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sábado, 11 de outubro de 2025

História de um incrivel professor

 


Há sempre novidades na escola dos Caçadores de Notícias.Todo início de ano traz novos rostos, novos professores e também algumas despedidas. Desta vez, a notícia que mexeu com toda a comunidade escolar foi a aposentadoria do professor Jesse, o querido mestre de História.

Professor Jesse fez parte da história viva da escola. Estudou ali quando jovem e, anos depois, retornou como educador. Ensinou gerações de estudantes — inclusive os pais de muitos alunos atuais. Cinéfilo apaixonado, acreditava que o cinema era uma poderosa ferramenta de reflexão. Sempre trazia filmes e curtas para discutir temas sociais, políticos e culturais.

Foi ele quem fundou o cineclube da escola, espaço onde os estudantes aprendiam a olhar o mundo com criticidade e sensibilidade.

O professor era cadeirante, e isso nunca foi obstáculo para seu entusiasmo. Pelo contrário: sua presença inspirava todos a enxergarem a educação como um espaço de inclusão, respeito e transformação.

Quando sua aposentadoria foi anunciada, ninguém quis deixar passar em branco. Os professores, estudantes e ex-alunos organizaram uma grande surpresa.

Na manhã do dia marcado, tudo parecia normal. O professor chegou pontualmente, como sempre. Cumprimentou o porteiro, seguiu até a sala dos professores, ajeitou seu material e começou o trajeto até a sala de aula.

Mas algo estava estranho… Os corredores estavam silenciosos demais. Nenhum som de conversa, nenhum sinal de estudantes. Ainda assim, ele continuou, pensativo, acreditando que talvez tivesse se adiantado.

Ao chegar à sua sala, encontrou a porta entreaberta. Lá dentro, uma tela ligada exibia o clipe “Ao Mestre com Carinho”.

Ele sorriu, emocionado, sem entender direito o que estava acontecendo.

Saiu da sala, foi até a secretaria — vazia. Passou pela direção — também vazia.

“Mas onde foi parar todo mundo?”, pensou.

Decidiu ir embora. Ao se aproximar do portão, o guarda desligava as luzes.

— Oi, cadê todo mundo? — perguntou o professor.

— Todo mundo quem, professor? Hoje não tem aula.

— Como assim? Vim dar minha última aula.

O guarda, disfarçando o sorriso, respondeu:

— Ah, entendi. Mas venha comigo, por aqui não dá pra sair… por ali sim.

Empurrou a cadeira de rodas em direção à quadra. A porta estava fechada.

Quando o guarda abriu, o professor ficou imóvel.

Diante dele, uma multidão.

Estudantes, professores, ex-alunos e famílias enchiam a quadra, formando um grande corredor humano. Todos começaram a cantar, em coro, a mesma música do clipe que ainda ecoava: “Ao Mestre com Carinho”.

Ao final, uma banda formada por ex-estudantes assumiu o palco e deu continuidade à canção.

O professor, visivelmente emocionado, deixou as lágrimas escorrerem. Perto do palco, seus filhos e netos o aguardavam. Um telão projetava imagens antigas — ele, jovem, em sua primeira turma de História. Sorrisos, abraços, lembranças.

Um a um, estudantes e ex-alunos subiram ao microfone para compartilhar histórias e aprendizados vividos em suas aulas.

E, como não poderia deixar de ser, encerraram a homenagem com um cineclube — exibindo o filme do clipe que simbolizava toda a sua trajetória.


Naquele dia, o professor Jesse viveu algo raro: foi personagem da própria aula. E, mais do que nunca, entendeu que sua história continuaria na tela, nos olhos e nas memórias de cada estudante que ajudou a formar.


(Continua)


Por Carlos Lima

Foto: Reprodução O Globo

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Ser professor não foi uma escolha — foi um encontro




Quando entrei na faculdade, ser professor não era meu plano. Mas a educação me capturou. E nesse abraço inesperado, fui transformado. Hoje, tenho orgulho do caminho que trilhei — ou da missão que a vida me entregou. Uma missão que me fez, aos poucos, um educador reconhecido pelo meu trabalho e pela capacidade de tocar vidas.

Quantas histórias vivi ao entrar em sala de aula. Quantas experiências marcaram minha jornada de mestre. Não foi nem céu, nem inferno. Foi fruição. Um processo contínuo de formações, criações de métodos, buscas por caminhos para encantar e engajar estudantes.

Claro, houve conflitos — e não foram poucos. Mas como já ouvi por aí: onde não há espaço para o diálogo, o conflito é inevitável. Na sala de aula, é preciso saber baixar a temperatura, abrir pontes, construir escutas. É do cotidiano.

Hoje, o que me provoca é pensar em como a sociedade enxerga o trabalho docente. Ao entregar seus filhos à escola, muitos apenas querem a segurança de que alguém está cuidando deles. Mas professor não é cuidador, assim como escola não é centro de lazer. Professor é educador. Escola é espaço de aprendizagem e de convivência.

Seja por quatro, sete ou dez horas por dia, ao longo de 200 dias no ano, é na escola que gerações se formam. E o que formamos? Gente. Gente preparada para atuar na sociedade. Por isso, se os estudantes irão transformar o mundo, é preciso observar esse mundo com atenção. As tendências de hoje são as novas culturas que chegam. A sociedade não é estática. Ela é rio em movimento.

A escola pode ser um porto seguro, mas seria ainda melhor se fosse um barco firme, capaz de navegar com a sociedade. Se o mundo é correnteza, não adianta remar contra tudo — a briga pode ser inglória. E quem tenta enfrentar sozinho esse fluxo, de fora da escola, muitas vezes se perde ou se afoga.

Por isso, mais do que nunca, é preciso diálogo. Para navegar com segurança. Para construir caminhos. Para transformar realidades.


Por Carlos Lima - Educomunicador e professor 
Foto : Arquivo pessoal 





Quando a Educomunicação também pode ter níveis de aprendizagem?

  Outro dia, durante uma aula de língua estrangeira, ouvi o professor apresentar os níveis de proficiência: B1, B2, C1, C2. A ideia é simple...