quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Guia de cobertura jornalistica - Imprensa Jovem na Bienal


Orientações para estudantes e professores

1. Apresentação

Este guia tem como objetivo oferecer orientações básicas para a realização da cobertura jornalística educomunicativa da Bienal do Livro 2026 pelas equipes do Programa Imprensa Jovem.

A cobertura é uma oportunidade para que estudantes desenvolvam práticas de comunicação, jornalismo, leitura crítica, produção audiovisual, trabalho em equipe e participação cidadã, transformando a experiência de participação na Bienal em produção de conhecimento e informação para outros estudantes e para a comunidade escolar.


2. Imprensa Jovem e a Bienal do Livro

A Bienal do Livro faz parte da história do Programa Imprensa Jovem desde 2005. Ao longo desse período, o programa participou da cobertura de diferentes edições do evento.

Em cada edição, aproximadamente 80 equipes já participaram das atividades de cobertura, distribuídas ao longo dos dias do evento.

Essa operação envolve planejamento e articulação entre o Programa Imprensa Jovem da Secretaria Municipal de Educação, as Diretorias Regionais de Educação, as unidades educacionais e os Espaços de Leitura, entre outros parceiros.

Depois de mais de 20 anos de experiência, a metodologia de cobertura jornalística educomunicativa do Imprensa Jovem está consolidada. Por isso, a proposta para 2026 mantém suas principais características: estudantes como repórteres, professores como mediadores e o evento como espaço de aprendizagem, comunicação e participação.


3. Sobre a Bienal do Livro 2026

A Bienal do Livro é um dos principais eventos literários da América Latina.

Em 2026, a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo terá como tema:

“Palavra e Futuro”

O tema possibilita discutir as relações entre literatura, educação, tecnologia, inovação, inclusão social, sustentabilidade e futuro.

O evento será realizado de 4 a 13 de setembro de 2026, no Distrito Anhembi, na Zona Norte de São Paulo.

Para as equipes do Imprensa Jovem, a Bienal é também um grande laboratório de aprendizagem, no qual os estudantes podem observar, entrevistar, registrar, investigar e produzir conteúdos jornalísticos.


4. Estande da Prefeitura de São Paulo

Em 2026, a Prefeitura de São Paulo estará presente na Bienal com um estande que reunirá diferentes iniciativas e programas da administração municipal.

A Secretaria Municipal de Educação estará representada com ações e projetos desenvolvidos pela Rede Municipal de Ensino. Também estarão presentes outras secretarias e órgãos municipais, incluindo áreas como Cultura, Direitos Humanos e outras representações.

O espaço será, portanto, um importante ponto de encontro, informação e produção de conteúdos.


5. Imprensa Jovem na Bienal

O Programa Imprensa Jovem estará presente com um estúdio de podcast, que será um dos espaços destinados à produção jornalística dos estudantes.

As equipes poderão realizar entrevistas com diferentes participantes do evento, como:

  • autores e escritores;

  • ilustradores;

  • editores;

  • livreiros;

  • arte-educadores;

  • professores;

  • pesquisadores;

  • gestores e autoridades;

  • coordenadores de projetos;

  • profissionais do mercado editorial;

  • artistas e personalidades;

  • estudantes e jovens leitores.

Além do podcast, outra possibilidade é a cobertura jornalística no ambiente EXPO da Bienal.

Nesse espaço, as equipes poderão circular pelos estandes e áreas de atividades, realizar entrevistas, registrar imagens, produzir fotografias e desenvolver vídeos jornalísticos.

Importante: a iniciativa e a organização da pauta, dos entrevistados e dos conteúdos produzidos são de responsabilidade de cada equipe, respeitando as orientações gerais da organização do evento e do Programa Imprensa Jovem.


6. Orientações fundamentais

  • A cobertura terá duração máxima de 8 horas, incluindo aproximadamente 2 horas destinadas ao trajeto de ida e volta.

  • Organize previamente o lanche dos estudantes considerando o período total da atividade.

  • Utilize os crachás oficiais e a camiseta ou colete do Imprensa Jovem. Os modelos de identificação estarão disponíveis no site do Imprensa Jovem, na área IDENTIFICAÇÃO. Clique aqui

  • Cuide dos equipamentos durante todo o período da cobertura. As equipes são responsáveis pelos equipamentos que levarem ao evento.

  • Estabeleça pontos de encontro (check points) para facilitar a organização e a localização dos estudantes.

  • Evite atrasos tanto na saída da escola quanto no retorno do evento.

  • Certifique-se de que todos os estudantes tenham as autorizações necessárias para uso de imagem e voz.

  • Ao chegar ao evento, procure o coordenador de Educomunicação no Estande da Prefeitura para receber as primeiras orientações e conhecer o espaço do Imprensa Jovem e o estúdio de podcast.

  • Acompanhe atentamente as informações divulgadas no grupo de WhatsApp antes, durante e nos dias posteriores à cobertura.

  • Leve garrafa para água e mantenha-se hidratado durante toda a atividade.

  • Observe as orientações da organização do evento sobre circulação, alimentação, acesso aos banheiros e demais áreas do pavilhão.

  • Evite levar alimentos inadequados para a entrada no evento. Bolsas e mochilas poderão passar por procedimentos de segurança.

  • Faça um checklist dos equipamentos antes de sair da escola e confira novamente todos os itens antes de deixar o evento.

  • Oriente os estudantes a levar documento oficial com foto, quando solicitado.


7. Ambiente formativo — Google Classroom

Para apoiar a preparação das equipes, foi criado um ambiente formativo no Google Classroom — Imprensa Jovem | Bienal 2026. Clique aqui

No ambiente, estudantes e professores encontrarão materiais sobre:

  • O que é o Programa Imprensa Jovem;

  • Como realizar uma cobertura jornalística;

  • Como elaborar pautas;

  • Como realizar entrevistas;

  • Como produzir podcasts;

  • Como produzir vídeos jornalísticos;

  • Como registrar fotografias jornalísticas;

  • Como utilizar equipamentos;

  • Como trabalhar com informação e fontes;

  • Como fazer uma cobertura responsável e ética.

Acesse o ambiente:

Imprensa Jovem — Bienal 2026 | Google Classroom


8. Preparação pedagógica antes da cobertura

A qualidade da cobertura começa antes de chegar à Bienal.

8.1 Conheça o evento

Estude previamente a Bienal e, principalmente, o tema:

“Palavra e Futuro”

Converse com os estudantes sobre literatura, tecnologia, inteligência artificial, educação, sustentabilidade, inclusão e outros assuntos que possam aparecer durante a cobertura.

Assista vídeos de entrevista da ultima Bienal no canal Educomunicação SME

Clique aqui

8.2 Prepare perguntas

Cada equipe deve elaborar previamente um banco com aproximadamente 10 perguntas que possam ser adaptadas aos diferentes entrevistados.

Exemplos:

  1. Qual é a sua relação com a literatura?

  2. O que a Bienal representa para você?

  3. Qual livro ou autor marcou sua trajetória?

  4. Como a tecnologia está transformando a leitura?

  5. Como podemos estimular os jovens a ler?

  6. Qual é o papel da escola na formação de leitores?

  7. O que significa falar sobre o futuro por meio da literatura?

  8. Como a literatura pode contribuir para um mundo mais sustentável?

  9. Qual mensagem você deixaria para os estudantes?

  10. Que livro você recomendaria para um jovem leitor?

8.3 Treine a equipe

Antes do evento, realize atividades práticas de:

  • entrevista;

  • apresentação oral;

  • leitura e interpretação de texto;

  • captação de áudio;

  • captação de vídeo;

  • fotografia;

  • apresentação diante da câmera;

  • produção de podcast.


9. Kit básico para cobertura

Cada equipe deve avaliar os equipamentos necessários de acordo com sua proposta de cobertura.

Equipamentos básicos

  • Celular, câmera fotográfica ou filmadora;

  • Microfone;

  • Fone de ouvido;

  • Tripé ou estabilizador, quando disponível;

  • Carregadores;

  • Power bank/carregador portátil;

  • Cartões de memória ou espaço disponível no celular;

  • Extensão elétrica, quando apropriado e permitido;

  • Identificação da equipe.

Atenção à bateria

A cobertura pode ser longa e a disponibilidade de tomadas pode ser limitada. Por isso, carregue todos os equipamentos antes de sair da escola e, sempre que possível, leve carregadores portáteis.


10. Durante o evento — Podcast

O estúdio do Imprensa Jovem será um espaço de produção jornalística.

Os podcasts deverão ter duração média de 10 minutos, com até 5 perguntas principais.

A gravação poderá envolver, preferencialmente, até 4 pessoas, contando com o entrevistado.

Também será possível contar com até 2 integrantes da equipe no estúdio para apoio à captação de imagem e produção.

As produções poderão ser transmitidas/divulgadas pelo canal YouTube Educomunicação SME, conforme a organização da cobertura.

Antes de iniciar a gravação

Registre:

  • nome do entrevistado;

  • função ou atividade;

  • nome dos estudantes repórteres;

  • escola;

  • DRE;

  • tema da entrevista;

  • rede social ou outra identificação pública do entrevistado, quando pertinente.


11. Estrutura básica do podcast

1. Apresentação

Apresente o programa, a escola, os estudantes e o entrevistado.

2. Contextualização

Explique rapidamente por que aquela pessoa foi escolhida para a entrevista.

3. Perguntas

Faça perguntas objetivas, claras e relacionadas ao tema.

4. Interação

Escute a resposta. Uma boa entrevista não é apenas uma sequência de perguntas.

5. Encerramento

Agradeça ao entrevistado e apresente a próxima informação ou conteúdo.


12. Modelo de entrevista para podcast

Tema: Literatura, juventude e futuro

REPÓRTER 1 — Apresentação

“Olá! Está começando mais um podcast do Imprensa Jovem diretamente da Bienal do Livro de São Paulo. Eu sou [nome], estudante da [escola], e hoje vamos conversar sobre literatura, juventude e futuro.”

REPÓRTER 2 — Apresentação do entrevistado

“Nosso convidado é [nome], [função/profissão]. Seja muito bem-vindo ao Imprensa Jovem!”

PERGUNTA 1

“Para começar, qual é a importância da literatura na formação dos jovens?”

PERGUNTA 2

“O tema desta Bienal é ‘Palavra e Futuro’. Para você, como os livros podem nos ajudar a imaginar e construir o futuro?”

PERGUNTA 3

“Hoje os jovens têm contato com livros, vídeos, podcasts, redes sociais e inteligência artificial. Como essas novas tecnologias podem contribuir para a leitura?”

PERGUNTA 4

“Qual livro ou autor você recomendaria para um estudante que está começando a descobrir o prazer da leitura?”

PERGUNTA 5

“Para terminar: que mensagem você gostaria de deixar para os estudantes que estão participando da Bienal?”

REPÓRTER 1 — Encerramento

“Muito obrigado pela participação e pela conversa com o Imprensa Jovem.”

REPÓRTER 2 — Encerramento

“E você acompanhou mais uma produção do Imprensa Jovem na Bienal do Livro 2026. Até a próxima!”


13. Cobertura jornalística no ambiente EXPO

A área EXPO oferece diversas possibilidades para produção de conteúdos jornalísticos.

Os estudantes podem realizar:

  • entrevistas nos estandes;

  • vídeos jornalísticos;

  • boletins;

  • fotografias;

  • pequenas reportagens;

  • vídeos de apresentação de espaços;

  • depoimentos;

  • cobertura de atividades culturais;

  • entrevistas com autores e profissionais;

  • conteúdos sobre livros e projetos;

  • registros de experiências dos visitantes.

Antes de abordar um entrevistado

Primeiro, observe.

Pergunte-se:

O que está acontecendo? Por que isso é interessante para o nosso público? Que informação podemos levar para outros estudantes?

Depois:

  1. Identifique a pessoa.

  2. Apresente-se como equipe do Imprensa Jovem.

  3. Explique rapidamente o objetivo da entrevista.

  4. Pergunte se ela pode conceder uma breve entrevista.

  5. Escolha um local adequado para a gravação.

  6. Verifique o áudio antes de começar.


14. Orientações básicas para cobertura em vídeo na EXPO

Uma reportagem em vídeo não precisa ser longa. O mais importante é contar uma história de maneira clara, objetiva e interessante.

Estrutura recomendada

1. Abertura

Grave uma imagem que mostre onde a equipe está.

Exemplo:

“Olá! Nós somos do Imprensa Jovem da [escola] e estamos na Bienal do Livro 2026. Hoje vamos conhecer uma iniciativa que reúne literatura, tecnologia e educação.”

2. Imagens de apoio

Registre diferentes planos:

  • entrada do estande;

  • placas e identificação;

  • livros;

  • atividades;

  • público;

  • detalhes dos objetos;

  • interação entre pessoas;

  • apresentações.

Essas imagens ajudam a contar a história e podem ser utilizadas entre as falas da reportagem.

3. Entrevista

Faça de 2 a 4 perguntas objetivas.

Exemplo:

  • O que está sendo apresentado neste espaço?

  • Qual é o principal objetivo da iniciativa?

  • Como ela pode contribuir para os estudantes?

  • Que relação ela tem com o tema “Palavra e Futuro”?

4. Passagem do repórter

O estudante pode aparecer novamente diante da câmera para explicar o que descobriu.

Exemplo:

“Depois de conhecer o projeto, percebemos que a tecnologia pode ampliar as possibilidades de leitura e criação dos estudantes.”

5. Encerramento

Finalize apresentando a informação principal.

Exemplo:

“Essa foi mais uma experiência do Imprensa Jovem na Bienal do Livro 2026. Eu sou [nome] e nos encontramos na próxima reportagem.”


15. Dicas rápidas para gravar bons vídeos

Imagem

  • Grave o celular na posição definida para a publicação.

  • Evite imagens tremidas.

  • Procure manter a câmera estável.

  • Evite gravar contra uma fonte de luz muito forte.

  • Observe o enquadramento antes de começar.

  • Não corte a cabeça ou partes importantes do entrevistado.

  • Varie os planos e registre imagens de apoio.

Áudio

O áudio é tão importante quanto a imagem.

  • Aproxime o microfone do entrevistado.

  • Evite locais muito barulhentos.

  • Faça um teste antes da entrevista.

  • Utilize fone de ouvido para verificar o áudio, quando possível.

  • Não fale ao mesmo tempo que o entrevistado.

Entrevista

  • Faça perguntas curtas.

  • Escute as respostas.

  • Não interrompa.

  • Peça esclarecimentos quando necessário.

  • Evite perguntas que possam ser respondidas apenas com “sim” ou “não”.

  • Mantenha uma postura respeitosa e profissional.


16. Produção de uma reportagem curta para redes sociais

Uma reportagem pode ter uma estrutura simples:

ABERTURA → IMAGENS DE APOIO → ENTREVISTA → INFORMAÇÃO → ENCERRAMENTO

Exemplo

Repórter:
“Você sabia que a tecnologia também está transformando a maneira como lemos e produzimos histórias?”

Imagem: entrada do estande.

Imagem: livros e atividades.

Entrevistado:
Explica a iniciativa.

Repórter:
“Para os estudantes, essa experiência mostra que literatura e tecnologia podem caminhar juntas.”

Encerramento:
“Imprensa Jovem, direto da Bienal do Livro 2026.”


17. Ética e responsabilidade jornalística

Ser repórter do Imprensa Jovem significa também assumir responsabilidade sobre aquilo que se publica.

Antes de divulgar uma informação:

  • verifique a fonte;

  • confirme nomes e informações;

  • não altere o sentido das falas;

  • não divulgue informações pessoais desnecessárias;

  • respeite a imagem e a privacidade das pessoas;

  • identifique corretamente os entrevistados;

  • não publique conteúdos que possam constranger ou prejudicar alguém;

  • diferencie opinião de informação;

  • evite divulgar informações não verificadas.

Lembre-se:

O estudante não é apenas alguém que registra o evento. Ele é um sujeito que observa, pergunta, investiga, interpreta e comunica.


18. O professor como mediador

O professor acompanha e orienta o processo, mas deve estimular a autonomia dos estudantes.

Durante a cobertura, o professor pode ajudar a equipe a:

  • definir pautas;

  • selecionar entrevistados;

  • organizar horários;

  • revisar perguntas;

  • orientar a postura dos estudantes;

  • acompanhar os equipamentos;

  • verificar autorizações;

  • discutir questões éticas;

  • avaliar a qualidade das informações produzidas.

A cobertura é, sobretudo, uma experiência pedagógica de aprendizagem pela comunicação.


19. Antes de sair da escola — Checklist da equipe

  • Pauta definida.

  • Perguntas preparadas.

  • Estudantes identificados.

  • Autorizações conferidas.

  • Equipamentos carregados.

  • Celulares/câmeras funcionando.

  • Microfones testados.

  • Cartões de memória ou espaço disponível.

  • Power banks carregados.

  • Fones de ouvido.

  • Tripé/estabilizador.

  • Crachás e identificação do Imprensa Jovem.

  • Documento com foto.

  • Água.

  • Lanche.

  • Contato do professor responsável.

  • Acesso ao Google Classroom.

  • Informações do grupo de WhatsApp conferidas.


20. Antes de deixar a Bienal — Checklist final

  • Todos os estudantes estão presentes.

  • Todos os equipamentos foram conferidos.

  • Celulares e câmeras estão com a equipe.

  • Microfones foram recolhidos.

  • Tripés e acessórios foram recolhidos.

  • Mochilas e objetos pessoais foram conferidos.

  • Entrevistas e registros importantes foram salvos.

  • O professor confirmou o retorno da equipe.

  • O ponto de encontro para saída foi confirmado.


21. A cobertura continua depois da Bienal

O trabalho jornalístico não termina quando a equipe deixa o evento.

Depois da cobertura:

SELECIONAR → ORGANIZAR → EDITAR → CHECAR → PUBLICAR → AVALIAR

Organize os registros, selecione as melhores entrevistas, confira os nomes e informações, edite os conteúdos e compartilhe as produções nos canais definidos pelo programa e pela escola.

A experiência também pode gerar novos conteúdos para:

  • podcast;

  • vídeo;

  • fotografia;

  • reportagem;

  • blog;

  • redes sociais;

  • jornal escolar;

  • rádio escolar;

  • atividades pedagógicas em sala de aula.


22. Mensagem final

A Bienal do Livro é um grande espaço de encontro entre livros, pessoas, ideias, culturas e futuros possíveis.

Para o Imprensa Jovem, participar desse evento significa transformar esses encontros em oportunidades de aprendizagem e comunicação.

Observe. Pergunte. Escute. Registre. Verifique. Produza. Compartilhe.

Mais do que fazer uma cobertura, queremos que cada estudante tenha a oportunidade de exercer seu direito à comunicação e mostrar sua própria visão sobre o mundo.

Imprensa Jovem

Estudantes como repórteres. Escola como espaço de comunicação. Comunicação como prática de cidadania.


Por Carlos Lima - Professor Educomunicador





sábado, 15 de agosto de 2026

Quando a Educomunicação também pode ter níveis de aprendizagem?

 


Outro dia, durante uma aula de língua estrangeira, ouvi o professor apresentar os níveis de proficiência: B1, B2, C1, C2. A ideia é simples e, ao mesmo tempo, provocadora: aprender uma língua é uma trajetória. Começamos descobrindo, experimentando, ampliando o vocabulário, desenvolvendo autonomia e, pouco a pouco, tornando-nos capazes de compreender, produzir e interagir em situações cada vez mais complexas.

Naquele momento, uma pergunta me veio à cabeça:

E se pensássemos a Educomunicação da mesma maneira?

Não para transformar a Educomunicação em uma disciplina com provas e certificados, nem para criar uma escala rígida de “bons” e “maus” comunicadores. Mas para reconhecer que também desenvolvemos, ao longo da vida escolar, diferentes competências educomunicativas.

Uma criança pequena já é comunicadora. Antes mesmo de saber escrever, ela conta histórias, faz perguntas, desenha, brinca, fotografa, canta, gesticula, inventa personagens e interpreta o mundo ao seu redor.

Ela já está produzindo comunicação.

Talvez o nosso papel seja ajudá-la a perceber que essa capacidade pode crescer.

Na alfabetização, podemos trabalhar a descoberta: aprender a expressar ideias, ouvir o outro, reconhecer diferentes linguagens e perceber que uma imagem, uma história, uma música ou uma notícia também comunicam.

Nos anos seguintes, vem a exploração. A criança experimenta fotografia, áudio, vídeo, entrevista, desenho, texto e outras formas de narrativa. Aprende que comunicar não é simplesmente falar: é pensar no que queremos dizer, para quem estamos falando e como queremos ser compreendidos.

Depois chega a produção e a autoria.

O estudante começa a planejar uma pauta, pesquisar, entrevistar, produzir um podcast, uma reportagem, um vídeo ou uma campanha. Descobre que produzir comunicação envolve escolhas, responsabilidades e intencionalidade.

Mas há um momento decisivo nessa trajetória: quando o estudante deixa de perguntar apenas “como produzir?” e começa a perguntar:

“Posso confiar nessa informação?”

É aí que entra a leitura crítica da mídia.

Comparar fontes, identificar desinformação, perceber diferentes pontos de vista, compreender interesses, reconhecer estratégias de persuasão e questionar aquilo que circula nas redes tornam-se competências fundamentais.

E chegamos à adolescência.

Nesse momento, a Educomunicação pode avançar da produção para o protagonismo.

O estudante olha para sua escola, seu bairro, sua cidade e identifica questões que merecem ser comunicadas. Investiga, entrevista, coleta informações, produz narrativas e utiliza a comunicação para dialogar com a comunidade.

A pergunta muda novamente:

“O que posso fazer com a comunicação para transformar a realidade?”

Talvez seja esse o verdadeiro sentido de uma progressão de competências educomunicativas.

Não se trata de saber usar mais ferramentas. Trata-se de desenvolver maior capacidade de expressão, autoria, pensamento crítico, participação, colaboração, ética e transformação social.

E, em tempos de inteligência artificial, surge uma nova camada nessa conversa.

Não basta saber utilizar a IA. Precisamos formar estudantes capazes de perguntar como ela funciona, de onde vêm as informações, quais são seus limites, seus impactos e quais decisões continuam sendo responsabilidade humana.

Por isso, talvez possamos imaginar uma trajetória:

Descobrir → Explorar → Produzir → Analisar → Protagonizar → Transformar.

Não seriam exatamente B1, B2, C1 ou C2.

Seriam níveis de desenvolvimento de uma competência que começa muito cedo e pode acompanhar toda a vida.

E aqui está a grande provocação:

Se ensinamos uma criança a ler, escrever, interpretar o mundo e aprender diferentes linguagens, por que não ajudá-la também a compreender e transformar o ecossistema de comunicação no qual ela vive?

Talvez uma Matriz de Competências Educomunicativas, da alfabetização ao 9º ano, possa ser um caminho.

Uma matriz que não pergunte apenas “o que o estudante sabe?”, mas também:

O que ele consegue comunicar?
O que consegue criar?
O que consegue questionar?
Em que consegue participar?
E, principalmente, o que consegue transformar?

No fundo, talvez a grande proficiência educomunicativa seja essa:

aprender a usar a comunicação não apenas para falar sobre o mundo, mas para participar da construção do mundo que queremos.

Por : Carlos Lima - Professor Educomunicador

Imagem : Roda Viva do Estudante  

sábado, 8 de agosto de 2026

Escola com mais de 5 horas precisa de 1 hora de conversação, escuta e interação


Cada vez mais, as escolas estão ampliando o tempo de permanência dos estudantes. Essa pode ser uma importante oportunidade para ampliar experiências, conhecimentos, aprendizagens e formas de participação. Mas uma pergunta precisa acompanhar esse movimento: mais tempo na escola deve significar necessariamente mais conteúdos e mais atividades?

Será que, ao ampliar a jornada, estamos ampliando também a qualidade da experiência escolar?

Talvez seja o momento de pensarmos que, além de mais conhecimentos, os estudantes precisam de mais convivência.

Quando falamos em educação em tempo ampliado, muitas vezes pensamos imediatamente em reforço da aprendizagem, novas aulas, projetos, oficinas e conteúdos. Tudo isso pode ser importante. Porém, é preciso lembrar que a escola não recebe apenas um aluno que precisa aprender conteúdos. Ela recebe um ser humano que precisa conversar, brincar, criar vínculos, ser ouvido, experimentar, fazer escolhas, desenvolver sua autonomia e, em alguns momentos, simplesmente estar com os outros.

Isso não significa defender uma escola sem intencionalidade pedagógica ou transformar o tempo escolar em tempo livre sem propósito. Pelo contrário. A convivência também pode ser uma experiência educativa quando existe espaço para autonomia, diálogo, escuta e mediação.

Uma educação de qualidade não deveria ser medida apenas pela quantidade de conteúdos oferecidos ou pelo número de horas que o estudante permanece na escola. Ela precisa considerar também a qualidade das experiências que acontecem nesse tempo.

Olhar para a nossa realidade

Experiências educacionais de outros países podem nos ensinar muito. Finlândia, Coreia do Sul, Japão, Estados Unidos, Israel e tantos outros sistemas educacionais apresentam experiências que podem inspirar reflexões e políticas públicas.

Mas inspiração não significa cópia.

Cada sociedade possui sua história, sua cultura, suas desigualdades, seus modos de convivência e suas expectativas em relação à educação. O Brasil possui uma formação social e cultural extremamente diversa, marcada por diferentes matrizes culturais e por formas próprias de viver e estabelecer relações.

Por isso, não podemos simplesmente transplantar modelos educacionais de uma realidade para outra. Precisamos conhecer o mundo, aprender com ele e, ao mesmo tempo, construir respostas adequadas à nossa própria realidade.

A educação brasileira precisa dialogar com aquilo que somos e, principalmente, com aquilo que queremos construir.

Mais tempo não pode ser apenas mais do mesmo

Ampliar o tempo de permanência na escola é uma escolha de política educacional. Pode trazer grandes benefícios, especialmente quando oferece novas oportunidades culturais, científicas, artísticas, esportivas, tecnológicas e sociais.

Mas existe um risco: transformar a educação em tempo ampliado em uma escola com mais do mesmo.

Mais uma aula.
Mais uma atividade.
Mais um exercício.
Mais uma tarefa.
Mais uma cobrança.

Se o tempo escolar aumenta, talvez também precisemos ampliar a concepção do que entendemos por aprendizagem.

Aprender também é conviver. Aprender também é ouvir. Aprender também é falar. Aprender também é negociar, discordar, cooperar, criar e reconhecer o outro.

É nesse ponto que surge uma proposta simples, mas que pode ser bastante significativa: uma hora de conversação, escuta e interação.

Uma hora de encontro

Não necessariamente uma aula.

Um encontro.

Um momento em que estudantes possam conversar sobre suas experiências, ouvir os colegas, discutir questões que fazem parte de suas vidas, refletir sobre problemas da escola e da comunidade, brincar, criar, produzir cultura e desenvolver projetos coletivos.

Pode ser uma roda de conversa. Um debate. Uma atividade cultural. Um jogo cooperativo. Uma produção de podcast. Uma experiência de comunicação. Uma discussão sobre acontecimentos da comunidade. Um momento de leitura compartilhada. Uma conversa sobre conflitos e relações.

O formato pode variar.

O princípio é que exista um tempo institucionalizado para estar com o outro.

O melhor dos mundos seria que a escuta, o diálogo e a interação estivessem presentes em todas as experiências pedagógicas. Mas sabemos que a organização cotidiana da escola nem sempre permite isso de maneira sistemática.

Por isso, criar um momento específico pode ser uma possibilidade.

Esse encontro poderia começar uma vez por semana e, conforme a experiência fosse amadurecendo, ampliar sua presença no cotidiano escolar.

O papel da pessoa mediadora

Para que esse momento não se transforme simplesmente em "uma hora sem aula", existe um elemento fundamental: a mediação.

A pessoa responsável por esse espaço não seria apenas alguém que controla o grupo. Seria uma mediadora e facilitadora da convivência, alguém capaz de criar condições para que diferentes vozes sejam ouvidas.

Seu papel seria provocar perguntas, estimular a participação, acolher diferentes opiniões, ajudar na resolução de conflitos e transformar as experiências dos estudantes em oportunidades de reflexão e aprendizagem.

É justamente aí que a proposta pode ganhar uma dimensão educomunicativa.

Quando estudantes têm espaço para falar e também para ouvir, quando produzem conteúdos, compartilham experiências e participam das decisões sobre aquilo que acontece na escola, a comunicação deixa de ser apenas transmissão de informação e passa a ser prática de participação e cidadania.

Educação de qualidade também é convivência

Talvez precisemos superar a ideia de que uma escola de qualidade é aquela que consegue ocupar cada minuto da jornada do estudante com alguma atividade.

Educação de qualidade não é aquela que ocupa todo o tempo do estudante, mas aquela que transforma o tempo escolar em experiências significativas de aprendizagem, convivência, participação e desenvolvimento humano.

Ampliar a jornada pode ser importante.

Mas talvez seja ainda mais importante perguntar:

O que estamos fazendo com esse tempo?

Se já ampliamos o tempo do estudante na escola, talvez seja hora de ampliar também o espaço para que ele seja ouvido.

Porque uma escola não é feita apenas de salas, conteúdos, horários e avaliações.

Ela é feita de pessoas.

E pessoas precisam de tempo para aprender, mas também precisam de tempo para viver, conviver, criar, conversar e se reconhecer no outro.

Talvez uma hora de encontro por semana seja apenas o começo.

Talvez, no futuro, a própria escola descubra que conversar, escutar e interagir não são intervalos da aprendizagem. São parte dela.

Por Carlos Lima – Professor Educomunicador

 

sábado, 25 de julho de 2026

A escola amplia o tempo ou amplia as experiências?


Em uma reunião com as famílias no retorno das férias escolares, boa parte do encontro, os assuntos abordados foram normas e procedimentos: não correr no pátio; utilizar o horário do lanche exclusivamente para se alimentar; evitar ir ao banheiro durante as aulas; informar que faltas podem ser comunicadas ao Conselho Tutelar; acompanhar diariamente os cadernos, já que os estudantes nem sempre mostram as atividades aos pais; conferir as lições de casa; e garantir o uso obrigatório do uniforme.

Ao final da reunião, fiquei pensando: será que essas orientações representam, de fato, o que entendemos por educação? Será que a ampliação da jornada escolar se resume ao aumento do tempo de permanência na escola ou deveria significar a ampliação das oportunidades de aprendizagem, convivência, criação e desenvolvimento humano?

Como é a rotina de uma criança ou de um adolescente que permanece cerca de sete horas por dia na escola? Se considerarmos um dia de 24 horas, aproximadamente oito são dedicadas ao sono, duas à alimentação, duas aos cuidados pessoais e outras nove entre escola, deslocamentos e preparação para sair de casa. Resta muito pouco tempo para brincar, descansar, conviver com a família, encontrar os amigos ou simplesmente não fazer nada.

Enquanto isso, o mundo continua mudando. As transformações tecnológicas, culturais e sociais não pedem licença para acontecer. Novas formas de interação surgem diariamente e são rapidamente incorporadas pelas novas gerações. A escola, porém, muitas vezes permanece organizada por uma lógica em que o controle ocupa mais espaço do que a escuta.

Talvez seja por isso que tantos jovens encontrem, durante a madrugada, no celular, um espaço para conversar, expressar sentimentos e viver experiências que não encontram durante o dia. Não se trata apenas do uso da tecnologia, mas da busca por autonomia, pertencimento e conexão humana.

A rotina disciplinar de muitas escolas deixa pouco espaço para conversas espontâneas, para o diálogo entre colegas, para o exercício da escuta e da convivência. Aquilo que nós, adultos, valorizamos em nossas relações — uma boa conversa, um momento de descontração, uma pausa para compartilhar ideias — raramente é reconhecido como parte importante da experiência estudantil.

Talvez seja o momento de nos perguntarmos: por que a frequência escolar, especialmente entre os estudantes mais jovens, tem se tornado uma preocupação crescente? Será que eles se reconhecem na rotina que vivem? Participam da construção de sua experiência escolar ou apenas cumprem tarefas previamente definidas?

Uma escola comprometida com a emancipação não pode limitar-se à organização do tempo e ao cumprimento de regras. Ela precisa oferecer experiências significativas, valorizar a participação, promover o diálogo e reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, capazes de pensar, criar, opinar e transformar o ambiente em que vivem.

A ampliação da jornada escolar só faz sentido quando também amplia as possibilidades de aprender, de conviver, de sonhar e de viver plenamente a infância e a juventude. Caso contrário, estaremos apenas prolongando o tempo de permanência em um espaço que, em vez de libertar, pode acabar restringindo aquilo que a educação tem de mais precioso: a formação de pessoas livres, críticas e felizes.


Por Carlos Lima - Professor e Educomunicador 

domingo, 5 de julho de 2026

O que experiências com bandas de rock dos anos 90 me ensinou sobre Educação Integral


Na aula do curso de Educação Integral desta semana, compartilhei com os colegas uma experiência que marcou minha juventude: a organização de eventos culturais com bandas de garagem nos anos 1990. Mais do que recordar um período especial da minha vida, a intenção era mostrar como essas vivências continuam inspirando minha prática como educador.

Durante o encontro, assistimos a um trecho do filme Escola de Rock, que serviu como ponto de partida para refletirmos sobre o papel das aulas no São Paulo Integral (SPI) e sobre a potência dos projetos de Educomunicação. Em ambos os casos, o que faz a diferença não é apenas o conteúdo, mas a maneira como criamos oportunidades para que cada estudante descubra seu lugar, expresse seus talentos e participe de forma significativa.

Ao rever um documentário musical sobre bandas independentes, percebi novamente algo que sempre me encantou: cada grupo possuía sua própria identidade, seu estilo e sua forma de interpretar o rock. Não existia uma única maneira "correta" de fazer música. A diversidade de sons, personalidades e performances era justamente o que tornava aquele grande concerto tão rico e envolvente. Todos contribuíam para criar uma atmosfera de pertencimento, criatividade e celebração.

Não é exatamente isso que buscamos promover na Educação Integral?

Uma aula também pode ser um palco onde diferentes talentos encontram espaço para florescer. Há quem se destaque falando, pesquisando, organizando, fotografando, entrevistando, criando trilhas sonoras, produzindo vídeos, escrevendo ou simplesmente acolhendo e incentivando os colegas. Quando planejamos projetos considerando competências, habilidades, interesses e as individualidades dos estudantes, ampliamos as possibilidades de aprendizagem e fortalecemos o protagonismo juvenil.

Os projetos de Educomunicação carregam essa essência. Eles transformam a sala de aula em um ambiente de criação coletiva, colaboração e respeito às diferentes formas de participação. Assim como em uma banda de rock, cada integrante exerce um papel importante para que o resultado final aconteça.

As propostas educomunicativas  disponibilizadas no site do Núcleo de Educomunicação dialogam diretamente com essa perspectiva. São atividades que ampliam as oportunidades de participação, despertam o interesse dos estudantes, criam ambientes de aprendizagem mais significativos e podem ser adaptadas às diferentes realidades das escolas.

No fim das contas, talvez educar seja muito parecido com organizar um festival de bandas: criar as condições para que todos encontrem sua voz, toquem juntos e descubram que a diversidade é o que torna a experiência verdadeiramente inesquecível.

Para quem quiser conhecer o documentário que inspirou essa reflexão, ele está disponível no 

 Show Inverno Rock gravado em 1995 no Parque Chico Mendes na Vila Curuça, organizado por Carlinhos (eu) com bandas de diferentes regiões da cidade


Por Carlos Lima: Professor Educomunicador 

Imagem: Cena do filme Escola de Rock


terça-feira, 23 de junho de 2026

Da timidez ao microfone: Quando encontrei minha voz





Quem imaginaria que uma estudante, antes quieta e retraída, se tornaria coordenadora de um projeto  de comunicação? Pois é. Nem mesmo eu acreditava.

 Sempre fui uma aluna assim. Sequer tirava dúvidas com o professor. Porém, tudo mudou a partir de um texto. Com a proposta de contos do Currículo da Cidade no final do meu ciclo interdisciplinar, participei de uma coletânea entre as turmas, o que me fez descobrir o deleite pela escrita. No mesmo ano, após anos, foi reaberta a Academia Estudantil de Letras Arnaldo Antunes. Lembro-me como se fosse ontem da professora indo até a minha sala anunciar o projeto pelo qual, a princípio, poucas pessoas apresentaram interesse. Todavia, esse foi meu primeiro ingresso nas ações acadêmicas da escola.


 Ao longo do tempo, comecei a participar dos Mediadores de Leitura. Todas essas iniciativas me fizeram sentir cada vez mais o desejo de me instruir.

 O convite para entrar no projeto Imprensa Jovem foi um tanto curioso. Uma estudante veio tão somente perguntar se eu gostaria de participar e, acostumada a me integrar em tantos programas, aceitei. Mal sabia eu que havia tomado uma decisão que mudaria minha vida.

Éramos uma pequena equipe com grandes sonhos. Não foi difícil adaptar-me às demandas de uma imprensa, visto que já aprendera criação de conteúdo audiovisual e escrita de notícias. Não muito tempo depois, tornei-me aluna coordenadora. Desde então, passei a trilhar caminhos que me proporcionaram oportunidades inimagináveis, levando-me a conhecer pessoas incríveis e lugares únicos.

Durante o período em que fui coordenadora, dediquei meus saberes e acolhi pessoas que também me acolheram. Nosso primeiro documento desenvolvido foi chamado de Documento Particular de Organização (DPO), onde se encontrava a organização do nosso projeto dentro da escola, servindo de guia para os jovens repórteres. Em dois anos consecutivos, tive o prazer de falar sobre comunicação e educomunicação com ênfase em Imprensa Jovem em um intercâmbio entre grêmios estudantis, organizado pelo Grêmio Marielle Franco. 

Na primeira oportunidade, reencontrei um professor que me dera aula anteriormente e, juntos, buscamos desenvolver o projeto em sua escola. No meu último ano, produzi um curso sobre edição de vídeo e notícia para que a equipe estivesse preparada para atuar na escola.

 Ainda posso dizer que isso é apenas uma parte de tudo que vivenciamos. Cada encontro, cada aprendizado e cada entrevista podem narrar um pouco da história. Olhando para trás, era muito difícil imaginar que alguém tão tímida como eu pudesse se encontrar num projeto de jornalismo, mas o Imprensa Jovem foi capaz de sanar meu retraimento e alegro-me muito por isso. Hoje vejo que meu esforço e minha dedicação trouxeram grandes resultados. 

A comunicação foi fundamental para eu me entender, me construir e encontrar espaço para minha própria voz. Certamente, o Imprensa Jovem tem o poder de mudar vidas — e a minha trajetória é uma prova disso.

Por: Kemilly Vitória Reyes de Almeida - Cursando o 1° ano do ensino médio da PEI Professora Luciane do Espírito Santo.

Imagens : Acervo pessoal da estudante 



quinta-feira, 18 de junho de 2026

Educomunicador contribui com debate nacional sobre Cultura Cidadã, Educação e Democracia

 

O educomunicador e coordenador do Núcleo de Educomunicação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, Carlos Lima, participou como especialista do Fórum “Cultura Cidadã e Políticas Públicas”, realizado nos dias 11 e 12 de março de 2026. O encontro reuniu representantes de instituições de referência nacional, pesquisadores, educadores, gestores públicos e especialistas em comunicação para discutir estratégias de fortalecimento da cidadania, da democracia e da educação política entre adolescentes.

Promovido em parceria entre a Secretaria de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas do Ministério do Planejamento e Orçamento e a Fundação Roberto Marinho, o projeto tem como objetivo produzir conteúdos educativos que estimulem a reflexão sobre políticas públicas, o pensamento crítico, o combate à desinformação e a participação democrática de estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental.


Documento gerado a partir do Fórum

Educomunicação como estratégia de participação cidadã

Durante os debates do segundo dia do Fórum, Carlos Lima destacou a importância da formação de professores para o fortalecimento da participação estudantil e da alfabetização midiática nas escolas. Em sua intervenção, ressaltou que o engajamento dos estudantes passa necessariamente pela capacidade dos educadores compreenderem as novas formas de comunicação e os interesses das juventudes.

“O engajamento passa também pela formação de professores. O professor precisa entender os estudantes, não apenas o conteúdo.”

A fala reforça uma das principais diretrizes do trabalho desenvolvido pelo Programa Imprensa Jovem e pelas ações de Educomunicação na Rede Municipal de Ensino de São Paulo: promover ambientes de aprendizagem mais participativos, democráticos e conectados às realidades dos estudantes.

Educação midiática e uso consciente das tecnologias

Outro ponto relevante apresentado por Carlos Lima foi a necessidade de superar visões restritivas sobre o uso das tecnologias digitais na escola. Segundo ele, a simples proibição da internet não contribui para a formação crítica dos estudantes.

“O problema da proibição da Internet é que, ao invés de educar para uso, diminui-se a potência destas tecnologias na escola. A formação continuada de professores resolve bem. Diminui o preconceito pedagógico.”

A contribuição dialoga diretamente com os desafios contemporâneos relacionados à desinformação, à inteligência artificial e ao uso das redes sociais, temas amplamente discutidos durante o Fórum.

Referência nacional em Educomunicação

Reconhecido nacionalmente pelo trabalho desenvolvido à frente do Programa Imprensa Jovem, Carlos Lima levou ao debate a experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas na implementação de políticas públicas de Educação Midiática e Educomunicação. Sua participação reforçou a importância de inserir a comunicação, o protagonismo juvenil e a leitura crítica das mídias como elementos centrais para a formação cidadã.

As contribuições apresentadas no Fórum evidenciaram que o fortalecimento da democracia passa pela escuta ativa dos estudantes, pela valorização de suas experiências e pela formação contínua dos educadores, criando condições para que as escolas sejam espaços de diálogo, participação e construção coletiva do conhecimento.

A presença de Carlos Lima entre especialistas de instituições como UNESCO, MEC, NIC.br, Politize!, Instituto Palavra Aberta, Fundação Roberto Marinho e diversas organizações da sociedade civil demonstra o reconhecimento da Educomunicação como uma estratégia fundamental para a promoção da cidadania, da cultura democrática e da participação das juventudes na construção de políticas públicas.

Guia de cobertura jornalistica - Imprensa Jovem na Bienal

Orientações para estudantes e professores 1. Apresentação Este guia tem como objetivo oferecer orientações básicas para a realização da cobe...