sobre os riscos da dengue e o impacto do lixo no ambiente escolar.
  2. Criação de cartazes informativos sobre o descarte adequado de resíduos, incentivando o uso do ecoponto.
  3. Produção de um jornal comunitário abordando os perigos da dengue e as medidas preventivas.
  4. Ocupação e ação cultural do terreno, Organizar, junto a voluntários da comunidade, um mutirão de limpeza do espaço em um final de semana. Em seguida, promover uma ocupação cultural com eventos artísticos e recreativos, envolvendo moradores e fortalecendo o senso de pertencimento. A iniciativa também servirá para chamar a atenção do poder público, destacando a importância da revitalização e do uso comunitário do local.

A Importância do Engajamento Coletivo

Um plano de ação não pode ser apenas efetivo, mas também afetivo. Ele deve estar alinhado aos interesses da comunidade e estimular a participação ativa de todos. Além de buscar soluções imediatas, a intervenção precisa fortalecer um compromisso coletivo para a manutenção das mudanças a longo prazo.

No fim das contas, a escola não deve ser apenas um lugar onde os problemas são discutidos, mas um espaço onde estudantes aprendem a agir para resolvê-los. Afinal, transformar o mundo começa dentro da própria comunidade!

Inspiração da Crônica Educomunicativa

Este texto foi inspirado na aula do curso experimental Educomunicação Socioambiental, precisamos conversar sobre emergência climática nas escolas,  que foram apresentadas propostas para construção de um plano de ação voltado à mitigação das mudanças climáticas. A abordagem desta crônica destaca a importância da educomunicação como ferramenta para mobilizar comunidades, ampliar a conscientização ambiental e incentivar ações concretas em prol da sustentabilidade.

Por Carlos Lima - Educomunicador e professor 

Imagem : Professoras do curso Educomunicação Socioambiental produzindo proposta de intervenção para mitigar o desperdício de alimentos na escola - Acervo particular 


sábado, 15 de março de 2025

Onde a Educomunicação se Aproxima da Ciência?



A Educomunicação, embora seja frequentemente associada à mídia na escola, tem um enorme potencial para dialogar com diversas áreas do conhecimento, incluindo as Ciências. Em programas educacionais que ampliam a jornada escolar, como o Programa Mais Educação, em São Paulo, a Educomunicação se manifesta por meio de projetos como Radioescola, produção audiovisual, Cinema, Jornal, Fotografia, HQ, Agência de Notícias Estudantis e Mídias Sociais. Esses formatos não apenas promovem a expressão comunicativa dos estudantes, mas também criam oportunidades para que a Ciência seja explorada e divulgada de forma acessível e envolvente.

As possibilidades são inúmeras: desde a criação de podcasts científicos, passando por vídeoaulas e animações, até a organização de cineclubes com debates sobre temas científicos. No entanto, um dos aspectos mais valiosos dessa conexão está no jornalismo estudantil, particularmente nos projetos Imprensa Jovem e Imprensa Mirim, que utilizam uma metodologia semelhante à do método científico para planejar e construir conteúdos.

Aula Educom&Clima discutindo interface da  Educomunincação e Ciências

A interface Educomunicação e Ciências  foi foco do sexto encontro da turma experimental do curso Educomunicação Socioambiental: precisamos conversar sobre emergência climática nas escolas”. Esta formação tem como o objetivo ampliar e melhorar a educação sobre mudanças climáticas nas escolas públicas. A proposta é usar a educomunicação para abordar o tema de forma mais engajadora e contextualizada, indo além de apenas repassar informações. A formação está alinhado com a Agenda 2030 da ONU, especialmente com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima), e busca integrar a educação climática às políticas públicas e práticas já existentes nas escolas. 

Educomunicação e Pesquisa Científica: Um Caminho em Comum

O processo educomunicativo parte do planejamento de uma pauta e segue até a publicação do conteúdo. Esse percurso tem um viés processual e participativo, muito parecido com o método científico. A investigação é uma etapa essencial, que começa com o levantamento de informações sobre o tema e culmina na construção de perguntas – fundamentais para entrevistas e reportagens.

Um exemplo claro dessa relação é o documentário. Essa forma de produção audiovisual se baseia na investigação e na apresentação de evidências dos fatos. Embora um documentário tenha um caráter narrativo e interpretativo, sua construção se aproxima do rigor científico, pois requer pesquisa, checagem de informações e organização lógica dos dados.


Rolê Científico - Projetos de visitas a Centro de Pesquisas e Museus Científicos na USP 

Assim, a Educomunicação apoia o desenvolvimento do senso crítico dos estudantes, incentivando a pesquisa e promovendo a criatividade e a expressão comunicativa. Essa abordagem permite que os jovens não apenas aprendam Ciências, mas também produzam conhecimento, transformando-se em protagonistas do próprio aprendizado.

Como Trabalhar a Educomunicação nas Aulas de Ciências?

A Educomunicação pode ser um mecanismo de iniciação científica, engajando jovens na pesquisa e na produção de conteúdos científicos para diferentes plataformas de mídia. Veja algumas possibilidades:

Integração entre Pesquisa Científica e Produção Midiática

A estrutura do jornalismo estudantil e do método científico compartilha etapas semelhantes:

  • Observar um fenômeno ou tema relevante.
  • Perguntar sobre o assunto, levantando hipóteses ou pontos de investigação.
  • Pesquisar e entrevistar especialistas para validar informações.
  • Analisar dados e fontes para garantir credibilidade.
  • Publicar os resultados em diferentes formatos (podcast, vídeo, reportagem, HQ, jornal estudantil).

Entrevistas Além do Tempo é um HQ que conta a história de 3 cientista americanas negras que são entrevista por estudantes do Imprensa Jovem 

Uso de Diferentes Meios de Comunicação

A Educomunicação permite que as Ciências sejam exploradas em múltiplas linguagens:

  • Podcast Científico: Entrevistas com especialistas, explicação de fenômenos científicos, debates sobre temas da atualidade.
  • Rádioescola/Web Rádio: Programas sobre curiosidades científicas, experimentos e descobertas.
  • Jornal Comunitário Estudantil: Reportagens sobre ciência na escola, pesquisas desenvolvidas pelos alunos, divulgação de eventos científicos.
  • Vídeos e Animações: Explicação de teorias científicas em formato acessível.
  • HQs Científicas: Uso da narrativa visual para abordar conceitos científicos de maneira lúdica.

Educação Científica e Tecnológica na Tomada de Decisão

A Alfabetização Científica e Midiática permite que os estudantes compreendam a importância da ciência na sociedade e tomem decisões embasadas. Quando Ciências e Educomunicação caminham juntas, os alunos passam a questionar, investigar e compartilhar descobertas, ampliando sua visão crítica e seu protagonismo na construção do conhecimento.

Clube de Ciências- YouTube Mirim - Projetos desenvolvido pelos estudantes para divulgação de experimentos científicos 

A Educomunicação não apenas facilita a aprendizagem de Ciências, mas também torna o processo mais dinâmico e interativo. Ao integrar a produção midiática à pesquisa científica, os estudantes desenvolvem curiosidade investigativa, pensamento crítico e habilidades comunicativas, elementos essenciais para a formação de cidadãos ativos e bem-informados no século XXI.

Por Carlos Lima - Educomunicador e professor

Imagem: Reprodução TV Cultura : Boas Práticas - Clube de Leitura - EMEF José Amadei

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Jogo de Consciência Ambiental: Bom de Clima



A educação ambiental é fundamental para a formação de cidadãos críticos e conscientes sobre os desafios climáticos atuais. O jogo "Bom de Clima" foi criado com o objetivo de estimular o pensamento reflexivo e a busca por soluções sustentáveis a partir da compreensão das conexões entre as atividades humanas, suas causas, efeitos e possíveis soluções. A criação da atividade foi inspirada na aula inspirado no "Mural do Clima" dinamizado pela formadora Cristina Bestteti Costa que atendeu o curso Educomunicação Socioambiental : Precisamos Conversar Sobre Mudanças Climáticas, desenvolvido pelo grupo Educom&Clima.   Ao participar dessa dinâmica, os estudantes desenvolvem habilidades analíticas, colaborativas e criativas, promovendo um engajamento ativo na preservação do meio ambiente. Além disso, a inclusão de propostas de Educomunicação permite que os jovens se tornem agentes multiplicadores de conhecimento, utilizando diferentes mídias para sensibilizar suas comunidades sobre a importância de práticas sustentáveis. Dessa forma, "Bom de Clima" vai além de um jogo educativo, tornando-se uma ferramenta para transformar informação em ação.

A formadora Cristina Bestteti Costa orienta professores para o jogo do Clima originalmente com 42 cartas

Proposta do jogo "Bom Clima"

Criar conexões entre atividades humanas, suas causas, efeitos e soluções sobre o meio ambiente, promovendo reflexão e conscientização sobre a emergência climática, além de estimular propostas de Educomunicação para cada atividade humana abordada.

Como jogar:

Atividade coletiva: Thaís Brianezi media o jogo

  1. O jogo possui um total de 18 cartas distribuídas igualmente entre os participantes.
  2. O estudante que estiver com a carta "Consumo" inicia a partida.
  3. A sequência do jogo segue a lógica: Efeito → Causa → Solução.
  4. Se um jogador não tiver uma carta correspondente, pode iniciar uma nova trilha de Atividade Humana.
  5. O jogo termina quando todas as 18 cartas forem jogadas e as 6 trilhas de atividades humanas forem completadas.
  6. Ao final, o grupo escolhe um dos projetos de Educomunicação para executar, relacionado a uma das trilhas formadas.
  7. Antes da execução do projeto, os estudantes assistem a um curta-metragem sobre uma das atividades humanas abordadas no jogo e seu impacto nas emergências climáticas.

Participantes: De 3 a 6 jogadores, cada um com 6 cartas iniciais.


Cartas:

Atividades Humanas

  • Produção de lixo: O aumento do lixo ocorre devido ao consumo excessivo e a falta de reciclagem.
  • Alimentação: A produção de alimentos em larga escala pode levar ao desmatamento e ao desperdício.
  • Consumo: O consumismo gera mais extração de recursos naturais e poluição.
  • Mobilidade: O uso excessivo de veículos movidos a combustíveis fósseis aumenta as emissões de gases de efeito estufa.
  • Desmatamento: A retirada de vegetação para agricultura ou construção reduz a capacidade de absorção de CO2.
  • Desperdício de água: O consumo excessivo pode gerar escassez hídrica e impactar os ecossistemas.

Causas

  • Uso de plástico descartável contribui para a poluição dos oceanos.
  • Alta demanda por carne leva ao desmatamento para pastagens.
  • Obsolescência programada incentiva o descarte precoce de eletrônicos.
  • Falta de transporte público eficiente estimula o uso de veículos individuais.
  • Exploração de madeira e agronegócio impulsionam a destruição florestal.
  • Uso irresponsável da água em atividades diárias leva ao esgotamento de reservas.

Efeitos

  • Acúmulo de lixo e plástico nos oceanos afeta a fauna marinha.
  • Emissão de gases do efeito estufa agrava o aquecimento global.
  • Maior extração de recursos naturais para fabricar novos produtos.
  • Congestionamentos e perda de qualidade de vida nas cidades.
  • Aumento de ilhas de calor em centros urbanos por falta de áreas verdes.
  • Falta de água potável impacta comunidades vulneráveis e a segurança alimentar.

Soluções

  • Redução do uso de plástico descartável e incentivo à reciclagem.
  • Consumo consciente de alimentos e apoio a práticas de agricultura sustentável.
  • Economia circular e reutilização de materiais para minimizar o descarte.
  • Investimento em transporte público e meios alternativos como bicicletas.
  • Reflorestamento e proteção de áreas de preservação.
  • Captação e reaproveitamento de água da chuva para consumo.

Projetos de Educomunicação

  • Jornal mural: Criar um mural na escola destacando os impactos das atividades humanas no meio ambiente e as soluções possíveis.
  • Fotografia: Realizar uma exposição fotográfica sobre os efeitos da poluição e das mudanças climáticas no território local.
  • Podcast: Produzir episódios discutindo temas ambientais, entrevistando especialistas e compartilhando iniciativas sustentáveis.

  • Vídeo curto para TikTok: Criar vídeos educativos curtos para sensibilizar sobre consumo consciente e preservação ambiental.
  • Fanzine: Desenvolver um fanzine coletivo abordando causas, efeitos e soluções ambientais de forma criativa.
  • Canal de conteúdo no Instagram: Criar um perfil educativo para compartilhar dicas sustentáveis e engajar a comunidade escolar na causa ambiental.

Exemplo de Conexão:

  • Atividade Humana: Mobilidade → Causa: Uso excessivo de combustíveis fósseis → Efeito: Aumento do efeito estufa → Solução: Investimento em transporte coletivo e energia limpa → Projeto de Educomunicação: Produzir um vídeo curto para TikTok mostrando os benefícios da mobilidade sustentável.

Variação do Jogo:

  • Acrescentar desafios bônus, como debates e dinâmicas de grupo sobre temas ambientais. A atividade pode ser customizada com outras atividades humanas e pode ser construidas com post it,  recordes de jornais e revistas para ilustrar, as atividades educomunicativas podem ser outras.

O jogo "Bom de Clima" é uma forma lúdica e educativa de estimular a consciência ambiental e discutir soluções para minimizar os impactos das atividades humanas no planeta. A inclusão de propostas de Educomunicação amplia as possibilidades de aprendizagem e transforma conhecimento em ação.

Por Carlos Lima : Educomunicador e professor

Imagens: Oficina Educomunicação Sociambiental | Educom&Clima no Sesc Consolação 


sábado, 8 de fevereiro de 2025

Para combater as mudanças climáticas, é preciso "Belezuras"!


Para Freire, na boniteza da vida é preciso ter também um pouco de ousadia e rebeldia, e o diálogo é essencial e libertador. O diálogo leva ao conhecimento, é a essência daquilo que buscamos. É uma possibilidade de esperançar, de resistir, de reinventar-se. O diálogo é a grande boniteza da vida!  Escrito por Maria Lourdes  Freitas da Silva está linda definição inspira a ação que nasce para formar mediadores para um mundo melhor. (leia na íntegra)

Ontem, uma iniciativa inédita nasceu no Sesc Consolação: a formação l “Educomunicação Socioambiental: precisamos conversar sobre emergência climática nas escolas”. Uma trupe de professores, estudantes de Educomunicação, pesquisadores e especialistas em Meio Ambiente embarcaram em uma jornada coletiva para desenvolver um programa pretende educar a juventude paulistana e, no futuro, formará professores de todo o país.

As ações para mitigar os impactos das mudanças climáticas não podem ficar para amanhã – precisam acontecer hoje. Mobilizar a juventude para refletir sobre um mundo mais sustentável é um dos pilares do curso Estudante Mediador dos ODS que foi realizado em 2020, 2021 e 2024. Os jovens têm ideias brilhantes e são agentes fundamentais na construção de soluções para um futuro melhor. Projetos de intervenção social criados por eles despertam esperanças e concretizam ações transformadoras nas comunidades. Esta ação formativa que foi um encontro e estudantes e professores no processo de formação, foi uma ação "abre alas" para o curso Educomunicação Socioambiental.

Peofessor Ismar Soares (USP) ouve a participação de Marcos Sorrentino (Ministério do Meio Ambiente)

A Educomunicação Socioambiental já faz parte da formação de professores em São Paulo há quase uma década. Quando unimos Educomunicação e Educação Ambiental, potencializamos a formação das juventudes, promovendo espaços de expressão, criatividade, visão coletiva e diálogo. O  histórico desta aproximação é apresentada no artigo clique aqui,"A educomunicação socioambiental na Rede Municipal de Educação de São Paulo: histórico e análise a partir das perspectivas socioambiental, territorial e democrática

Cada projeto de intervenção social desenvolvido pelos estudantes é uma belezura, encantando e transformando os territórios. Os jovens repórteres do Imprensa Jovem, com seus canais de comunicação comunitária, são verdadeiros faróis na cidade. Hoje são 400 unidades educacionais, mas podem ser muito mais no ano da COP 30.

Assista os vídeos com propostas desenvolvidas pelos estudantes.Clique na imagem

Essa iniciativa, que nasce da parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, o Núcleo de Comunicação e Educação da USP e a Secretaria Municipal de Educação  e financiamento da FAPESP, é um modelo para o mundo. Com o protagonismo do Núcleo de Educomunicação, Núcleo de Educação Ambiental da equipe do projeto Educom & Clima clique aqui, essa força-tarefa busca alcançar as crianças, adolescentes e jovens por meio das escolas e das aulas – aulas progressistas e educomunicativas, que tratam de um tema urgente, sobretudo para as periferias, onde os impactos ambientais são ainda mais severos.

Apesar da desinformação que muitas vezes obscurece a compreensão da crise climática, os estudantes irão falar por nós. Eles sabem que é preciso agir. E, como bons semeadores da transformação, aproveitarão a chuva e a terra molhada para plantar a cultura de paz e um meio ambiente que permita um bem viver para todos.

Por Carlos Lima : Educomunicador e professor

Imagem: Encontro do curso Educomunicação Socioambiental no Sesc Consolação

Saiba mais :  

Educom & Clima :  acesse

Núcleo de Educomunicação:  acesse aqui

Núcleo de Educação Ambiental: acesse aqui

FAPESP: acesse aqui


sábado, 19 de outubro de 2024

Mudanças Climáticas contextualizado para o universo dos estudantes


Na entrevista para o podcast Podaconversar, o pesquisador Felipe Gonçalves, da UFRJ, discutiu as mudanças climáticas com os estudantes da Agência de Notícias Imprensa Jovem do Colacioppo. Durante os 12 minutos de conversa, diversas perguntas elaboradas pelos jovens repórteres trouxeram à tona conceitos fundamentais ligados ao tema, especialmente relacionados ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13, que trata da ação contra a mudança global do clima. 

Quais foram as perguntas realizadas pelos estudantes Tomas Lima e Sofia Antonela que geraram o mundo conhecimento  que iremos destrinchar?

Como você acha que as atividades humanas acertam os padrões climáticos?

Aqui em São Paulo e no sul do país tivemos uma forte tempestade com fortes ventos e aconteceu da queda de energia, derrubada de pontes. O  que você acha que causou isso?

Quais são as adaptações necessárias para que os ecossistemas brasileiros possam enfrentar as mudanças climáticas?

Que medidas você considera mais urgentes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas?

Como as Mudanças Climáticas estão impactando a biodiversidade do Brasil ?

Quais são as principais consequências das mudanças climáticas que você tem estudado em sua pesquisa?

Que papel as Universidades como UFRJ desempenham na promoção de soluções para os desafios climáticos?

Aqui em São Paulo e no sul do país tivemos uma forte tempestade com fortes ventos e aconteceu da queda de energia, derrubada de pontes. O que você acha que causou isso?



Ao analisar a entrevista, destacamos um vocabulário essencial para compreender melhor os efeitos das mudanças climáticas. A formação dos estudantes passa pelo entendimento desses termos, que são cruciais para debates sobre sustentabilidade e o futuro do planeta. Vamos conhecer alguns desses conceitos:

  • Mudanças antrópicas: Alterações no meio ambiente causadas pela ação humana.
  • Mudanças climáticas: Transformações duradouras no clima da Terra, em grande parte decorrentes das atividades humanas.
  • Gás carbônico (CO₂): Um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global.
  • Efeito estufa: Fenômeno natural intensificado pela ação humana, que retém calor na atmosfera, aumentando a temperatura global.
  • Aquecimento global: O aumento da temperatura média da Terra, resultado da intensificação do efeito estufa.
  • Eventos climáticos extremos: Fenômenos intensos como tempestades, secas e inundações, que têm ocorrido com mais frequência devido às mudanças climáticas.
  • Magnitude e frequência: Termos usados para descrever a intensidade e a regularidade dos eventos climáticos.
  • Adaptação: Ações para ajustar sistemas naturais e humanos aos efeitos das mudanças climáticas.
  • Mitigação: Redução dos impactos das mudanças climáticas, como a diminuição das emissões de gases de efeito estufa.
  • Ecossistema: Conjunto de seres vivos e o ambiente com o qual interagem.
  • Desmatamento: Destruição de áreas de floresta, um dos principais fatores que contribuem para as mudanças climáticas.
  • Incêndios florestais: Queimadas que podem ser naturais ou provocadas, com efeitos devastadores nos ecossistemas.
  • Biomas: Grandes áreas com condições climáticas e tipos de vegetação similares, como a Amazônia e o Cerrado.
  • Mata Atlântica: Um dos biomas mais ricos em biodiversidade, mas também um dos mais ameaçados.
  • Regeneração natural: Processo pelo qual a natureza se recupera após perturbações, como desmatamentos e queimadas.
  • Áreas de proteção: Regiões preservadas para a conservação da biodiversidade.
  • Políticas públicas: Medidas governamentais destinadas a mitigar os efeitos das mudanças climáticas e promover a sustentabilidade.
  • Acordo global: Compromissos internacionais, como o Acordo de Paris, para limitar o aquecimento global.

Esses conceitos fornecem a base para entender o impacto das ações humanas no clima e as possíveis soluções. A Educomunicação desempenha um papel fundamental ao abrir espaços para que os estudantes possam acessar, discutir e difundir esses conhecimentos. Nesse contexto, a realização de entrevistas bem conduzidas, como a que foi feita com Felipe Gonçalves, fortalece o aprendizado e o engajamento juvenil nas questões ambientais.

Por fim, é essencial que a escola se torne um espaço de ensino, pesquisa e extensão, onde os estudantes não só aprendam sobre os desafios climáticos, mas também sejam incentivados a criar soluções para enfrentá-los, como hortas comunitárias e iniciativas de adaptação e mitigação. Assim, as novas gerações estarão mais preparadas para enfrentar os desafios globais e locais do clima, sendo parte ativa das mudanças que o planeta tanto precisa.

Por Carlos Lima

Fotos: Acervo Imprensa Jovem





domingo, 9 de junho de 2024

A educomunicação socioambiental na Rede Municipal de Educação de São Paulo: histórico e análise a partir das perspectivas socioambiental, territorial e democrática


A interface entre educomunicação e educação ambiental crítica está presente na Rede Municipal de Educação de São Paulo (RME-SP) desde 2008. Este artigo apresenta o histórico das ações de educomunicação socioambiental na maior rede pública do Brasil e analisa essas experiências a partir de três perspectivas: a socioambiental em si (cruzamento entre direitos humanos e as questões ditas ecológicas), a territorial (a partir da ideia de aterramento e de trabalho em rede) e a democrática (potencialização da gestão participativa). Também são apresentados dados inéditos das práticas de comunicação de 746 escolas municipais paulistanas que participaram de um mapeamento realizado em 2021. Em seu conjunto, todos esses dados e reflexões revelam como as unidades educacionais da RME-SP vêm se constituindo em lócus estratégico de articulação entre o global e o local.

Acesse o artigo na integra clique aqui clique aquilique aqui

Autores 

Thaís Brianezi, Professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP) Professora da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e pesquisadora do Núcleo de Comunicação e Educação (NCE).

Carlos Lima, Coordenador do Núcleo de Educomunicação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo Professor da Rede Municipal de Educação de São Paulo (RME-SP), criador do projeto Imprensa Jovem e coordenador do Núcleo de Educomunicação da Secretaria Municipal de Educação (SME).

Ednéia Oliveira, Consultora da Unesco Brasil Consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura no Brasil (Unesco Brasil).

Carmen Gattás, Pós-doutoranda no Programa Educação Ambiental no Instituto de Biocências (IB/USP) Pós-doutoranda no Programa Educação Ambiental no Instituto de Biocências da Universidade de São Paulo (IB/USP) e pesquisadora do projeto Biota/FAPESP.


Imagem : Imagem de Freepik

Quando a Educomunicação também pode ter níveis de aprendizagem?

  Outro dia, durante uma aula de língua estrangeira, ouvi o professor apresentar os níveis de proficiência: B1, B2, C1, C2. A ideia é simple...