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quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Escutar os estudantes: muitas formas de avaliar uma escola democrática


A régua que mede uma escola democrática pode variar muito. Para os estudantes, ela tem um significado; para a própria instituição, outro; e para os órgãos gestores, ainda outro.

Uma rede de ensino submeteu seus alunos a uma pesquisa simples, mas reveladora: “Você sente que é ouvido na sua escola?” O resultado mostrou que 65% dos estudantes acreditam ter espaço de voz, enquanto 35% afirmaram não se sentir escutados. O dado foi considerado positivo, sendo associado às políticas de fortalecimento de instâncias formais de participação, como o grêmio estudantil.

Mas será que essa não seria uma régua estreita demais para medir a real participação?

A escola abriga múltiplas formas de expressão e escuta que vão muito além das estruturas institucionais. Projetos de Educomunicação, por exemplo, combinam comunicação criativa e protagonismo juvenil, permitindo que estudantes vocalizem temas de relevância comunitária dentro e fora do território escolar. Em contextos de maior vulnerabilidade social e de violência, não é raro que esses projetos sejam acionados justamente por seu potencial de diálogo e transformação.

A escuta também se manifesta em atividades culturais. O Slam, a poesia, o teatro, as artes visuais e audiovisuais são mídias que funcionam como pontes para compartilhar pontos de vista, visões e reflexões. Os eventos culturais, sociais e científicos, assim como as festas organizadas pelos próprios estudantes, abrem espaço para outras narrativas.

Há ainda os projetos de intervenção social desenvolvidos pelos alunos dos últimos anos do Ensino Fundamental. Neles, surgem propostas temáticas que muitas vezes não estão no currículo formal — debates sobre gênero, diversidade, mundo do trabalho ou sexualidade — e que podem gerar impactos reais na comunidade.

Agora, imagine se todas essas iniciativas estivessem organizadas em um sistema capaz de registrar e analisar os diferentes modos de participação estudantil. As perguntas ganhariam respostas mais amplas: A escola promove a participação dos estudantes? De que formas? Com quais impactos?

A régua da democracia escolar precisa ser alargada. Escutar os estudantes é mais do que abrir espaço formal de fala: é reconhecer que a participação também pulsa na cultura, na arte, na comunicação e na intervenção social.

Por Carlos Lima - Educomunicador e professor

Foto: Imprensa Jovem

quinta-feira, 27 de março de 2025

O papel da imprensa jovem como veículo de comunicação e participação democrática


Quando Brecht pensou no rádio como meio de comunicação de mão dupla, talvez estivesse vislumbrando as possibilidades democráticas que ele poderia oferecer. Mais de um século depois, uma escola da zona sul de São Paulo, na região da Capela do Socorro, a EMEF Doutor Afrânio de Mello Franco, aproveitou essa ideia e os recursos tecnológicos disponíveis para criar uma experiência única: transmitir para todos os estudantes, professores e a comunidade escolar um debate ao vivo entre os candidatos ao grêmio estudantil de 2025.

Como o Laboratório de Educação Digital (LED) conta com um projeto de Imprensa Jovem atuante e comprometido em dar voz aos alunos e à comunidade escolar, surgiu o desafio de organizar um debate estudantil para discutir as propostas das chapas concorrentes ao grêmio. A princípio, a primeira ideia debatida foi reunir todos os estudantes no pátio durante uma ou duas aulas. No entanto, logo nos deparamos com alguns desafios, sendo o principal deles a questão logística: como acomodar tanta gente no mesmo espaço, ao mesmo tempo, sem gerar confusão, garantindo a participação de todos nos dois turnos? Rapidamente percebemos que essa opção exigiria uma organização complexa e, com certeza, resultaria em algumas reclamações ao final do dia.

Assista ao debate clicando na imagem

As experiências nos ensinam muito. Talvez a maior de todas tenha sido a pandemia iniciada em 2020. Com ela, vieram muito sofrimento, mas também muitas aprendizagens, inclusive tecnológicas. Foi a partir desse contexto que pensamos em um formato virtual, pois todas as salas são conectadas à internet e possuem telões e caixas de som. Ainda assim, restava solucionar a questão da interatividade, garantindo voz e participação de toda a escola de forma síncrona, ou seja, ao mesmo tempo.

No ano passado, em 2024, a Imprensa Jovem participou de uma série de eventos, incluindo a Bienal do Livro. Durante esse evento, conhecemos a ferramenta StreamYard, apresentada pelo professor Carlos Lima. Esse programa permite a transmissão ao vivo de eventos e possibilita a interação dos participantes por meio do chat. Com essa referência em mente, decidimos realizar um teste para garantir que tudo ocorresse da melhor forma possível.

No dia 20 de março, pela manhã, todas as salas estavam preparadas, os representantes das chapas estavam dentro do estúdio (nosso LED). O link foi compartilhado no grupo de WhatsApp dos professores, para que eles pudessem projetar a transmissão diretamente pelo YouTube. Um silêncio absoluto tomou conta da escola. Tensão no ar. O professor Iranildo Ramos, mediador, a postos. Apenas um clique no botão "Transmitir ao vivo", e, em poucos segundos, toda a escola assistia à vinheta de abertura do evento, com olhares atentos e admirados diante das novas possibilidades que iam além do debate. Tudo ocorreu conforme planejado: vinhetas, banners, música, falas do mediador, participação dos debatedores, chat interativo. Alguns minutos depois, um clique no botão "Parar transmissão", e gritos eufóricos ecoaram pelos corredores da escola. Como educadores, raramente nos deparamos com momentos tão marcantes. O sentimento de união, comprometimento e envolvimento com uma ideia era evidente.

Na manhã seguinte, 21 de março, realizamos a mesma transmissão, seguindo o mesmo esquema. Que debate! O mediador ressaltou a importância histórica do momento. Ao vivo, estudantes de toda a escola, equipe gestora e professores acompanharam, em silêncio, as ideias dos candidatos ao grêmio. No clique final, a mesma sensação do dia anterior: euforia e senso de dever cumprido.

Após o debate, a Imprensa Jovem aproveitou o momento para realizar uma pesquisa sobre as chapas que melhor apresentaram suas propostas. Como professor, acompanhei à distância para garantir maior autonomia aos estudantes, que circulavam com seus coletes laranja entre os demais alunos, fazendo perguntas, anotando respostas em tablets e registrando tudo com uma câmera. No período vespertino, repetimos o debate, adicionando um diferencial: uma repórter ao vivo para interagir com os alunos mais novos nas salas.

Agora, a escola está preparada para as eleições do grêmio, que acontecerão nesta segunda-feira, 24 de março, aguardando ansiosamente os vencedores. Mas já sabemos que a primeira vitória foi de todos. E não se trata apenas de uma ferramenta tecnológica. Trata-se das portas que se abrem quando colocamos os estudantes no centro do protagonismo.

Talvez alguém questione o fato de um professor ter sido o mediador do debate. No entanto, essa escolha partiu dos próprios alunos, que estavam diretamente envolvidos nas chapas e optaram por um personagem neutro para conduzir o evento.

De qualquer forma, deixo o link do debate para que o leitor possa assistir e sentir um pouco do que vivenciamos nesses dias. Não dizem que uma imagem vale mais que mil palavras? Pois é... neste caso, a imagem complementa as palavras, e eu já não encontro palavras suficientes para expressar o orgulho de termos feito história.

Produzido por: Professor Marcelo PennaPOED Doutor Afrânio de Mello Franco
Imagem: Imprensa Jovem Afrânio de Mello



quinta-feira, 13 de março de 2025

O Grêmio Estudantil: Quando a Juventude Toma as Rédeas do Futuro


Em cada corredor, em cada sala de aula e nos encontros entre amigos no intervalo, algo muito maior acontece além das aulas e provas. Nossa escola não é apenas um espaço de aprendizado acadêmico, mas um terreno fértil para a formação de cidadãos críticos, ativos e protagonistas da própria história. E é nesse cenário que o Grêmio Estudantil se torna peça-chave na construção de uma escola verdadeiramente democrática.

Neste ano, testemunhamos um momento especial: duas chapas disputando a representação dos estudantes – a Revolução Jovem e a Periferia Tá On. Cada uma com sua identidade, propostas e sonhos, mas ambas com um propósito comum: fortalecer a voz estudantil e tornar a escola um espaço mais inclusivo, participativo e transformador.

Mas por que isso importa tanto? Porque participar do Grêmio Estudantil não é só assumir um cargo, organizar eventos ou representar os colegas. É uma revolução silenciosa na forma como enxergamos o mundo e nosso papel nele. Quem participa descobre que pode – e deve – ser agente de mudança. Aprende a argumentar, a liderar, a ouvir diferentes perspectivas e a construir soluções coletivas. E mais do que isso: desenvolve uma consciência de que democracia não é algo abstrato ou distante, mas uma construção diária que começa dentro da escola.

Para quem acha que a escola é um espaço apenas de repasse de conhecimento, o Grêmio Estudantil prova o contrário. Através dele, os alunos deixam de ser meros espectadores e tornam-se protagonistas, entendendo que sua voz tem peso e que sua participação pode redefinir rumos. Cada proposta apresentada, cada debate realizado e cada conquista obtida são sinais de que a juventude não está passiva – está atenta, atuante e disposta a fazer a diferença.

Independentemente de qual chapa tenha levado a eleição, o verdadeiro vencedor é o coletivo estudantil. Porque quando há disputa de ideias, engajamento e mobilização, há um fortalecimento da cultura democrática que transcende os muros da escola. E esse é o maior legado do Grêmio: formar jovens que compreendem seu papel na sociedade e que sabem que podem transformar o que for preciso.

Que essa eleição seja apenas um dos muitos passos rumo a uma escola mais democrática, diversa e potente. E que os estudantes nunca percam essa chama de protagonismo, pois é nela que reside a verdadeira revolução.

Texto produzido por Patty Fernandes 

Publicado no blog 

https://educomunicarse.blogspot.com

Quando a Educomunicação também pode ter níveis de aprendizagem?

  Outro dia, durante uma aula de língua estrangeira, ouvi o professor apresentar os níveis de proficiência: B1, B2, C1, C2. A ideia é simple...