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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

O uso pedagógico do celular em práticas educomunicativas: 10 motivos para o professor mediador


O uso do celular na escola tem sido um tema de amplo debate, culminando na criação de legislação que restringe seu uso indiscriminado. No entanto, é essencial destacar que, quando mediado pedagogicamente, o celular pode ser uma ferramenta poderosa para a aprendizagem e a Educomunicação. Ao invés de apenas proibir, é possível regular e orientar seu uso para estimular a criatividade, o pensamento crítico e a produção de conteúdo educativo.

A legislação vigente prevê o uso pedagógico do celular. O artigo 3º da Lei 15.100/25 - Dispõe sobre a utilização, por estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nos estabelecimentos públicos e privados de ensino da educação básica (acesse),  estabelece:

Art. 3º - É permitido o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes, independentemente da etapa de ensino e do local de uso, dentro ou fora da sala de aula, para os seguintes fins:

I - garantir a acessibilidade; II - garantir a inclusão; III - atender às condições de saúde dos estudantes; IV - garantir os direitos fundamentais.

A Educomunicação, enquanto abordagem que integra comunicação e educação, já utiliza o celular como recurso essencial para o desenvolvimento da competência comunicativa e crítica, alinhada às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O Programa Imprensa Jovem tem demonstrado como o uso criativo e responsável dessa tecnologia potencializa o protagonismo estudantil.

A cidade de São Paulo cria Instrução Normativa e prevê o uso pedagógico do equipamento

A Instrução Normativa SME nº5 de 03 de fevereiro de 2025 publicada em Diário Oficial, dispõe sobre o uso de celulares e equipamentos eletrônicos durante as aulas, nos recreios, ou intervalos entre outras atividades desenvolvidas no âmbito das Unidades Educacionais da Rede Municipal de Ensino. A medida  prevê, assim como no ambito da lei federal o uso pedagógico. Acesse a normativa clique aqui.


Publicação da normativa no Diário Oficial 

10 Motivos para o uso educativo do celular na Educomunicação

1. Criação de Histórias em Quadrinhos

Utilizar aplicativos e ferramentas digitais para criar HQs permite que os estudantes expressem suas ideias de forma criativa, aliando narração e ilustração.

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2. Fotografia Escolar

Uma imagem vale mais que mil palavras! O celular possibilita a captação de momentos importantes do cotidiano escolar, promovendo o olhar crítico e a expressão visual.

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3. Produção de Telejornal Escolar

Com apenas um celular, os alunos podem gravar e editar vídeos, criando noticiários sobre eventos e projetos da escola.

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4. Uso do Celular no Imprensa Jovem

As agências de notícias escolares utilizam o celular para produção de podcasts, entrevistas e transmissões ao vivo, incentivando o jornalismo estudantil.

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5. Podcast na Educação

A gravação de podcasts permite que os alunos desenvolvam habilidades de comunicação oral, pesquisa e edição de áudio.

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6. Mobilização Estudantil pelas Redes Sociais

Projetos como "O estudante tem voz!" mostram como o celular pode ser utilizado para envolver os alunos em debates sobre educação e sociedade.

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7. Combate às Fake News

A educação midiática com o uso do celular possibilita atividades para ensinar os estudantes a identificar e combater desinformação.

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8. Imprensa Jovem em Sala de Aula

O projeto incentiva os alunos a realizarem entrevistas, coberturas jornalísticas e produção de conteúdo autoral.

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9. Conexão Escola e Comunidade

O celular pode ser usado para divulgar projetos, promover eventos e estreitar laços entre escola e famílias.

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10. Criação audiovisual promovendo a Educação Midiática


As redes sociais são um espaço fundamental de contato das novas gerações com as tendências do mundo. Os vídeos curtos representam um dos formatos de maior consumo entre os jovens, tornando-se uma linguagem acessível e poderosa para expressão e comunicação. Com a popularização dos smartphones, a produção audiovisual está ao alcance de todos, permitindo a criação de conteúdos com qualidade utilizando apenas um celular. Ferramentas como edição rápida, filtros, legendas automáticas e captura em alta resolução facilitam o processo criativo e ampliam as possibilidades de engajamento. Essa cultura audiovisual, presente no cotidiano dos jovens, pode ser uma oportunidade para a criação de projetos de intervenção social, abordando temas como mudanças climáticas, direitos humanos, saúde, mercado de trabalho e outros assuntos relevantes para a juventude. Aliar o uso do celular a estratégias educomunicativas contribui para a construção de um aprendizado mais significativo, participativo e alinhado à realidade digital dos estudantes.

Acesse a proposta  (Clique aqui)

O desafio é mediar e orientar o uso do celular, garantindo que ele seja uma ferramenta de aprendizagem e não apenas de entretenimento. Ao integrar tecnologias digitais às práticas pedagógicas, a Educomunicação reforça seu papel na promoção da autonomia, do pensamento crítico e da expressão criativa dos estudantes.

Por Carlos Lima: Educomunicador e professor

Imagem:  Arquivo Imprensa Jovem

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Educomunicação: desafios e oportunidades para integrar tecnologias e práticas pedagógicas na escola

 


Hoje fui à escola para assinar a matrícula da minha filha. Durante a conversa, fui informado sobre a proibição do uso do celular no ambiente escolar. O ponto que mais me chamou a atenção foi a total ausência de uma discussão sobre o uso pedagógico desses dispositivos. Quem me atendeu foi categórica: não há possibilidade de utilizá-los em sala de aula.

Tentei argumentar sobre o uso pedagógico dos celulares, amparado pela nova legislação que prevê a utilização da tecnologia em práticas praticas pedagógicas, mas a resposta foi irredutível. Quando mencionei o Imprensa Jovem, fui informado que poderia ser uma exceção, já que se trata de um projeto à parte, fora do horário regular de aulas. Essa conversa despertou em mim duas grandes preocupações.

A primeira diz respeito à resistência em integrar novas tecnologias às práticas pedagógicas cotidianas. Parece que ainda enfrentamos o conceito da "escola ilha", isolada das transformações tecnológicas e sociais que vivemos fora de seus muros. Essa postura não apenas limita o potencial de aprendizado com as inovações que impacteam o cotidiano da sociedade, mas também dificulta a preparação dos estudantes para um mundo cada vez mais conectado numa sociedade cada vez mais integrada as tecnologias digitais e linguagens midiáticas.

A segunda preocupação é sobre como os projetos escolares, sobretudo de ampliação da jornada escolar,  são percebidos dentro das instituições. Muitas vezes, iniciativas como o projetos educomunicativos e outros  são tratadas como atividades sem grande relevancia educativa.  Não são encarados como ações educativas curriculares ou reconhecidas seu valor como práticas pedagógicas estruturantes. Esse olhar fragmentado pode reduzir o impacto transformador que esses projetos têm na formação dos estudantes.

Diante desse cenário, acredito que é urgente fortalecermos a Educomunicação como potencial área de conhecimento nas escolas, tanto quanto  as matérias tradicionais. Essa integração garantiria que todos os estudantes, sem exceção, tivessem acesso às práticas educomunicativas e ao uso crítico das tecnologias de comunicação e informação.

Sei que essa ideia ainda é uma proposta que precisa ganhar apoio, mas vejo oportunidades de implementação em programas como a Educação Integral  e no Ensino Médio a partir do itinerário de comunicação. Esses contextos oferecem espaço para inovação curricular, permitindo que a Educomunicação seja incorporada de forma significativa e estruturada, além de oferecer as aulas a mediação de um(a) professor(a) devidamente preparado, o que de algum favoreceria o uso pedagógico e educativo das novas tecnologias e linguagem desenvolvida pela sociedade. Por isso, que  não deixemos de  aproveitar essas oportunidades para ampliar o alcance e o impacto da Educomunicação, transformando-a em um direito educacional para todos e todas.

Por Carlos Lima - Professor e Educomunicador 


segunda-feira, 17 de junho de 2024

A importância de ensinar e educar o uso do celular nas escolas


O que você, seu filho ou filha, e seus parentes mais velhos usam no cotidiano: computador ou celular? É bem possível que a resposta seja celular. No dia a dia, quase tudo se realiza pelo celular. Mesmo em tarefas que costumavam ser mais confortáveis no computador, como escrever um texto, o celular encontrou soluções, como o uso de leitores de voz para enviar mensagens no WhatsApp.

Poucas pessoas possuem um computador, seja desktop ou notebook, mas quase todas as casas têm pelo menos um celular. Adquirir um computador com performance básica pode custar o equivalente a um celular sofisticado, que oferece bons recursos para aplicativos, câmera, acesso à internet, além de ser fácil de transportar e usar em situações de lazer, trabalho e estudo.

Quando pensamos em estudo, o cenário pode e deve incluir o celular. Recentemente, conversei com uma professora de uma escola de educação de jovens e adultos sobre o que os estudantes realizam no laboratório cheio de computadores. Ela me disse: "Aqui, os estudantes fazem pesquisas e escrevem no Word". Então, perguntei se poderíamos oferecer uma aula sobre o uso de aplicativos de celular para criar programas de rádio com histórias de vida dos próprios alunos. A resposta foi surpreendente: "Como, professor? Não usamos celulares no laboratório, só computadores".

Isso me fez refletir sobre por que os adultos não poderiam usar as aulas de informática para aprender tecnologias mais coerentes com seu uso cotidiano. Afinal, todos têm celular, mas muitos não sabem utilizar diversos recursos que poderiam incluí-los socialmente e proporcionar autonomia na resolução de problemas do dia a dia.

Propus à professora espelhar meu celular para ensinar os estudantes a usar um aplicativo simples para criar programas de rádio. Primeiro, ensinaria a usar o WhatsApp para gravações e, depois, o aplicativo Podcaster para elaborar um programa mais sofisticado. Para isso, utilizaria um app chamado Screencast para explicar as funções necessárias para produzir seus programas no próprio celular. Em seguida, os estudantes poderiam socializar suas produções em grupos do WhatsApp.

A riqueza dessa atividade está na possibilidade de os estudantes alcançarem sucesso a partir de seu próprio conhecimento de mundo. Quando ensinamos tecnologia ou qualquer outro assunto, precisamos ter empatia, escutar e entender quem são as pessoas que estamos atendendo nas escolas. Tornar a aprendizagem complicada afasta as pessoas do aprendizado.

Essa experiência, apesar de descrita no contexto de educação de adultos, pode ser igualmente eficaz para crianças e adolescentes. Ensinar o uso do celular de forma educativa pode prepará-los melhor para o futuro, oferecendo ferramentas que utilizam diariamente de forma mais consciente e produtiva.

Em resumo, incluir o ensino do uso do celular nas escolas pode transformar a forma como vemos a educação tecnológica, tornando-a mais acessível e relevante para todos os alunos.

Por Carlos Lima - Professor e educomunicador


Imagem: Imagem de freepik

domingo, 16 de junho de 2024

Celular e Educação : o que está errado nesta relação


A vida moderna nos trouxe soluções e desafios. As novas tecnologias estão cada vez mais integradas ao nosso cotidiano, ocupando um espaço significativo em nossas vidas. O celular, que antes era apenas um aparelho de comunicação, hoje é quase uma extensão do corpo humano, ajudando a resolver inúmeros problemas e situações diárias. Deixar de usar o celular atualmente significa enfrentar dificuldades no acesso a serviços e soluções que facilitam o dia a dia.

Por outro lado, o "mundo" conectado pelo celular pode gerar desconforto nas relações humanas. Na verdade, o celular é apenas a chave para um quarto cheio de surpresas e ambientes desconhecidos. Ao abrir essa porta, temos acesso à internet, um vasto mar de entretenimento, informações, serviços, conhecimentos, aplicativos, conteúdos diversos, pessoas e redes sociais.

Esse "quarto" é como um mar, e por isso, costumávamos chamar a internet de lugar de navegação. Como no mar, podemos chegar a lugares seguros, mas também podemos nos perder e, no pior dos casos, ser engolidos por uma tempestade ou desvio de rota que nos leva a lugares perigosos. Por isso, o termo "navegação segura" é tão importante atualmente.

Navegar de forma segura é conhecer o território, desconfiar dos perigos, rumar para o lugar certo e ter certeza de que a navegação trará benefícios. A educação para a leitura crítica tem sido uma ferramenta crucial para garantir um acesso seguro nesse mar de oportunidades que é a internet. Você não pega um carro e sai dirigindo sem preparo; primeiro você aprende a usá-lo corretamente e a seguir as regras de trânsito. Da mesma forma, devemos educar para o uso correto do celular e da internet.

Dado o impacto social dos celulares, a escola tem a responsabilidade de iniciar o processo de uso educativo da internet por meio dos celulares. Sabemos os problemas causados pelo uso irresponsável dos celulares nas escolas, como o cyberbullying, memes que prejudicam a vida de crianças, adolescentes e até professores, e a promoção de campanhas de desinformação.

Mas será que a solução é banir o uso do celular nas escolas? Ou seria mais eficaz que a educação mediase o uso responsável e produtivo?

O programa Imprensa Jovem, reconhecido pela Unesco como uma proposta de Alfabetização Midiática Informacional, visa formar estudantes críticos e oportunizar a expressão criativa e comunicativa através das mídias e suas tecnologias, incluindo as utilizadas pelos estudantes. Como um programa de Educomunicação, que educa pela, com e para a comunicação a partir dos usos e referenciais sociais dos estudantes, faz sentido incluir nos processos educacionais o celular, as redes sociais e outras inovações tecnológicas. É comum que nas atividades jornalísticas, de pesquisa e de produção de mídia, os estudantes usem diversas aplicações dos celulares.

Se o processo educativo acolhe as inovações que chegam em alta velocidade na sociedade, como devemos encarar o desconforto no ambiente educacional? Trazendo para os professores possibilidades metodológicas, estratégias, técnicas e conhecimentos de linguagens de comunicação que possam ser usadas para aproximar estudantes e professores no desenvolvimento do conhecimento.

O processo começa com a formação continuada de professores, pois o preconceito existe quando não conhecemos. Viabilizar o acesso ao "mundo" de possibilidades das novas tecnologias pela Educomunicação pode tirar a escola da sua zona de conforto. É claro que a escola precisa apoiar essa ideia. Utilizar o Projeto Político Pedagógico da unidade escolar para integrar processos educomunicativos pode ser uma porta para um diálogo entre as culturas trazidas pelos estudantes e o currículo escolar.

Vislumbrar também aulas que incorporem a pedagogia de projetos pode ser um caminho para o uso qualificado dos recursos dos celulares. Por exemplo, é possível desenvolver ações de intervenção social com os alunos, criando vídeos curtos com o propósito de conscientizar o uso responsável das redes sociais na comunidade escolar. Esta é apenas uma das muitas oportunidades.

A relação entre celular e educação pode ser mais respeitosa e coerente com as necessidades reais de uma educação de qualidade, conforme previsto no ODS 4 da UNESCO.

Por Carlos Lima: Professor, especialista em Educomunicação


Imagem de Freepik

domingo, 2 de junho de 2024

Uso responsável do celular nas aulas: Perspectiva da BNCC e do Relatório UNESCO


O uso de tecnologias digitais, incluindo celulares, nas salas de aula é um tema amplamente debatido no contexto educacional contemporâneo. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os relatórios da UNESCO fornecem diretrizes e recomendações que ressaltam a importância de uma abordagem equilibrada e responsável para a integração dessas tecnologias no ambiente escolar.

Perspectiva da BNCC

A BNCC, documento que orienta os currículos da educação básica no Brasil, enfatiza a necessidade de desenvolver competências digitais entre os estudantes. O documento reconhece que a habilidade de utilizar tecnologias de informação e comunicação é essencial no mundo moderno. Nesse contexto, a BNCC propõe que os educadores incorporem o uso de dispositivos móveis, como celulares, de maneira planejada e significativa, visando potencializar o aprendizado.

Entre as competências gerais da BNCC, destaca-se a Competência 5, que sugere o uso das tecnologias digitais de comunicação e informação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais, incluindo o processo de aprendizagem. Isso implica em ensinar os alunos não apenas a utilizar as tecnologias, mas a fazer isso de maneira responsável, ciente dos impactos de seu uso.

Relatório da UNESCO

A UNESCO, por sua vez, também oferece orientações sobre a integração de tecnologias digitais na educação. Em seu relatório "Education for All: Global Monitoring Report", a organização sublinha a importância de promover a alfabetização digital e o uso responsável das tecnologias desde a educação básica. A UNESCO destaca que a tecnologia pode ser uma poderosa aliada para a inclusão e a equidade educacional, desde que utilizada de maneira responsável e consciente.

O relatório ressalta a necessidade de políticas que orientem o uso de dispositivos móveis nas escolas, evitando distrações e promovendo um ambiente de aprendizagem produtivo. A UNESCO sugere que as escolas e os professores estabeleçam regras claras e consistentes sobre quando e como os celulares podem ser usados em sala de aula, garantindo que sua utilização esteja sempre atrelada aos objetivos educacionais.

Alinhando as Perspectivas

Tanto a BNCC quanto a UNESCO convergem na ideia de que o uso do celular em sala de aula deve ser guiado por princípios de responsabilidade e ética. A integração dessas tecnologias deve estar alinhada com os objetivos pedagógicos, contribuindo para o desenvolvimento integral dos alunos.

Para implementar essas diretrizes, é essencial que as escolas desenvolvam políticas claras sobre o uso de celulares. Essas políticas devem incluir:

1. Objetivos Claros: Definir claramente os propósitos educacionais para o uso dos celulares, como pesquisas, acesso a recursos educacionais online, e desenvolvimento de competências digitais.

 2. Regras de Uso: Estabelecer regras sobre quando e como os celulares podem ser utilizados, evitando distrações e garantindo que seu uso seja sempre produtivo.

3. Formação de Professores: Oferecer capacitação para os professores sobre como integrar de forma eficaz e responsável as tecnologias digitais em suas práticas pedagógicas.

4. Educação Digital para Alunos: Ensinar os alunos sobre o uso ético e seguro das tecnologias, abordando questões como privacidade, segurança online, e cidadania digital.

5. Apoio e Supervisão: Garantir que haja um sistema de apoio e supervisão para monitorar o uso dos celulares, oferecendo suporte tanto para alunos quanto para professores.

Ao alinhar as diretrizes da BNCC com as recomendações da UNESCO, é possível promover um ambiente educacional que aproveite o potencial dos celulares e outras tecnologias digitais de maneira responsável e eficaz, preparando os alunos para os desafios do século XXI.

Por Carlos Lima - Radialista, professor, educomunicador

Celular x Educação: Transformação ou Banimento?

A educação deveria adaptar-se às novas tecnologias ou estas deveriam ser banidas das salas de aula? As tecnologias de comunicação têm enfrentado preconceitos no contexto educacional há décadas. Apesar de presentes e desempenharem um papel crucial na sociedade, muitas vezes são vistas com desconfiança.

Histórico de Tecnologia e Educação 

 A televisão, por exemplo, foi inicialmente controversa, mas acabou integrando o país com conteúdos informativos e culturais. A TV Educativa desempenhou um papel importante na formação cidadã ao longo de décadas, apesar das preocupações iniciais sobre seu potencial de substituir o papel dos docentes. Infelizmente, a desconfiança levou a uma integração ineficiente da TV nas escolas, muitas vezes utilizada apenas para ilustrar aulas ou entreter alunos na ausência de professores, sem um planejamento didático pedagógico adequado.

Integração Consciente e Criativa 

Para transformar a utilização de tecnologias como a televisão e vídeos em aulas envolventes, é essencial uma integração curricular consciente. Atividades como cineclubes podem promover debates e reflexões entre os estudantes, utilizando recursos audiovisuais para contextualizar e enriquecer o aprendizado. O uso crítico das tecnologias, defendido pela Educomunicação, é fundamental para mediar processos, apoiar aprendizagens e promover o protagonismo dos estudantes. 

Celular na Educação

O celular, um dispositivo controverso na escola, proporciona acesso a conteúdos globais e às redes sociais. Embora vistos com cautela, esses recursos não devem ser banidos, mas sim integrados de maneira mediada e profissional. Leis que restringem o uso de celulares não geram empatia e podem afastar os estudantes do processo educacional. Em vez disso, a convivência mediada e consciente com os celulares pode enriquecer a prática pedagógica e fomentar a criação de conhecimentos. #### Conectando a Escola ao Mundo Privar a escola do uso pedagógico de recursos tecnológicos é privá-la de dialogar com o mundo. Quanto maior a conexão da escola com seu público, melhor será o entendimento das demandas dos estudantes. A escola não deve ser uma ilha isolada da realidade digital em que vivemos. 

Educação de Qualidade

A educação de qualidade vai além das provas oficiais, abrangendo diversos conhecimentos, inclusive aqueles trazidos pelos estudantes. Acordos podem ser estabelecidos entre professores e alunos para usos pedagógicos dos celulares, promovendo aulas mais participativas. Discutir temas como fake news e ciberbullying é essencial e deve ser feito sem medidas proibitivas que restrinjam elementos culturais. A abordagem ideal é o uso razoável e consciente, não a proibição.

A escola deve ser um espaço de liberdade e aprendizado, não de proibição. Integrar tecnologias como o celular de maneira responsável e criativa é fundamental para preparar os alunos para os desafios do século XXI, promovendo um ambiente educacional conectado, inclusivo e atualizado com as demandas da sociedade moderna.

Por Carlos Lima - Radialista, professor, educomunicador

Quando a Educomunicação também pode ter níveis de aprendizagem?

  Outro dia, durante uma aula de língua estrangeira, ouvi o professor apresentar os níveis de proficiência: B1, B2, C1, C2. A ideia é simple...