Mostrando postagens com marcador EJA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador EJA. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Educação de Jovens e Adultos: um espaço de aprendizagem e centro de convivência dos 60+


Enquanto esperava no ponto de ônibus, observei uma conversa inspiradora entre duas senhoras. Uma parecia ter cerca de 60 anos e a outra, 80. Elas falavam sobre o quanto era bom estudar, sobre como as aulas da EJA (Educação de Jovens e Adultos) eram tão interessantes que elas não perdiam sequer um dia. No tom das palavras, percebi o prazer de aprender, mesmo em uma fase da vida em que muitas pessoas acreditam ser tarde demais.

As duas ressaltaram o papel essencial dos professores, que, com atenção e empatia, as motivavam a continuar, mesmo quando pensavam em desistir. “Desistam, não! Falta pouco para vocês se formarem”, lembravam os docentes, mostrando o quanto acreditavam na capacidade de seus alunos.

Porém, uma das senhoras estava preocupada: a EJA próxima de sua casa iria fechar, e a alternativa mais próxima era em outro bairro, dificultando o acesso. “Ainda bem que terminei o 9º ano”, disse a senhora mais velha, mas confessou que ainda tinha vontade de continuar estudando. Sua amiga a encorajou a fazer o Ensino Médio, mas a distância era uma barreira.

Essa conversa reflete algo que muitos já sabem: para os mais velhos, estudar não é apenas uma oportunidade de aprendizado, mas também de realizar um sonho que foi negado na juventude. A escola, sobretudo na EJA, vai além do ensino. É um espaço de convivência, de amizade, de acolhimento e de valorização da experiência de vida.

Com o aumento da expectativa de vida, é essencial que a sociedade veja a escola, em especial a EJA, como um lugar estratégico para a formação contínua dessa geração. Enquanto muitos asilos crescem como resposta ao envelhecimento populacional, a escola pública resiste como um espaço que acolhe as potências dessa geração. Diferentemente de outras instituições que, muitas vezes, marginalizam os idosos, a EJA mantém suas portas abertas para a Geração 60+.

Investir em mais escolas com turmas de EJA e transformá-las em pontos de encontro intergeracionais pode trazer ganhos inestimáveis. Além de promover a inclusão, fortalece a qualidade de vida de jovens e adultos. Há público para isso e há um desejo genuíno por aprendizado e convivência.

A Educação de Jovens e Adultos não é apenas um programa, mas uma política pública que precisa de fortalecimento. Garantir que essas escolas continuem ativas e acessíveis é fundamental para proporcionar mais oportunidades e sonhos realizados, mostrando que nunca é tarde para aprender.

Por Carlos Lima - Educomunicador e professor 

Imagem : Oficina de Educomunicação no CIEJA Guaianases

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Divas e divos povoam com suas histórias de vida a EJA


⁩Quem não se lembra da professora Diva, que, num ato de coragem, contou sua história na FLIP, o festival literário de Paraty, para escritores, entre eles o ator baiano Lázaro Ramos, e para a platéia que lotava o espaço? Ela faleceu no último dia 11 de janeiro de 2025. Sua história marcante demonstra o quanto a educação salvou sua vida. Não houve quem não se emocionasse. De uma mulher neta de escravos até sua atuação como professora, Diva resistiu e inspirou muitos.

Diva Guimarães emociona a FLIP com sua história de vida

Isso me fez lembrar da história de um senhor que compartilhou sua história, que aos 80 anos, conseguiu estudar no MOVA. O MOVA é o Movimento de Alfabetização de Adultos, criado por Paulo Freire. Após ser consultado pela DRE (Diretoria Regional de Educação) sobre como divulgar a potência do MOVA, eu disse: "A potência do MOVA são as pessoas. Que tal ouvir o que elas pensam sobre o MOVA? Vamos produzir vídeos com seus depoimentos."

Usando celulares com fones de ouvido e gravações em plano fechado, as histórias foram voluntariamente contadas por estudantes de várias unidades da Brasilândia. Demos um título à ação: Vozes do MOVA.

Uma história em especial chamou muita atenção: a do senhor Joaquim, um mineiro que viveu na roça. Ele contou que quando criança, era fascinado pela ideia de estudar. Um dia, compartilhou esse desejo com seu irmão mais velho, que decidiu presenteá-lo em seu aniversário. 

O jovem Joaquim pediu algo que pudesse ajudá-lo a estudar. No dia do aniversário, ansioso, aguardava seu irmão chegar com o presente prometido. Quando o irmão entrou em casa com um grande pacote, Joaquim, sem entender, foi convidado a abrir. Dentro, encontrou uma enxada.

 


 Senhor Joaquim gravando o depoimento para o projeto Vozes do MOVA

"Quando tinha 8 anos, meu irmão falou que ia me dá um presente 1 caderno e 1 lápis. Fiquei tão alegre. Chegou o embrulho. O irmão apresentou o cabo da enxada e disse este é o lápis e a enxada é o caderno. Você tem que aprender o que aprendi. Fiquei muito triste". Depoimento do Sr. Joaquim Amancio do MOVA de Jd. Brasilândia"

Esse episódio marcou profundamente a vida do senhor José. Anos depois, já em São Paulo, na Brasilândia, após criar seus filhos e filhas, ele decidiu cumprir sua missão e sonho: estudar, aprender a ler e escrever usando lápis e caderno, o presente tão sonhado na infância.

Divas e Divos povoam a Educação de Jovens e Adultos, e suas histórias de vida mostram o quanto eles podem ensinar aos mais jovens sobre o verdadeiro valor da educação.

Por Carlos Lima: Educomunicador e professor

Imagem: Vecteezy 

Quando a Educomunicação também pode ter níveis de aprendizagem?

  Outro dia, durante uma aula de língua estrangeira, ouvi o professor apresentar os níveis de proficiência: B1, B2, C1, C2. A ideia é simple...