Quem imaginaria que uma estudante, antes quieta e retraída, se tornaria coordenadora de um projeto de comunicação? Pois é. Nem mesmo eu acreditava.
Sempre fui uma aluna assim. Sequer tirava dúvidas com o professor. Porém, tudo mudou a partir de um texto. Com a proposta de contos do Currículo da Cidade no final do meu ciclo interdisciplinar, participei de uma coletânea entre as turmas, o que me fez descobrir o deleite pela escrita. No mesmo ano, após anos, foi reaberta a Academia Estudantil de Letras Arnaldo Antunes. Lembro-me como se fosse ontem da professora indo até a minha sala anunciar o projeto pelo qual, a princípio, poucas pessoas apresentaram interesse. Todavia, esse foi meu primeiro ingresso nas ações acadêmicas da escola.
Ao longo do tempo, comecei a participar dos Mediadores de Leitura. Todas essas iniciativas me fizeram sentir cada vez mais o desejo de me instruir.
O convite para entrar no projeto Imprensa Jovem foi um tanto curioso. Uma estudante veio tão somente perguntar se eu gostaria de participar e, acostumada a me integrar em tantos programas, aceitei. Mal sabia eu que havia tomado uma decisão que mudaria minha vida.
Éramos uma pequena equipe com grandes sonhos. Não foi difícil adaptar-me às demandas de uma imprensa, visto que já aprendera criação de conteúdo audiovisual e escrita de notícias. Não muito tempo depois, tornei-me aluna coordenadora. Desde então, passei a trilhar caminhos que me proporcionaram oportunidades inimagináveis, levando-me a conhecer pessoas incríveis e lugares únicos.
Durante o período em que fui coordenadora, dediquei meus saberes e acolhi pessoas que também me acolheram. Nosso primeiro documento desenvolvido foi chamado de Documento Particular de Organização (DPO), onde se encontrava a organização do nosso projeto dentro da escola, servindo de guia para os jovens repórteres. Em dois anos consecutivos, tive o prazer de falar sobre comunicação e educomunicação com ênfase em Imprensa Jovem em um intercâmbio entre grêmios estudantis, organizado pelo Grêmio Marielle Franco.
Na primeira oportunidade, reencontrei um professor que me dera aula anteriormente e, juntos, buscamos desenvolver o projeto em sua escola. No meu último ano, produzi um curso sobre edição de vídeo e notícia para que a equipe estivesse preparada para atuar na escola.
Ainda posso dizer que isso é apenas uma parte de tudo que vivenciamos. Cada encontro, cada aprendizado e cada entrevista podem narrar um pouco da história. Olhando para trás, era muito difícil imaginar que alguém tão tímida como eu pudesse se encontrar num projeto de jornalismo, mas o Imprensa Jovem foi capaz de sanar meu retraimento e alegro-me muito por isso. Hoje vejo que meu esforço e minha dedicação trouxeram grandes resultados.
A comunicação foi fundamental para eu me entender, me construir e encontrar espaço para minha própria voz. Certamente, o Imprensa Jovem tem o poder de mudar vidas — e a minha trajetória é uma prova disso.
Por: Kemilly Vitória Reyes de Almeida - Cursando o 1° ano do ensino médio da PEI Professora Luciane do Espírito Santo.
Imagens : Acervo pessoal da estudante



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