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sexta-feira, 7 de março de 2025

Vamos falar sobre Bem Viver na escola?


Quando você pensa em Bem Viver, o que vem à sua mente? E na escola, como podemos aplicar essa filosofia no dia a dia?

O conceito de Bem Viver tem raízes nas comunidades indígenas andinas, em especial entre os Quéchuas, que há séculos vivem em harmonia com a natureza e entre si. Seu princípio fundamental é o equilíbrio: viver de forma respeitosa, solidária e dialógica, construindo relações baseadas na reciprocidade e no respeito mútuo.

Quem sistematizou e popularizou essa concepção foi Alberto Acosta, economista e pesquisador, que ajudou a incluir os Direitos da Natureza na Constituição do Equador. Para ele, o Bem Viver não é apenas uma filosofia, mas um modelo de organização social que propõe novas formas de convivência entre os seres humanos e a natureza.

Princípios do Bem Viver

Bem Viver orienta a vida em comunidade e pode ser traduzido em algumas práticas essenciais:

  • Valorizar a reciprocidade, a amizade fraterna e o respeito pela terra
  • Reconhecer e respeitar as diferentes identidades culturais
  • Promover uma economia solidária e sustentável
  • Repensar padrões de produção e consumo, buscando qualidade de vida para todos
  • Fortalecer a soberania com modelos de produção local
  • Estimular a participação ativa na política e na vida comunitária
  • Fomentar a economia interna e externa de forma complementar
  • Questionar e reinventar estruturas políticas tradicionais
  • Priorizar o crescimento com qualidade, não apenas com quantidade

O que o Bem Viver tem a ver com a escola?

A escola é um espaço de relações humanas. Professores, estudantes, famílias, funcionários, gestores e a comunidade formam um ecossistema vivo e dinâmico, onde os conflitos fazem parte do cotidiano. Mas será que a escola está preparada para lidar com esses conflitos de forma construtiva?

O estudante é o centro da escola, mas cada um é um sujeito único, com experiências e desafios distintos. Esses sujeitos não apenas vivem a escola, mas a transformam. Quando os conflitos surgem, muitas vezes vemos a escola presa em um ciclo contínuo de tensões e tentativas de mediação que nem sempre resolvem a raiz do problema.

Se, em vez de apenas remediar os conflitos, a escola adotasse uma cultura de Bem Viver, poderíamos ir além da mediação e investir na construção de uma Cultura de Paz. Isso significaria transformar as relações escolares, tornando-as mais colaborativas, respeitosas e dialógicas desde o princípio.

Educomunicação como ferramenta para o Bem Viver

Em 2001, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo adotou o projeto Educom.Rádio como estratégia para promover a paz em escolas localizadas em regiões de alta vulnerabilidade social. Por meio das ondas do rádio, estudantes e professores passaram a usar a comunicação para transformar a realidade escolar.

Educomunicação atua como um antídoto contra a violência escolar, pois fortalece a escuta ativa, o diálogo e o protagonismo juvenil. Quando os estudantes compreendem o ecossistema comunicativo da escola e têm voz ativa, tornam-se agentes de mudança, contribuindo para um ambiente mais colaborativo e respeitoso.

Se queremos romper com o ciclo de conflitos na escola, precisamos investir em práticas que fortaleçam a Cultura de Paz. O Bem Viver pode ser um caminho poderoso, e a Educomunicação pode ser a ferramenta essencial para construí-lo. Afinal, uma escola que valoriza a expressão, o diálogo e a participação ativa de todos é uma escola que verdadeiramente promove o Bem Viver.

Por Carlos Lima : Educomunicador e professor 

Foto: Yasmin Ribeiro - Imprensa Jovem EMEF Josué de Castro 



terça-feira, 21 de janeiro de 2025

O mundo não será o mesmo. E a Educomunicação?

Em um curto espaço de tempo, o mundo parece ter dado um giro de 180 graus. Domesticamente e mundialmente, os modos de vida estão sendo desafiados e transformados. No Brasil, novas legislações afetam a maneira como os jovens deverão interagir  com  a cultura construida com eles,  entre os quais os usos sociais de ambientes virtuais e sistemas tecnologizados.  Redes, antes projetadas para construir conexões e disseminar conhecimento, têm sido usadas para manipular conceitos de certo e errado, verdade e mentira, a ponto de influenciar decisões de governos e moldar a opinião pública. Lá fora, assistimos ao surgimento de uma nova ordem internacional que ignora os direitos humanos e impõe uma lógica de dominação.

Nesse contexto, cumprir as agendas do Bem Viver tornou-se um desafio imenso. Mais do que nunca, o Bem Viver precisa ser revolucionário. A imposição da “verdade” de poucos sobre a vida de muitos, alimentada por um clube das grandes tecnologias, ameaça as bases de uma convivência ética e plural. O Sul Global — América Latina, África, Ásia e Oriente — precisa resistir, unir forças e reimaginar um futuro que não seja dominado pelo poder do dinheiro. Caso contrário, corremos o risco de sucumbir ao "império do money, money, money".

E a Educomunicação diante desse cenário?

A Educomunicação não pode ser espectadora passiva dessas mudanças. Não há mais lugar para a postura de quem olha o mundo pela janelinha de um avião, sem agir. É preciso atenção, reflexão e, sobretudo, ação. O papel da Educomunicação é lançar luz sobre o que está acontecendo nas escolas, espaços onde as mudanças globais inevitavelmente se refletem. São as escolas que acolhem vozes e pensamentos moldados por essa nova atmosfera ideológica, muitas vezes desafiadora para as ideias do Bem Viver.

Aqui, não precisamos de mais combates, mas de convívio. Um convívio que respeite a pluralidade de pensamentos, promova o diálogo e valorize a escuta ativa. Mediar nunca foi tão importante. As escolas, como microcosmos da sociedade, precisam de ações pedagógicas que promovam a reflexão, a expressão e a comunicação. Mais do que atender metas institucionais, é essencial colocar o bem-estar e a autonomia dos frequentadores da escola no centro das prioridades.

O diálogo como ferramenta transformadora

A Educomunicação tem em suas mãos o poder de lançar o diálogo como ferramenta de empoderamento escolar. Projetos, intervenções sociais, reflexões e criações são meios de tornar a aula um espaço vivo, conectando o microcosmo da escola ao mundo. É preciso formar cidadãos críticos, capazes de questionar, criar e propor soluções para os desafios que enfrentamos.

O mundo mudou e continuará mudando. A Educomunicação precisa ser protagonista nesse cenário, ajudando a construir uma sociedade que, apesar das diferenças, promova o respeito mútuo, a convivência ética e o Bem Viver. Mais do que nunca, a escola e a Educomunicação precisam estar em estado interventivo, para o mundo e por um mundo melhor.

Por Carlos Lima: Educomunicador e professor 

Imagem Pixabay 

Quando a Educomunicação também pode ter níveis de aprendizagem?

  Outro dia, durante uma aula de língua estrangeira, ouvi o professor apresentar os níveis de proficiência: B1, B2, C1, C2. A ideia é simple...