Uma nova guerra parece anunciar-se logo no quintal de onde é uma referência de território pacífico do mundo. A América do Sul amanhece sob a sombra de ataques justamente após a virada de ano em que ainda se depositavam esperança para mundo mais pacífico em 2026. A sensação é de que a história insiste em se repetir, sempre à revelia dos povos que habitam nas regiões de conflitos.
Gaza escancarou o preço cruel da intolerância. Um povo inteiro transformado em escudo humano, esmagado por interesses que não o representam. O que se impõe não é o diálogo, mas a força — uma força suspensa sobre vidas civis, somada a interesses obscuros, quase sobrenaturais, capazes de eliminar opositores sem qualquer consideração pelas crianças, famílias e comunidades que nada têm a ver com ódios geopolíticos ou disputas de poder.
Na Ucrânia, a guerra segue normalizada, enquanto o mundo se acostuma com o inaceitável. O multilateralismo — esse pacto civilizatório que deveria integrar diplomacia, direitos dos povos e mediação internacional — vai sendo rasgado, ou pior, picotado lentamente, sem grande comoção. Já não se fala em bom senso, mas em interesses. Não em vidas, mas em territórios, rotas, influência e poder.
Não precisamos de mais uma guerra no mundo. Uma guerra em qualquer lugar desestabiliza regiões inteiras, gera ondas de sofrimento, deslocamentos forçados, fome e pobreza. Não existe guerra justa quando civis pagam o preço. Não existe “lado certo” quando o resultado é morte, destruição e o esvaziamento da humanidade.
O certo não é vencer uma guerra.
O certo é não ter guerra.
Diante de um mundo que parece flertar novamente com o colapso ético, é urgente reafirmar valores simples e profundos: diálogo, diplomacia, democracia, respeito aos povos e à vida. A paz não pode ser tratada como ingenuidade. Ela é, hoje, o maior ato de coragem política e humana que nos resta.
Minha solidariedade ao povo amigo venezuelano.
Por Carlos Lima - Professor Educomunicador
Imagem : Pixabay

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